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Raphael da Silva planeja ponte logística entre EUA e América Latina

Consultoria prevista para a Flórida pretende apoiar pequenas e médias empresas na estruturação de rotas, custos, documentos e parceiros para operações internacionais.

A corrente de comércio de bens entre Estados Unidos e Brasil alcançou US$ 94,3 bilhões em 2025, segundo o Office of the United States Trade Representative. O volume revela um corredor econômico robusto, mas entrar nele continua sendo especialmente difícil para empresas menores: internacionalizar uma venda exige combinar preço, modal, documentação, responsabilidades contratuais, regras de entrada e uma rede de prestadores em mais de um país.

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Com foco nessa lacuna, Raphael Netto da Silva planeja estabelecer na Flórida uma consultoria de logística internacional e coordenação de operações de comércio exterior. O projeto, ainda em fase de implantação, deverá atender inicialmente pequenas e médias empresas americanas interessadas na América Latina — com prioridade para o Brasil — e companhias latino-americanas que pretendem acessar o mercado dos Estados Unidos.

“Muitas empresas têm produto e cliente potencial, mas não possuem estrutura interna para transformar a oportunidade em uma operação previsível. A proposta é organizar essa travessia antes que o custo da improvisação apareça.”

O recorte encontra um mercado amplo. A International Trade Administration informa que 97% dos exportadores dos Estados Unidos são pequenos negócios. A participação numérica, porém, não significa igualdade de recursos: empresas de menor porte tendem a operar sem departamentos extensos de logística, compliance e comércio exterior, justamente as competências necessárias para comparar rotas, selecionar prestadores e prevenir falhas documentais.

O futuro negócio pretende funcionar como uma camada de coordenação. Entre os serviços previstos estão planejamento de transporte marítimo, aéreo e rodoviário; comparação de rotas e custos; revisão documental; acompanhamento de embarques; integração entre empresas, transportadores e operadores; monitoramento de desempenho; e suporte bilíngue e intercultural. A proposta não é vender um modal específico, mas organizar decisões a partir das características da carga, do prazo, do risco e do destino.

O momento também exige cautela regulatória. Em julho de 2026, o USTR anunciou tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros, após investigação conduzida sob a Seção 301. A medida não elimina o corredor bilateral, mas reforça a necessidade de classificação, análise de custo total e atualização regulatória antes da contratação do transporte. Para uma empresa menor, uma premissa comercial desatualizada pode comprometer a margem antes mesmo do embarque.

A escolha da Flórida é coerente com a proposta de conexão regional: o estado reúne portos de águas profundas, aeroportos internacionais e proximidade geográfica e cultural com América Latina e Caribe. A localização final deverá priorizar acesso a portos e/ou aeroportos, de acordo com o plano apresentado.

“O benefício não será prometer que toda operação ficará mais barata. Será dar ao empresário elementos para comparar alternativas, visualizar o custo total e decidir com antecedência — inclusive quando a melhor decisão for adiar ou redesenhar o embarque.”

Os benefícios esperados são objetivos e serão demonstrados após o início da operação: menor incidência de retrabalho documental, melhor comparação entre rotas e modais, maior visibilidade de prazos, seleção mais criteriosa de parceiros e redução de decisões tomadas sem custo total conhecido. Indicadores como tempo de preparação, divergências por embarque, cumprimento de marcos e variação entre custo previsto e realizado poderão mostrar se a proposta entrega valor.

Se o novo empreendimento conseguir converter conhecimento regulatório e coordenação em processos mensuráveis, a futura consultoria poderá ajudar negócios menores a acessar um corredor que já movimenta dezenas de bilhões de dólares por ano.

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Produtor de conteúdo & executivo, já passei por empresas como TV Globo e TV Record.