Fraude na cota feminina derruba votos do Democracia Cristã em Colatina
Segundo o processo, duas mulheres foram registradas na chapa apenas para simular o cumprimento da cota feminina.

O Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES) confirmou por unanimidade a decisão que anulou todos os votos do partido Democracia Cristã (DC) nas eleições municipais de 2024 em Colatina. A sentença aponta a existência de um esquema fraudulento envolvendo “candidaturas laranja” para burlar a cota mínima de 30% de mulheres exigida pela legislação eleitoral.
Segundo o processo, duas mulheres foram registradas na chapa apenas para simular o cumprimento da cota feminina. Uma delas não recebeu nenhum voto, não fez campanha e não movimentou recursos do fundo partidário. A outra teve seu registro indeferido, mas mesmo assim permaneceu na lista de candidatos. O juiz Marcelo Feres Bressan, da 6ª Zona Eleitoral de Colatina, classificou o caso como “grave infração à isonomia eleitoral”. A decisão foi ratificada pela Corte estadual, por meio do relator do caso, juiz Adriano Sant’Ana Pedra.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp!A anulação dos votos do DC terá impacto direto na composição da Câmara Municipal de Colatina. A recontagem dos votos, excluindo os sufrágios da legenda, pode alterar o resultado das cadeiras no Legislativo, com possibilidade de perda de mandatos e ingresso de novos vereadores após o recalculo dos quocientes eleitorais.
O presidente do diretório municipal do Democracia Cristã, Ronaldo Jorge Oliveira, foi apontado como responsável pelo esquema e condenado à inelegibilidade por oito anos, junto às duas candidatas envolvidas. Na sentença, o juiz Bressan destaca que “a omissão ou facilitação para a ocorrência das irregularidades caracteriza responsabilidade eleitoral”.
A fraude à cota de gênero é uma prática combatida intensamente pela Justiça Eleitoral, que busca assegurar maior participação feminina na política. Entretanto, partidos têm usado candidatas apenas como “figura decorativa” para atender formalmente à lei.
A reportagem tentou contato com a Câmara de Vereadores de Colatina, mas não obteve retorno. Também não foi possível falar com Ronaldo Jorge Oliveira até o fechamento desta edição. O espaço permanece aberto para manifestações.
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