Quando a origem vira marca: cafés brasileiros enfrentam risco de falsificação
O país passou a construir marcas baseadas na origem de seus cafés, agregando valor a regiões reconhecidas por características únicas de clima, altitude, solo e tradição produtiva.

Durante décadas, o Brasil concentrou esforços em produzir cada vez mais café. Hoje, porém, uma nova disputa ganha força e vai muito além do volume colhido. Ela envolve reputação, identidade territorial, rastreabilidade e confiança. O país passou a construir marcas baseadas na origem de seus cafés, agregando valor a regiões reconhecidas por características únicas de clima, altitude, solo e tradição produtiva. Mas justamente quando essas origens conquistam espaço no mercado nacional e internacional, um novo desafio se impõe: a falsificação.
Não se trata apenas da adulteração do produto. Em muitos casos, o que está sendo falsificado é a própria procedência. Cafés produzidos fora de uma determinada região são comercializados utilizando nomes consagrados, aproveitando-se da reputação construída coletivamente por milhares de produtores ao longo de décadas.
O problema não é novo. A região do Cerrado Mineiro, pioneira entre as Indicações Geográficas (IGs) do café no Brasil, enfrentou situação semelhante quando um importador espanhol registrou o nome “Café do Cerrado” antes da entidade representativa da região. Para recuperar o direito de utilizar a própria identidade no mercado europeu, foi necessário negociar a compra da marca por cerca de US$ 100 mil. Caso contrário, os produtores poderiam ser impedidos de exportar seus cafés utilizando o nome da região.
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