Coletivo Vila Quilombo incentiva leitura com obras sobre questão racial
O Vila Quilombo atua como coletivo de leitura e escrita voltado à discussão da literatura nacional em diálogo com a questão racial no Brasil.

O coletivo literário Vila Quilombo lançou um desafio de leitura que propõe a discussão da igualdade racial a partir da literatura brasileira. Nesse sentido, a iniciativa reúne 12 obras nacionais, com uma leitura indicada para cada mês de 2026, e convida o público a compartilhar reflexões por meio das redes sociais do projeto.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aquiO curador do Vila Quilombo, Raoni Huapaya, explica que a proposta busca criar um espaço permanente de diálogo.
“O desafio estimula a troca de ideias e amplia o debate sobre as questões raciais brasileiras a partir de narrativas literárias comprometidas com o tema”, explica.
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Doutor em Letras, Raoni Huapaya destaca ainda a escolha do Instagram como plataforma central da ação. Conforme o curador, utilizar uma rede social com grande alcance entre jovens amplia o impacto da iniciativa e contribui para resgatar o hábito da leitura, cada vez menos presente no cotidiano.
Huapaya fundamenta a proposta em dados da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, edição de 2024. O levantamento aponta a redução de 6,7 milhões de leitores no país em comparação ao estudo anterior.
Além disso, considerando apenas livros lidos integralmente, a média nacional é de 0,82 livro por entrevistado. Para o curador, os números reforçam a urgência de ações que valorizem a leitura e evidenciem seus benefícios.
Assim, o desafio apresenta uma curadoria diversificada de autores e gêneros, com obras que abordam identidade, memória, desigualdade e resistência. A lista contempla títulos consagrados da literatura brasileira contemporânea e clássica.
Lista de livros do desafio
- Janeiro: Torto arado, de Itamar Vieira Junior
- Fevereiro: O avesso da pele, de Jeferson Tenório
- Março: Recordações do escrivão Isaías Caminha, de Lima Barreto
- Abril: Olhos d’água, de Conceição Evaristo
- Maio: Solitária, de Eliana Alves Cruz
- Junho: Sobrevivendo no inferno, de Racionais MC’s
- Julho: Incorrentes, de Valmir Luis Saldanha
- Agosto: O crime do cais do Valongo, de Eliana Alves Cruz
- Setembro: Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus
- Outubro: Amoras, de Emicida
- Novembro: Maqueira de tucum, de Márcia Kambeba
- Dezembro: Futuro ancestral, de Ailton Krenak
Os interessados podem acompanhar o desafio seguindo o perfil do coletivo no Instagram, em instagram.com/projetovilaquilombo.
Sobre o Vila Quilombo
O Vila Quilombo atua como coletivo de leitura e escrita voltado à discussão da literatura nacional em diálogo com a questão racial no Brasil. Nesse sentido, o projeto promove a igualdade racial por meio da valorização de tradições literárias afro-brasileiras e quilombolas. Além disso, contribui para a preservação de saberes ancestrais e o fortalecimento da sustentabilidade social.
Em 2025, o coletivo realizou encontros semanais na Escola Presidente Lüebke, em Vargem Alta, onde promoveu rodas de leitura e atividades de escrita.
Assim, na ocasião, os participantes tiveram contato com obras de autores reconhecidos por narrativas antirracistas e participaram de oficinas conduzidas por professores de literatura e escritores da região. Os textos produzidos nessas atividades serão reunidos em uma coletânea prevista para o primeiro semestre deste ano.
Origem do projeto
O Vila Quilombo surgiu em 2024 a partir de uma parceria entre o Instituto Federal do Espírito Santo, Campus Venda Nova do Imigrante, e a Escola Presidente Lüebke, de Vargem Alta. Assim, o projeto nasceu no contexto de uma iniciativa de iniciação científica que reuniu estudantes do Ensino Médio do Quilombo Pedra Branca para leitura e discussão das obras de Lima Barreto.
Em 2025, o projeto ampliou suas ações com o patrocínio do Grupo Águia Branca, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, o que possibilitou o aumento do número de participantes, a diversificação do repertório e a expansão das atividades formativas.