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Interesse em operar bets no Brasil despenca: só 6 empresas pediram licença em 2026

Suspensão das bets
Foto: Freepik

Seis empresas pediram autorização para operar apostas de quota fixa no Brasil em 2026. Em 2024, foram 227. Os números constam da consulta pública de processos da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA/MF) em agosto de 2026.

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O último pedido registrado entrou em 15 de maio; são mais de três meses sem nenhuma empresa nova bater à porta do mercado regulado. Enquanto o Congresso discute propostas para revogar a Lei nº 14.790/2023 e acabar com as bets, os dados da própria SPA mostram que o interesse em entrar no mercado parou de crescer, apesar das receitas continuarem a subir.

De 101 pedidos em um mês para nenhum em três

O mercado regulado nasceu de uma corrida. Para continuar operando durante o período de adequação, as empresas tinham que entrar com o pedido até 20 de agosto de 2024. O resultado foi um pico: 101 pedidos só naquele mês.

Depois disso, a curva nunca mais subiu.

  • 2024: 227 pedidos de autorização
  • 2025: 81 pedidos de autorização
  • 2026 (até agosto): 6 pedidos de autorização

A queda de 2024 para 2025 tem explicação óbvia: a fila da corrida ao prazo já tinha entrado. A de 2025 para 2026 não tem. São 81 pedidos em um ano contra 6 em oito meses, e nenhum desde 15 de maio.

7 novas bets abriram em 2026. 22 têm licença e ainda não abriram.

Do lado da operação, o quadro é parecido.

Até agora, sete novas casas de apostas entraram em funcionamento em 2026: a Bra, em janeiro; a Receba e a Joga Junto, em abril; e a Betgo, a Dr Bingo, a XX e a Bingo Plus, em maio

Os dois movimentos pararam no mesmo mês. O último pedido de licença é de 15 de maio. O último lançamento também é de maio.

Enquanto isso, 22 marcas autorizadas pela SPA nunca chegaram a abrir. Entre elas estão as três da Caixa Loterias. A empresa estatal fez o pedido em 20 de agosto de 2024, pagou a outorga de R$30 milhões, obteve autorização e até hoje não colocou nenhuma plataforma no ar.

Desde 2025, 87 empresas pediram licença. Uma conseguiu.

Somando 2025 e 2026, são 87 pedidos. Um único virou autorização: a Nosso Time iGaming, que entrou com o pedido em 20 de maio de 2025 e foi autorizada pela Portaria SPA/MF nº 604, de 6 de março de 2026. Levou 290 dias. Todas as demais empresas hoje licenciadas fizeram o pedido em 2024.

A regra diz que a SPA tem até 150 dias, contados da entrada do pedido, para responder ao requerente: ou o chama para pagar a outorga, ou nega a autorização. Dos 87 pedidos feitos desde janeiro de 2025, 86 continuam sem autorização publicada.

Dez marcas ficam com dois terços do dinheiro

A queda no número de empresas não tem nada a ver com o tamanho do mercado. Segundo dados do Ministério da Fazenda, a receita bruta das operadoras ultrapassou os R$20 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 15,3% sobre o mesmo período de 2025. O setor cresce.

Só que o dinheiro está concentrado. No fim de 2025, dez marcas ficavam com quase 70% do mercado, segundo estimativas da consultoria H2 Gambling Capital. A líder é a Betano, com cerca de 23% de toda a receita gerada com apostas no país.

Para uma empresa nova, a conta é essa. A outorga custa R$30 milhões por cinco anos, válida para até três marcas. A esse valor somam-se o custo da mídia, as restrições a bônus e o peso operacional de cumprir a regulamentação. Do outro lado da porta, dois terços do mercado já estão distribuídos entre dez nomes com anos de investimento em marca e patrocínio esportivo.

Não é por acaso que 22 marcas obtiveram autorização e nunca abriram, ou que os relatórios do setor projetem um ciclo de fusões e aquisições nos próximos doze a vinte e quatro meses, com entrada de grupos globais, acordos de licenciamento de marca e saída natural das empresas menores.

Se essa leitura se confirmar, o número de bets autorizadas no Brasil tende a cair nos próximos anos por consolidação de mercado.

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