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Fernanda Silva defende integração da enfermagem para reduzir agravamento de doenças crônicas

Especialista avalia que acompanhamento contínuo e organização da assistência podem evitar complicações e diminuir a procura por serviços de urgência

O avanço das doenças crônicas está modificando as demandas enfrentadas pelos sistemas de saúde. Condições como hipertensão, diabetes, insuficiência renal e doenças respiratórias exigem acompanhamento prolongado e não podem ser tratadas apenas quando o paciente apresenta sintomas ou complicações.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, as doenças crônicas não transmissíveis estão associadas a aproximadamente 74% das mortes registradas globalmente. Além do impacto sobre a mortalidade, elas podem provocar perda de autonomia, internações recorrentes e aumento da procura por serviços de urgência.

Para a enfermeira Fernanda Silva, o enfrentamento desse cenário depende de maior integração entre atenção primária, acompanhamento domiciliar e serviços de maior complexidade. Sua análise é resultado da atuação direta na gestão de doenças crônicas e no atendimento de pacientes em diferentes regiões brasileiras.

“O paciente circula pela rede, mas o cuidado precisa manter uma continuidade. Quando as informações não acompanham essa trajetória, aumenta o risco de repetição de procedimentos, interrupção do tratamento e identificação tardia de uma complicação”, explica.

Fernanda acompanhou pessoas com hipertensão, diabetes e insuficiência renal, realizando orientações, avaliações e procedimentos no ambiente domiciliar. Posteriormente, ampliou essa atuação na Estratégia Saúde da Família no estado de São Paulo, atendendo pacientes de diferentes idades e coordenando ações de prevenção, busca ativa e monitoramento.

Essa combinação entre assistência direta e organização dos serviços permitiu à enfermeira observar como decisões tomadas na atenção primária repercutem sobre toda a rede. “Quando o acompanhamento funciona, é possível identificar alterações antes que o quadro se transforme em uma emergência. Isso protege o paciente e evita uma pressão adicional sobre hospitais e prontos atendimentos”, afirma.

A enfermagem ocupa uma posição estratégica nesse processo por manter contato frequente com pacientes, familiares e territórios. Consultas, visitas domiciliares, educação em saúde e acompanhamento de indicadores ajudam a revelar dificuldades que nem sempre aparecem durante um atendimento isolado.

Fernanda destaca, porém, que o monitoramento não pode ser reduzido ao cumprimento de metas ou ao registro de informações. “O indicador é importante, mas precisa resultar em uma ação. Se o paciente deixou de comparecer, interrompeu o tratamento ou apresentou uma alteração clínica, a equipe deve conseguir reconhecer essa situação e intervir.”

O envelhecimento da população amplia esse desafio. Pessoas idosas frequentemente convivem com mais de uma doença crônica, utilizam diversos medicamentos e podem depender de familiares ou cuidadores para manter o tratamento, o que exige planejamento individualizado.

Na avaliação de Fernanda, o futuro da assistência passa pela integração entre capacidade clínica e gestão do cuidado. “A enfermagem precisa reconhecer riscos, acompanhar resultados e conectar os diferentes pontos da rede. O objetivo não é apenas controlar uma doença, mas evitar que ela comprometa a autonomia e a qualidade de vida do paciente.”

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