Saúde e Bem-estar

Genética pode aumentar risco de transtorno borderline?

Maior pesquisa genética sobre transtorno borderline identifica regiões do DNA ligadas à condição e amplia o entendimento sobre sua origem.

A foto alude ao transtorno de borderline
Fonte: Magnific

Durante décadas, especialistas associaram o transtorno de personalidade borderline principalmente a fatores ambientais, como traumas e experiências adversas na infância. Agora, uma das maiores pesquisas já realizadas sobre o tema mostra que a genética também desempenha um papel importante no desenvolvimento da condição.

Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aqui

Publicado na revista científica “Nature Genetics”, o estudo identificou 11 regiões do DNA associadas ao transtorno de personalidade borderline (TPB). A descoberta não significa que exista um “gene do borderline”, mas reforça que fatores biológicos ajudam a explicar por que algumas pessoas apresentam maior predisposição à doença.

Os pesquisadores destacam que os resultados podem contribuir para ampliar o conhecimento sobre o transtorno e, futuramente, favorecer diagnósticos mais precoces e tratamentos mais personalizados.

Leia também – Frio de julho favorece gripe e exige atenção aos sintomas respiratórios

O estudo prova que o transtorno borderline é hereditário?

A resposta é não. O estudo indica que a genética aumenta a predisposição ao transtorno, mas não determina que ele necessariamente irá se desenvolver.

Os cientistas analisaram informações genéticas de 27 estudos internacionais. Ao todo, compararam o DNA de mais de 13 mil pessoas diagnosticadas com TPB e de mais de 1,1 milhão de indivíduos sem a condição.

Durante a análise, os pesquisadores encontraram 11 regiões do genoma humano relacionadas ao transtorno e identificaram nove genes considerados funcionalmente relevantes nessas áreas.

Segundo os autores, essas variantes genéticas explicam aproximadamente 17% do risco hereditário para o transtorno. Isso significa que outros fatores, como ambiente, experiências de vida e aspectos psicológicos, continuam tendo grande influência.

O que é o transtorno de personalidade borderline?

O transtorno de personalidade borderline é uma condição de saúde mental caracterizada por intensa instabilidade emocional.

Quem convive com o transtorno pode apresentar mudanças bruscas de humor, impulsividade, dificuldade para manter relacionamentos estáveis, medo intenso de abandono e alterações na forma como percebe a própria identidade.

Os sintomas geralmente começam no início da vida adulta e podem interferir significativamente na vida pessoal, profissional e social.

Estudos indicam que o transtorno afeta cerca de 2% da população em países ocidentais. Além disso, o diagnóstico ocorre aproximadamente três vezes mais em mulheres do que em homens.

Quais doenças apresentaram relação genética com o borderline?

Outro resultado importante chamou a atenção dos pesquisadores. Algumas das variantes genéticas identificadas também aparecem em pessoas com outros transtornos psiquiátricos.

Entre eles estão:

  • depressão;
  • transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH);
  • comportamento antissocial;
  • transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).

A associação mais forte ocorreu com o TEPT. Segundo os pesquisadores, esse resultado reforça que experiências traumáticas podem interagir com fatores genéticos e aumentar o risco para o desenvolvimento do transtorno.

O estudo muda a forma de diagnosticar o borderline?

Ainda não. Os próprios autores afirmam que a descoberta representa um avanço importante, mas não permite criar testes genéticos capazes de diagnosticar o transtorno.

Mesmo pessoas que apresentam maior predisposição genética podem nunca desenvolver a condição. Da mesma forma, indivíduos sem essas variantes podem receber o diagnóstico ao longo da vida. Por isso, a avaliação continua baseada na análise clínica realizada por médicos psiquiatras e psicólogos, que consideram os sintomas, a história do paciente e o impacto do transtorno na rotina.

Quando procurar ajuda?

Oscilações emocionais fazem parte da experiência humana. No entanto, quando mudanças intensas de humor, impulsividade, medo constante de abandono e dificuldades persistentes nos relacionamentos começam a comprometer o trabalho, os estudos ou a convivência familiar, é importante procurar avaliação especializada.

O diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento mais cedo. A abordagem costuma combinar psicoterapia e, quando necessário, medicamentos para controlar sintomas específicos, como ansiedade, depressão ou impulsividade.

A nova pesquisa reforça que o transtorno de personalidade borderline resulta da interação entre fatores genéticos e ambientais. Embora ainda existam muitas perguntas sem resposta, o estudo representa um passo importante para compreender melhor a origem da doença e aprimorar o cuidado oferecido aos pacientes.

Você no aquinoticias.com

Presenciou algo importante na sua cidade? Tem uma denúncia, reclamação ou um vídeo exclusivo? Sua sugestão pode virar notícia. Envie agora para o nosso WhatsApp: (28) 99991-7726