Memorial dos Mamonas Assassinas transforma luto em espaço vivo
Em vez de manter apenas túmulos como referência, o projeto planta cinco árvores nativas — jacarandás — que receberão parte das cinzas dos músicos.

Quase três décadas após o acidente aéreo que interrompeu a trajetória dos Mamonas Assassinas, a memória da banda começa a ganhar uma nova forma em Guarulhos. Nesta sexta-feira (27), familiares e responsáveis pelo projeto instalam cápsulas no cemitério que darão origem ao Memorial BioParque, iniciativa que propõe transformar o luto em um espaço vivo de homenagem, cultura e conexão.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aquiEm vez de manter apenas túmulos como referência, o projeto planta cinco árvores nativas — jacarandás — que receberão parte das cinzas dos músicos. Assim, o memorial rompe com a ideia de luto estático e cria um ambiente que simboliza continuidade e renovação. As árvores serão posicionadas atrás dos túmulos originais, que permanecerão preservados como marco histórico.
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Segundo Jorge Santana, primo de Dinho e CEO da marca ligada à banda, a família decidiu ressignificar a perda ao unir um projeto ecológico já existente no BioParque ao desejo de criar um espaço de vida e encontro. Dessa forma, o local deixa de ser apenas um ponto de despedida e passa a funcionar como ambiente permanente de celebração.
Exumação 30 anos depois marca novo capítulo
A exumação realizada três décadas após o sepultamento também representou um momento simbólico para os familiares. De acordo com Jorge, procedimentos desse tipo costumam ocorrer entre três e cinco anos após o enterro. No caso dos Mamonas, entretanto, a decisão veio 30 anos depois, dentro de uma proposta cuidadosamente discutida.
Antes de anunciar publicamente o projeto, a família avaliou modelos semelhantes apresentados pelo BioParque e pelo Grupo Primaveras. Além disso, Jorge e sua esposa visitaram uma iniciativa parecida em Minas Gerais e compartilharam a experiência com os demais parentes. Após análise conjunta, todos aprovaram a proposta.
Natureza, tecnologia e experiência imersiva
O memorial não se limitará ao simbolismo das árvores. Totens interativos permitirão que visitantes acessem clipes, entrevistas, bastidores e depoimentos familiares. Além disso, sensores digitais conectados a QR Codes possibilitarão acompanhar o desenvolvimento das árvores em tempo real.
Com isso, o espaço oferecerá uma experiência imersiva e gratuita que une natureza e tecnologia. Bancos circulares ao redor das árvores incentivarão a permanência e a troca entre fãs, reforçando o caráter coletivo da homenagem.
Para Jorge Santana, transformar parte das cinzas em árvores representa continuidade da vida e renovação do luto. Ele afirma que o projeto reflete a energia alegre que marcou a trajetória dos Mamonas Assassinas.
Memória afetiva e relatos da família
A irmã de Dinho, Grace Kellen, relembrou o impacto da perda ainda na adolescência. Grávida de seis meses na época da tragédia, ela afirma que não conseguiu viver o luto plenamente naquele momento. Posteriormente, decidiu homenagear o irmão ao incluir referência a ele no nome da filha.
Ao falar sobre a árvore dedicada ao vocalista, Grace expressou o desejo de que o local transmita paz e acolhimento aos visitantes. Para ela, o memorial deve representar conforto e reconhecimento duradouro.

Durante a exumação, familiares encontraram objetos que reforçaram a carga emocional do momento. Uma jaqueta colocada sobre o caixão de Dinho em 1996 permaneceu preservada e agora deve integrar o acervo do memorial. No túmulo do guitarrista Bento, também foi localizado um bicho de pelúcia deixado por um fã no dia do sepultamento, gesto que a família decidiu preservar.
Memorial Mamonas Assassinas
Além da dimensão simbólica, a família pretende transformar o Memorial Mamonas Assassinas em ponto turístico oficial de Guarulhos. Jorge Santana defende que a cidade pode incorporar o legado da banda à sua identidade cultural. No entanto, ele afirma que ainda falta apoio do poder público para consolidar essa proposta.
Entre os próximos passos, a família planeja criar um Museu Mamonas Assassinas, reunindo roupas, objetos pessoais e itens históricos do grupo. Paralelamente, pretende fortalecer o Instituto Mamonas Assassinas, que desenvolve projetos sociais como o futebol para amputados e ações voltadas ao autismo.
Assim, o memorial marca não apenas uma homenagem, mas também o início de uma nova etapa na preservação da história da banda.
Com informações do Estadão Conteúdo.
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