
Viva Vida
em 17 de set de 2026, às 13h34
Maternidade sem filtro: psicóloga explica emoções da gestação
A gravidez costuma aparecer cercada de expectativas, comemorações e planos. Entretanto, a chegada de um bebê também pode despertar medo, ansiedade, culpa e insegurança.
Esses sentimentos podem surgir mesmo quando a gestação foi desejada. Afinal, tornar-se mãe envolve mudanças físicas, emocionais, familiares e sociais.
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Para falar sobre essa experiência sem idealizações, o podcast Viva Vida, exibido em 15 de setembro de 2026, recebeu a psicóloga obstetra Natalia Abreu.
Na conversa, a especialista abordou as emoções que acompanham a gestação, o medo do parto, a transformação da identidade e os desafios do período após o nascimento.
É normal sentir medo e tristeza durante uma gravidez desejada?
Sim. A felicidade pela chegada do bebê não impede o surgimento de outras emoções.
A mulher pode se sentir feliz e, ao mesmo tempo, preocupada com o parto, com as mudanças na rotina ou com a responsabilidade de cuidar de outra pessoa.
A cobrança para viver uma gravidez sempre feliz também pode aumentar a culpa. Quando sentimentos considerados negativos aparecem, algumas mulheres preferem escondê-los.
Por isso, reconhecer a diversidade emocional da gestação ajuda a reduzir a pressão por uma maternidade idealizada.
Por que a maternidade pode mexer tanto com a identidade?
A chegada de um bebê modifica horários, relações, responsabilidades e prioridades. Essas mudanças podem provocar a sensação de perda de parte da vida anterior.
Algumas mães sentem falta de atividades, relações e projetos que tinham antes da maternidade. Esse sentimento não significa falta de amor pelo filho.
A adaptação acontece de maneira diferente para cada mulher. Por isso, comparar experiências pode aumentar ainda mais a sensação de inadequação.
Quando a preocupação com o bebê merece atenção?
Preocupações fazem parte da gestação e dos primeiros meses de maternidade. Porém, quando o medo se torna intenso e interfere na rotina, merece atenção.
Dificuldades persistentes para dormir, relaxar ou realizar atividades cotidianas podem indicar que o sofrimento emocional ultrapassou uma preocupação comum.
O mesmo vale para sentimentos que provocam grande sofrimento ou permanecem por muito tempo. Nesses casos, conversar com um profissional de saúde pode ajudar a compreender o que está acontecendo.
Por que o parto também pode gerar medo?
O parto representa uma experiência desconhecida para muitas mulheres. Relatos negativos, histórias assustadoras e expectativas irreais podem alimentar esse medo.
A forma como a gestante recebe informações também influencia sua preparação emocional. Ter espaço para fazer perguntas e expressar inseguranças pode ajudar nesse processo.
O cuidado durante o parto também importa. Respeito, comunicação e acolhimento fazem parte de uma experiência de assistência que considera a mulher além do procedimento médico.
O que muda emocionalmente depois que o bebê nasce?
O nascimento inicia uma nova fase de adaptação. A mãe precisa lidar com mudanças na rotina, privação de sono, novas responsabilidades e recuperação física.
Por isso, o chamado “cansaço de mãe” não deve servir para explicar automaticamente qualquer sofrimento.
Quando tristeza, ansiedade ou sensação de incapacidade se tornam intensas e persistentes, a mulher precisa receber atenção.
Pedir ajuda também faz parte desse cuidado. Familiares, pessoas próximas e profissionais de saúde podem contribuir para que a mãe não enfrente essa fase sozinha.
Maternidade não precisa seguir um roteiro perfeito
A conversa com Natalia Abreu reforça uma ideia importante: não existe uma única maneira de viver a maternidade.
Sentir medo não significa rejeitar o bebê. Sentir saudade da vida anterior não significa amar menos. Pedir ajuda também não representa fracasso.
A saúde emocional merece espaço durante toda a jornada, desde a descoberta da gravidez até o período após o nascimento.
Quando a mulher encontra espaço para falar sobre suas emoções sem julgamento, fica mais fácil reconhecer dificuldades e buscar apoio quando necessário.
O episódio do Viva Vida colocou justamente essas experiências em discussão: uma maternidade possível, com expectativas, descobertas, medos, culpas e sentimentos que nem sempre aparecem nas fotografias.