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Mistério em Alegre: lenda do túmulo acorrentado intriga moradores há mais de um século

História cercada de mistério envolve um túmulo acorrentado em um antigo cemitério de Rive, distrito de Alegre. Relatos fazem parte da tradição oral da região.

Foto: Divulgação

Um antigo cemitério localizado na comunidade de Capim, no distrito de Rive, em Alegre, no Sul do Espírito Santo, voltou a despertar o interesse de pesquisadores e moradores por causa de uma das histórias mais conhecidas da tradição oral da região: a lenda da “serpente do túmulo acorrentado”.

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O local, conhecido por alguns pesquisadores como Cemitério do Capim, abriga sepulturas datadas do século XIX e início do século XX. Entre elas, um jazigo envolto por correntes e cercado por relatos populares que atravessam gerações.

Segundo um levantamento realizado no local, foi encontrada a lápide de Prudenciana Cândida de Aguiar Paiva, nascida em maio de 1847 e falecida em 29 de agosto de 1903. A peça estava parcialmente encoberta por escombros e vegetação, próxima ao túmulo que deu origem à lenda.

A origem da lenda

De acordo com a tradição oral preservada por moradores da região, Prudenciana pertencia a uma influente família de fazendeiros da época e teria vivido na antiga Fazenda São Luiz.

A versão mais conhecida da história afirma que, durante uma festa na fazenda, ela teria cometido um ato de extrema crueldade contra uma criança escravizada, episódio que teria marcado sua reputação perante a comunidade.

Outra versão da narrativa popular, porém, relata que a criança teria sido salva antes que qualquer tragédia acontecesse, por uma intervenção considerada milagrosa.

Não há registros históricos que comprovem esses acontecimentos, e a história permanece restrita ao campo das lendas e da memória popular.

Túmulo rachado e histórias sobrenaturais

Após a morte de Prudenciana, ela foi sepultada no cemitério da família. Com o passar dos anos, moradores passaram a relatar que o túmulo teria rachado e que sons estranhos eram ouvidos vindos de seu interior.

Segundo a tradição local, diante dos relatos, padres da Igreja Católica teriam sido chamados para realizar missas e procissões no local. Em uma das versões da história, correntes teriam sido colocadas sobre o jazigo como símbolo de proteção espiritual, dando origem ao apelido de “túmulo acorrentado”.

Com o tempo, outro elemento passou a integrar a narrativa: a crença de que uma serpente viveria no interior da sepultura, reforçando o caráter místico da lenda.

Antigo cemitério preserva parte da história da região

Além do túmulo que deu origem à história, o antigo cemitério reúne sepulturas de adultos, crianças e pessoas escravizadas que viveram na região no século XIX.

Entre as lápides ainda identificáveis estão as de crianças que morreram muito jovens, além de integrantes da família Aguiar Paiva. Muitos jazigos encontram-se atualmente cobertos pela vegetação ou parcialmente destruídos pela ação do tempo.

Pesquisadores acreditam que parte dos sepultamentos esteja relacionada a epidemias, como a cólera, que atingiram diversas regiões do Brasil naquele período.

Embora a história da serpente do túmulo acorrentado não tenha comprovação documental, ela continua sendo uma das lendas mais conhecidas do patrimônio cultural e da memória popular de Alegre, despertando curiosidade de visitantes e estudiosos interessados na história da região.

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Jornalista com mais de uma década de experiência em produção de conteúdo jornalístico e cobertura de temas políticos, de segurança pública e institucionais. Atua com redação e edição de matérias para diferentes plataformas. Também possui experiência em comunicação política e eleitoral, assessoria de imprensa e redação publicitária.

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Alegre