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Paciente com risco de amputação recebe tratamento inédito em Guaçuí

A intervenção foi conduzida pelos cirurgiões vasculares: Diego Ferreira Franco, Vicente Freitas, Carlos Augusto Silva Reis e Matheus Trigo.

Foto: Divulgação

A Santa Casa de Guaçuí realizou, no dia 15 de agosto, um procedimento inovador e inédito no Sul do Espírito Santo utilizando terapia celular/medicina regenerativa. A intervenção foi conduzida pelos cirurgiões vasculares: Diego Ferreira Franco, Vicente Freitas, Carlos Augusto Silva Reis e Matheus Trigo.

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O procedimento representa uma nova perspectiva para o tratamento de quadros graves e de alta complexidade que comprometem a mobilidade e a qualidade de vida dos pacientes. No caso atendido pela unidade, havia risco real de amputação.

Para a supervisora hospitalar da Santa Casa de Guaçuí, Josiane Areal, a busca constante por inovação permite ampliar as possibilidades de atendimento aos pacientes. “Vai muito além de investimentos em equipamentos modernos. Ela representa a ampliação das fronteiras do que é possível fazer pela vida humana. Quando unimos técnicas de última geração, conhecimento médico especializado e a sensibilidade de parceiros que acreditam na nossa missão, conseguimos transformar realidades que antes pareciam intransponíveis”, destaca.

Segundo Josiane, no caso da paciente submetida ao procedimento, a inovação teve papel decisivo na tentativa de preservação do membro.

“No caso da paciente, a inovação não foi apenas um recurso técnico, mas a diferença entre perder ou manter um membro, devolvendo-lhe dignidade e autonomia. Embora o procedimento ainda não esteja disponível na rede pública, ele demonstra que a verdadeira inovação em saúde pública nasce da união de propósitos. Quando a tecnologia de ponta se alia à solidariedade e à vocação médica, conseguimos superar barreiras burocráticas e oferecer um atendimento de excelência e humanizado para quem mais precisa”, afirma.

União da equipe

A supervisora também destacou a importância da atuação da equipe e da estruturação recente do Serviço de Cirurgia Vascular da instituição.

“Na Santa Casa de Guaçuí, acreditamos que a tecnologia é apenas uma ferramenta; o motor da nossa instituição são as pessoas. Nosso Serviço de Cirurgia Vascular, embora conte com apenas quatro meses de atuação, nasceu com a missão clara de aliar a técnica a uma humanização profunda, que é a marca registrada da nossa identidade”, pontua.

Ela acrescenta que a realização do procedimento foi possível por meio da união entre a equipe médica e parceiros da instituição. “A realização desse procedimento, que hoje ainda não está disponível na rede SUS, foi o resultado direto dessa filosofia. Quando identificamos a necessidade urgente da nossa paciente, que enfrentava o risco real de amputação, nós olhamos para a vida. Unimos o desejo técnico da nossa equipe de aplicar o que há de mais avançado na medicina à parceria solidária de empresas que compartilham nosso propósito”, continua.

“Baseado na filosofia de liderança de Daniel Keller, escritor do livro ‘Antes de tudo, as pessoas’, o sucesso em qualquer posição de serviço ao próximo reside em colocar as pessoas em primeiro lugar. Esse é o diferencial da Santa Casa de Guaçuí: temos profissionais que não desistem diante dos obstáculos e que lutam pelo paciente até as últimas instâncias”, reforça.

Procedimento inédito

Foto: Divulgação

O cirurgião cardiovascular Vicente Freitas explicou como foi realizado o procedimento de terapia celular e medicina regenerativa adotado pela Santa Casa de Misericórdia de Guaçuí.

Segundo o médico, a técnica é realizada em ambiente hospitalar, sob anestesia, e costuma durar cerca de uma hora. O procedimento é dividido em três etapas.

“É um procedimento cirúrgico feito em ambiente hospitalar, com anestesia, e que costuma durar cerca de uma hora. Ele tem três momentos. No primeiro, retiramos uma pequena quantidade de gordura do próprio paciente, geralmente da região do abdome, por uma microcânula — é uma coleta pequena, por punção, que deixa apenas uma marca mínima. No segundo, essa gordura é processada ali mesmo, dentro do centro cirúrgico, em um sistema fechado e estéril. No caso, utilizamos o dispositivo Lipopack Duo, que lava e fragmenta mecanicamente o tecido até transformá-lo em microfragmentos, sem uso de enzimas, sem cultivo em laboratório e sem que o material saia do circuito. No terceiro momento, esse tecido é aplicado na lesão e nas bordas ao redor dela, após a limpeza cirúrgica da ferida”, explica.

Vicente destaca que a proposta difere de uma abordagem cirúrgica convencional porque utiliza tecido do próprio paciente com o objetivo de favorecer o processo de cicatrização.

“A lógica é diferente da cirurgia convencional: em vez de apenas remover o tecido doente, devolvemos ao próprio paciente um tecido dele mesmo, rico em elementos que ajudam a criar um ambiente mais favorável à cicatrização. Por ser autólogo — do próprio paciente — não há risco de rejeição, e a coleta e a aplicação acontecem no mesmo tempo cirúrgico”, afirma.

O médico ressalta, no entanto, que a terapia não deve ser entendida como um tratamento isolado ou uma garantia de recuperação. “É importante dizer que isso não é um tratamento isolado nem uma solução mágica. A terapia integra uma estratégia mais ampla de salvamento de membro, junto com o controle do diabetes, o tratamento das infecções, a limpeza cirúrgica das feridas, os curativos e o acompanhamento ambulatorial. O que ela oferece é uma chance a mais em quadros com indicação de amputação ou elevado risco de perda do membro — situações em que, até pouco tempo, as alternativas eram muito restritas”, completa.

Alternativa antes da amputação

O cirurgião vascular Diego Ferreira Franco também destacou o impacto que a possibilidade de preservar o membro representa para a paciente.

“Para a paciente, representa algo que é difícil de dimensionar para quem nunca esteve nesse lugar. Quando alguém chega com indicação de amputação, o que está em jogo não é só a perna: é a capacidade de andar, de trabalhar, de manter a independência no dia a dia. A amputação de um membro inferior tem impacto direto sobre a autonomia, sobre a rotina e sobre a família. Então, oferecer uma alternativa antes de se chegar a esse ponto é oferecer a chance de continuar tendo escolha”, pontua.

Para o médico, a possibilidade de utilizar uma nova alternativa terapêutica também transforma a atuação da própria equipe diante de casos graves. “Para mim, como médico, representa deixar de ser apenas quem comunica a má notícia. Durante muito tempo, o repertório disponível para o paciente com lesão grave era limitado, e a amputação aparecia cedo na conversa. Poder oferecer uma terapia excepcional dentro do serviço público, para um paciente que dificilmente teria acesso a ela de outra forma, muda a natureza do nosso trabalho: passamos a disputar o desfecho, e não apenas a administrar a perda”, continua.

Diego ainda ressaltou a importância da abertura da Santa Casa de Guaçuí para a adoção de novas técnicas. “Como pessoa, é motivo de satisfação ver a Santa Casa de Misericórdia de Guaçuí abrir suas portas para esse tipo de inovação. É uma instituição de tradição e de peso na região, e o que se vê ali é uma preocupação real com quem procura o serviço — uma direção e uma equipe voltadas para o cuidado dos seus doentes. Meu agradecimento sincero a todos eles”, afirma.

O cirurgião também agradeceu ao médico Eliud Garcia Duarte Júnior, apontado por ele como um dos responsáveis pela consolidação dessa linha de cuidado no Espírito Santo.

“E nada disso seria possível sem o Dr. Eliud Garcia Duarte Júnior, mentor e principal responsável pela consolidação dessa linha de cuidado no estado, com reconhecimento nacional e internacional por estar à frente desse avanço. Partiu dele a generosidade em compartilhar esse conhecimento. Muitos pacientes no Espírito Santo têm hoje uma alternativa que não existia antes porque ele decidiu abrir esse caminho”, conclui.

“Saí de casa com a minha perna e queria voltar com ela”

Para a paciente Ivanete Nunes Correia, de 45 anos, a possibilidade de realizar o procedimento significou recuperar uma esperança que parecia ter desaparecido. Ela conta que estava internada no Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim antes de ser transferida para Guaçuí.

“Eu estava internada no Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim, onde o Dr. Vicente trabalha, e vim para cá através dele, pois eu precisava de um hospital de referência e de maiores cuidados”, relembra.

A trajetória até chegar à Santa Casa foi marcada por medo, incerteza e pela possibilidade concreta de perder uma das pernas. Ivanete conta que acompanhava a gravidade das feridas e da infecção, mas ainda mantinha a esperança de evitar a amputação.

“Quando soube que teria que amputar a perna, foi um momento desesperador. Por mais que eu visse que minha perna estava muito infeccionada, que as feridas estavam muito grandes, com muita secreção e exposição, eu tinha esperança de não perder a perna. Então, quando eles me deram a notícia de que não teria outro jeito, foi um choque muito grande para mim”, relata.

A notícia atingiu diretamente a maior preocupação da paciente: perder sua independência. Morando sozinha e acostumada a conduzir a própria rotina, Ivanete começou a imaginar como seria a vida depois de uma amputação.

“Chorei demais e me deu uma tristeza muito grande. Eu não queria perder um membro, ainda mais uma perna. Sou uma pessoa que mora sozinha, que depende de si mesma. Foi extremamente difícil receber a notícia. Foi um dos momentos mais difíceis da minha vida aceitar que iria perder essa perna”, conta.

Da angústia à esperança

Depois de dias convivendo com a possibilidade da amputação, Ivanete recebeu a notícia de que havia uma alternativa para tentar preservar o membro. O sentimento, segundo ela, mudou completamente.

“Quando eu soube que poderia preservar minha perna e não precisaria amputar, foi um momento de extrema alegria e felicidade. Eu me agarrei, mesmo sendo uma possibilidade, na minha fé, em Deus principalmente, e fiquei ali com a esperança de que o procedimento daria certo e que não precisaria amputar minha perna, que ela seria preservada”, diz.

Em meio ao tratamento, uma frase passou a representar o desejo da paciente de recuperar a própria vida. “Eu saí da minha casa com a minha perna e queria voltar para casa com ela. Seria a vitória de meses e meses de luta. Parecia que eu tinha renascido de novo. Num momento eu ia perder minha perna e, de repente, veio a possibilidade de salvar”, destaca.

Para Ivanete, a esperança de preservar o membro ultrapassava a questão física. Significava voltar a andar, cuidar de si mesma, recuperar a autonomia e retomar uma vida que havia sido interrompida durante meses de tratamento.

“A Santa Casa representa renascimento”

Ao recordar a passagem pela Santa Casa de Guaçuí, Ivanete resume o hospital como o lugar onde voltou a acreditar que seria possível recomeçar.

“Foi aqui que comecei a renascer. Minha esperança voltou, a minha fé aumentou e voltou também a esperança de poder retomar uma vida normal. Foi aqui que encontrei pessoas maravilhosas, seres humanos empáticos. Foi aqui que minha fé em Deus, na medicina e no ser humano se reavivou muito, tornando-se muito mais firme e forte”, relata.

Ela afirma que o tratamento trouxe de volta perspectivas que pareciam distantes durante os meses mais difíceis. “Foi aqui que tive novamente a possibilidade de voltar a andar, de ter a minha perna, de ter uma vida nova, de recomeçar a minha vida, que tinha sido interrompida durante esses quatro meses. A Santa Casa de Misericórdia de Guaçuí representa renascimento e novas possibilidades em todas as áreas da minha vida, além da oportunidade de viver novos sonhos”, reforça.

Hospital aposta em inovação e atendimento humanizado

Para o provedor da Santa Casa de Guaçuí, Vandir Freitas, o procedimento marca um novo momento no atendimento médico-hospitalar oferecido pela unidade.

“Este procedimento é a prova de que a geografia não deve limitar a qualidade da medicina que oferecemos. Em muitas regiões, existe o mito de que a inovação de ponta é um privilégio das grandes metrópoles. Na Santa Casa de Guaçuí, nós desafiamos esse paradigma”, ressalta.

Vandir também destaca que a preparação da instituição para novos avanços envolve mudanças que vão além da incorporação de tecnologias.

“Preparar-se para o futuro exige uma mudança estrutural que começa na cultura da equipe. Nosso hospital está vivendo uma verdadeira transformação. Como provedor, meu papel é fomentar essa cultura de excelência. Estamos preparando a Santa Casa de Guaçuí para ser um ambiente onde a tecnologia encontra a humanidade”, finaliza.

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Com mais de 23 anos de experiência na área, e passagens por diversos veículos de comunicação do Estado, atua no portal AQUINOTICIAS.COM desde 2021, e está em sua segunda passagem pelo veículo, somando mais de 11 anos de empresa. Formada em História e pós-graduada em Jornalismo Político, atuou também em assessoria de imprensa por mais de 15 anos, além de passagem por emissoras de rádio, TV e revistas em Cachoeiro de Itapemirim.