Lula vai ao STF contra Congresso por decreto que eleva o IOF
O recurso foi apresentado por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após parecer técnico-jurídico elaborado pela própria AGU.

A Advocacia-Geral da União (AGU) protocolou, nesta terça-feira (1º), uma Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) no Supremo Tribunal Federal (STF) com o objetivo de restaurar a validade do decreto presidencial que aumentava alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A medida havia sido sustada pelo Congresso Nacional.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aquiO recurso foi apresentado por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após parecer técnico-jurídico elaborado pela própria AGU. Durante coletiva, o ministro da AGU, Jorge Messias, afirmou que a decisão do Legislativo de barrar o decreto violou o princípio constitucional da separação entre os Poderes.
— A avaliação técnica dos nossos advogados foi de que a medida adotada pelo Congresso acabou por violar o princípio da separação de Poderes — afirmou Messias, destacando o esforço do governo para “retomar a normalidade institucional”.
O decreto questionado fazia parte de um pacote do Ministério da Fazenda para reforçar a arrecadação e equilibrar o orçamento dentro das metas do novo arcabouço fiscal. Assinado em maio por Lula, o texto previa o aumento do IOF sobre operações de crédito, câmbio e seguros.
A derrubada do decreto foi articulada e anunciada nas redes sociais pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), horas antes da votação. Segundo Motta, a maioria dos parlamentares rejeita o aumento da carga tributária como solução para cumprir as metas fiscais, e defende, em vez disso, cortes nas despesas do Executivo.
Em contraponto, o governo argumenta que o decreto evitaria cortes em políticas sociais e contingenciamentos que poderiam comprometer o funcionamento da administração pública. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu ainda que as medidas corrigiriam distorções tributárias que favorecem setores isentos de impostos sobre a renda.
Entre os principais pontos do decreto estão o aumento da alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) das apostas eletrônicas, de 12% para 18%, e das fintechs, de 9% para 15%, equiparando-as aos bancos tradicionais. Também está prevista a taxação de investimentos hoje isentos, como as Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e do Agronegócio (LCA).
Mesmo antes da derrota no Congresso, o Planalto já havia editado, no início de junho, uma medida provisória (MP) com aumento de tributos sobre as “bets” e investimentos isentos, em resposta à própria pressão do Legislativo. A MP também prevê corte de R$ 4,28 bilhões em despesas obrigatórias, enquanto o governo recuava parcialmente no decreto do IOF. Ainda assim, a oposição parlamentar prevaleceu.
Com a judicialização da disputa, o STF será chamado a arbitrar mais um capítulo do embate entre Executivo e Congresso em torno da política fiscal e da condução econômica do país.
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