Tecnologia

Danyell Soares analisa o desafio econômico por trás da expansão do 5G

Setor móvel movimenta trilhões de dólares e exige integração entre arquitetura, segurança e qualificação técnica

A expansão global do 5G já ultrapassou a discussão sobre velocidade de conexão. O avanço exige investimentos em espectro, transporte, data centers, software, segurança e qualificação de equipes. A GSMA estimou que tecnologias e serviços móveis geraram aproximadamente US$ 6,5 trilhões em valor econômico em 2024, equivalentes a 5,8% do produto interno bruto mundial. O dado coloca a infraestrutura móvel entre os sistemas com maior influência sobre produtividade, serviços digitais e circulação de informação.

A dimensão econômica acompanha uma expansão ainda desigual. Segundo a União Internacional de Telecomunicações, a cobertura 5G alcançou 51% da população mundial em 2024. A rede 4G chegava a 92%, e 96% da população vivia em áreas cobertas por 3G ou tecnologia superior. A diferença mostra que cobertura anunciada, adoção efetiva e qualidade de serviço são indicadores distintos e que novos investimentos precisam conviver com redes anteriores.

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É nesse ponto que o engenheiro de telecomunicações Danyell Teixeira Soares chama atenção para uma transformação menos visível: a mudança do núcleo das redes. Com 16 anos de atuação no setor, formação em Engenharia Elétrica com ênfase em Telecomunicações pela PUC de São Paulo e MBA em Gestão Empresarial pela FGV, ele trabalha com a integração entre funções de rede, arquitetura baseada em serviços e virtualização.

O 5G Standalone reorganiza elementos responsáveis por autenticação, mobilidade, políticas e encaminhamento de dados. Funções como AMF, SMF, UDM, UPF, SEPP e NRF passam a operar em uma arquitetura mais distribuída e orientada por software. O modelo amplia a flexibilidade, mas também cria dependências que não aparecem para o usuário até que uma falha interrompa registro, sessão de dados, cobrança ou roaming.

“O investimento não termina na compra de capacidade. Uma rede distribuída precisa ser observável, segura e testável. Se as equipes não conseguem relacionar uma falha à função, à interface e à mudança que a provocou, a complexidade tecnológica passa a consumir parte do ganho esperado”, afirma Danyell.

A experiência de Danyell atravessa diferentes camadas da infraestrutura. Ele iniciou a carreira com planejamento e avaliação de enlaces de micro-ondas, cálculos de interferência e projetos de transmissão. Depois, avançou para rollout, coordenação de equipes e integração de plataformas do núcleo móvel. Essa trajetória é relevante não como sequência de cargos, mas porque permite observar a continuidade entre transporte, sinalização e serviços digitais.

Desde 2018, Danyell atua como especialista de serviços digitais sênior na Telefônica Brasil. Seu trabalho envolve arquitetura de Core PS e 5G Core, sinalização Diameter, DRA, virtualização de funções, análise de RFPs, integração, comissionamento e preparação de procedimentos técnicos. Antes disso, passou por Altran, Nokia, Huawei e Ericsson, em atividades ligadas a redes móveis e transmissão.

Na avaliação do engenheiro, uma parte relevante do risco financeiro nasce da distância entre promessa comercial e condição operacional. “Uma RFP pode listar dezenas de funcionalidades, mas o valor só aparece quando os requisitos viram critérios objetivos de capacidade, compatibilidade, segurança e aceite. Arquitetura também é uma forma de proteger investimento”, diz.

A afirmação dialoga com a mudança do perfil de custos das operadoras. Ambientes virtualizados reduzem a dependência de equipamentos dedicados, porém aumentam gastos e responsabilidades com licenciamento, computação, armazenamento, automação, observabilidade e proteção de APIs. Uma economia obtida em infraestrutura pode ser anulada por integração deficiente, indisponibilidade, retrabalho ou dependência excessiva de um fornecedor.

O roaming internacional ilustra esse desafio. Para que um assinante use dados fora do país, redes administradas por empresas diferentes precisam compartilhar identidade, sinalização, política, cobrança e evidência operacional. No 5G, o SEPP protege a interconexão entre operadoras pela interface N32. Certificados, regras de filtragem e versões incompatíveis podem afetar simultaneamente continuidade e segurança.

“Interoperabilidade não deve ser presumida apenas porque dois produtos afirmam seguir o mesmo padrão. É preciso testar cenários positivos, erros, perda de dependência e recuperação. O resultado precisa ser registrado de forma que outra equipe consiga reproduzir a análise”, explica Danyell.

A necessidade de especialistas combina domínio técnico e capacidade de gestão. À medida que o núcleo móvel se aproxima de arquiteturas cloud-native, os conhecimentos de telecomunicações passam a conviver com microsserviços, contêineres, segurança de identidades, telemetria e automação. Para empresas que administram infraestruturas críticas, documentar decisões e distribuir conhecimento tornam-se mecanismos de continuidade.

Danyell também estrutura uma iniciativa voltada à disseminação de conhecimento técnico, com conteúdos, treinamentos corporativos e pesquisa aplicada em modernização de redes. O projeto pretende tratar a qualificação como parte do investimento em infraestrutura, aproximando padrões internacionais, arquitetura e situações de implementação, sem vínculo com fabricantes específicos.

O movimento ocorre num mercado em que expansão de cobertura e retorno financeiro dependem de escolhas acumuladas ao longo de anos. A tecnologia permite redes mais flexíveis, mas o resultado econômico depende da capacidade de reduzir falhas, evitar retrabalho e transformar dados operacionais em decisões.

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Produtor de conteúdo & executivo, já passei por empresas como TV Globo e TV Record.