Cidades

Instituto Chico Mendes esclarece mortes de macacos na Floresta Nacional de Pacotuba

ICMBio reforçou o monitoramento após o aumento de ocorrências com primatas mortos ou feridos na Flona de Pacotuba, em Cachoeiro, e descartou até o momento suspeitas de febre amarela.

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio)
Foto: Alissandra Mendes / aquinoticias.com

Após o aumento de ocorrências envolvendo primatas mortos ou feridos na Floresta Nacional de Pacotuba (Flona de Pacotuba), em Cachoeiro de Itapemirim, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) reforçou o monitoramento e a apuração dos casos para esclarecer a situação.

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Segundo o órgão, entre 31 de agosto de 2024 e 10 de agosto de 2026, foram registrados 18 primatas em situações de conflito dentro ou no entorno da unidade de conservação. Desse total, 11 animais foram encontrados mortos e sete com vida.

Leia também: Cachoeiro reforça prevenção contra febre amarela e maculosa após morte de macacos

Os registros envolvem principalmente atropelamentos, eletrocussões e ataques de cães, além de casos em que não foi possível determinar a causa. Entre as espécies afetadas estão o bugio-ruivo (Alouatta guariba), ameaçado de extinção, e o macaco-prego (Sapajus nigritus).

O ICMBio informou que houve um crescimento nos registros neste ano. Até o dia 10 de agosto, 12 primatas haviam sido encontrados em situações de conflito, sendo sete mortos e cinco ainda com vida no momento em que foram localizados.

Entre essas ocorrências, o instituto identificou:

  • quatro atropelamentos;
  • duas eletrocussões;
  • dois ataques de cães;
  • quatro casos com causa não determinada.

Nos episódios classificados como indefinidos, não foi possível comprovar o que provocou os ferimentos ou a morte dos animais.

Entre eles estão três bugios-ruivos e um macaco-prego encontrados mortos ou feridos em diferentes pontos da Flona.

Um dos registros envolve um filhote de bugio-ruivo encontrado morto dentro de uma caixa d’água.

Em outra ocorrência, um bugio adulto foi localizado com vida às margens de uma estrada e apresentava um ferimento na cauda. O animal foi levado ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas/Ibama), mas não foi possível identificar a origem da lesão.

Também houve registros de um bugio-ruivo e de um macaco-prego encontrados mortos em áreas próximas a estradas e à sede da unidade de conservação.

Animais mortos passarão por necropsia

Os primatas encontrados mortos e que puderam ser conservados sob refrigeração foram encaminhados a um laboratório da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) para a realização de necropsias.

Segundo as informações divulgadas pelo ICMBio, um macaco-prego vítima de ataque de cachorro, em ocorrência registrada no dia 14 de agosto, já passou pelo procedimento.

O instituto ressalta que, até o momento, não há suspeita de febre amarela relacionada às mortes.

O órgão também reforça que os macacos não transmitem febre amarela às pessoas. A doença é transmitida por meio da picada de mosquitos infectados.

ICMBio descarta rumores sobre doenças

Diante das ocorrências e de informações que começaram a circular sobre possíveis doenças na região, a Flona de Pacotuba esclareceu que não há indicação de febre amarela associada aos animais encontrados.

As causas identificadas com maior frequência estão relacionadas a atropelamentos e eletrocussões.

O ICMBio informou ainda que não existem registros, nas áreas abertas à visitação, de presença de carrapato-estrela ou de carrapatos contaminados. Também não há, até o momento, registro de febre maculosa ou de outra doença transmissível associada aos casos envolvendo os primatas.

Medidas serão reforçadas após aumento das ocorrências

Com o crescimento do número de casos, a equipe da Flona de Pacotuba busca reforçar os protocolos adotados quando animais silvestres são encontrados mortos ou feridos.

Na sexta-feira (14), representantes da unidade se reuniram com a Vigilância Ambiental da Prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim para estabelecer um fluxo de comunicação das ocorrências.

O trabalho inclui a definição de responsáveis pelas notificações, prazos para comunicação e orientações de segurança para o manejo dos animais.

Estradas e ocupação humana aumentam riscos para a fauna

A Floresta Nacional de Pacotuba está inserida no Corredor Ecológico Burarama–Pacotuba–Cafundó e possui áreas de mata próximas a regiões ocupadas pela população.

Estradas e vias de circulação também cortam ou passam pelo entorno da unidade, entre elas a ES-483 e a estrada que dá acesso a Monte Alegre.

Segundo o ICMBio, fatores como circulação de veículos, presença de cães e infraestrutura elétrica estão entre os riscos enfrentados pela fauna silvestre.

Dessa forma, o instituto afirma que continuará monitorando as ocorrências e desenvolvendo ações para reduzir os riscos aos animais, além de ampliar medidas de orientação e conscientização junto às comunidades do entorno.

Assim, a Flona de Pacotuba também reforçou que mantém o acompanhamento permanente das espécies existentes no território, com atenção especial aos animais ameaçados de extinção, como o bugio-ruivo.

Com informações da Prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim.

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Estudante de jornalismo pela Unidade Estácio, atua na parte de segurança do portal AQUINOTICIAS.COM. Apaixonada pela área, trabalhou pela primeira vez como estagiária de jornalista aos 18 anos e nunca mais cogitou outro caminho.