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Saúde e Bem-estar

Anvisa proíbe venda e uso de produtos à base de fenol após morte

Os peelings de fenol são os mais agressivos, pois conseguem atingir as camadas mais profundas da pele

Por Estadão

3 mins de leitura

em 25 de jun de 2024, às 10h56

Foto: Reprodução

Nesta terça-feira (25), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou uma resolução que proíbe a importação, fabricação, manipulação, comercialização, propaganda e uso de produtos à base de fenol, seja em procedimentos de saúde em geral ou estéticos.

Segundo o órgão regulador, a medida considera que, até a presente data, não foram apresentados estudos que comprovem a eficácia e segurança do produto fenol para uso em tais procedimentos.

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Em nota, a autarquia informou que a determinação ficará vigente enquanto são conduzidas as investigações sobre os potenciais danos associados ao uso da substância química. “A medida cautelar adotada pela Anvisa tem o objetivo de zelar pela saúde e integridade física da população brasileira”, destaca a publicação.

Antes da determinação, no início do mês de junho, o peeling de fenol foi alvo de debates devido à repercussão da morte do empresário Henrique Silva Chagas, de 27 anos, após a realização de um procedimento com a substância. Conforme alerta a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), o peeling de fenol em áreas extensas da face é um procedimento estético invasivo e considerado agressivo.

O que é o peeling de fenol?

Conforme já mostrado pelo Estadão, peeling, no geral, é um procedimento dermatológico no qual é provocada a troca de pele. Isso pode acontecer por meio de métodos físicos, como uso de equipamentos, ou a partir da aplicação de substâncias químicas, a exemplo de ácido salicílico, ácido glicólico e o próprio fenol.

Os peelings de fenol são os mais agressivos, pois conseguem atingir as camadas mais profundas da pele. Eles são indicados para o tratamento do envelhecimento facial severo, com rugas profundas e alterações avançadas de textura da pele, como cicatrizes de acne profunda. Nesse procedimento, há maior risco de complicações e o tempo de recuperação também é mais longo, necessitando que o paciente se afaste por um tempo das atividades habituais.

Quais os riscos e as contraindicações do produto?

O procedimento exige precauções, pois faz uso de um composto tóxico absorvido pela pele, penetrando também na corrente sanguínea. É potencialmente capaz de produzir complicações, como cicatrizes, alteração da coloração da pele, infecções e problemas cardíacos imprevisíveis, independente da concentração, do modo de aplicação e da profundidade atingida na pele.

Antes da proibição da Anvisa, a recomendação da SBD era de que o procedimento fosse sempre realizado por um médico, em centro cirúrgico, sob monitoramento constante de um anestesista e verificação das condições cardíacas do paciente ao longo do processo. Para fazer o peeling de fenol, o paciente precisaria realizar alguns exames, checando a saúde do coração por meio de eletrocardiograma, por exemplo. Isso porque durante a aplicação do fenol pode acontecer algum tipo de arritmia.

Ao Estadão, Elisete Crocco, coordenadora do departamento de cosmiatria da SBD, explicou que as contraindicações do procedimento são principalmente para pessoas que tenham problemas renais ou cardíacos, pacientes com pele muito morena ou que não possam ficar afastados durante muitos dias das suas atividades laborais, já que o período de recuperação é longo. Ainda segundo a SBD, os peelings químicos não devem ser realizados em caso de exposição solar, na gravidez, se existir alguma ferida aberta no local a ser tratado, se a pessoa estiver sob estresse físico e mental ou apresentar hábito de cutucar a pele.

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