Guaçuí devolve 140 animais silvestres à natureza após reabilitação

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Guaçuí, (Semmam) realizou a soltura de 131 aves, 4 mamíferos e 5 répteis, que foram devolvidos à natureza durante a manhã desta quarta-feira (29), na zona rural do município de Guaçuí, na região Sul do Espírito Santo. Os animais foram soltos em uma área previamente estudada, adequada e devidamente autorizada pelos órgãos de defesa ambiental, por apresentar condições ideais para sua readaptação. A ação de soltura ocorreu após eles passarem por um processo de reabilitação no Centro de Reintrodução de Animais Selvagens (Cereias), em Aracruz, no Norte do Estado.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aquiEntre os animais estão canários-da-terra, coleiros-papa-capim, coleiros-baianos, catataus, tzius, galinhos-da-serra, tico-ticos, sabiás, jandaias, tiribas-de-orelha-branca, periquitões-maracanã, macacos-saguis-da-cara-branca e jabutis. Muitas dessas espécies são frequentemente vítimas do tráfico de animais silvestres e da destruição de seus habitats naturais.
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Um dos maiores destaques é o catatau, ave que integra listas de espécies sob risco de extinção em determinadas regiões do país. Sua presença entre os animais resgatados reforça a importância das ações de combate ao tráfico de fauna e da preservação dos ambientes naturais, fundamentais para garantir a sobrevivência dessa espécie.
Antes da soltura, os animais passaram por um período de aclimatação, sendo acompanhados pela equipe da Semmam e por um biólogo, recebendo alimentação adequada e tendo seus comportamentos observados. De acordo com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, os animais reintroduzidos são frutos de apreensões e recolhimentos realizados pelos órgãos de defesa do meio ambiente que atuam em todo o Estado e recebem tratamento adequado no Projeto Cereias (Centro de Reintrodução de Animais Selvagens), referência nacional na reabilitação da fauna silvestre.
Todos os animais foram devidamente anilhados para posterior identificação. Além disso, foi elaborado um documento contendo a quantidade, o sexo, o nome popular e o nome científico de cada espécime.
A importância dos animais silvestres na natureza
Os animais silvestres são fundamentais para a manutenção do equilíbrio ambiental. Cada espécie exerce uma função ecológica essencial, atuando como polinizadora, dispersora de sementes, controladora de populações de insetos e de outros animais, além de servir de alimento para diferentes espécies dentro da cadeia alimentar. A ausência de uma única espécie pode provocar desequilíbrios que afetam todo o ecossistema.
A dispersão de sementes realizada por aves, mamíferos e répteis, por exemplo, contribui diretamente para a regeneração das florestas e para a conservação da vegetação nativa. Da mesma forma, animais predadores controlam naturalmente populações de outras espécies, evitando surtos de pragas e contribuindo para a saúde dos ambientes naturais.
Além de sua importância ecológica, os animais silvestres possuem valor científico, cultural, econômico e educativo. Eles são indicadores da qualidade ambiental e demonstram a saúde dos ecossistemas onde vivem.
Por esse motivo, os animais silvestres não devem permanecer em cativeiro, salvo em situações excepcionais previstas em lei, como programas de reabilitação, conservação, pesquisa científica autorizada ou quando não possuem condições de retornar à natureza. Na vida livre, esses animais conseguem expressar seus comportamentos naturais, como voar, caçar, reproduzir-se, migrar e interagir com indivíduos da mesma espécie, garantindo seu bem-estar e contribuindo para o funcionamento dos ecossistemas.
O cativeiro ilegal provoca estresse, sofrimento, alterações comportamentais, doenças, reduz a expectativa de vida e compromete a reprodução natural das espécies. Além disso, a retirada de animais da natureza enfraquece as populações silvestres, reduz a biodiversidade e pode levar espécies à ameaça de extinção.
Proteger os animais silvestres significa preservar o equilíbrio da natureza e garantir um ambiente saudável para as atuais e futuras gerações. A melhor forma de admirá-los é em seu habitat natural, onde cumprem plenamente seu papel ecológico e ajudam a manter a vida em equilíbrio.
O secretário municipal de Meio Ambiente, Roberto Martins, destacou que a soltura representa a etapa final de um rigoroso processo técnico de reabilitação e reforça o compromisso do município com a conservação da biodiversidade.
“Cada animal devolvido à natureza representa a recuperação de uma importante função ecológica. Aves, mamíferos e répteis desempenham papéis essenciais na dispersão de sementes, no controle biológico de populações e na manutenção do equilíbrio dos ecossistemas. Esse trabalho somente é realizado após criteriosa avaliação veterinária, biológica e comportamental, garantindo que os espécimes estejam aptos a sobreviver em vida livre. A reintrodução responsável fortalece a biodiversidade, contribui para a conservação da Mata Atlântica e demonstra que a integração entre os órgãos ambientais é fundamental para combater o tráfico de animais silvestres e promover a recuperação da fauna brasileira”, afirmou.


























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