Turismo

Governador Lindenberg guarda histórias e tradições do interior do ES

A cidade reúne paisagens rurais, agricultura familiar, tradições religiosas e um ritmo mais tranquilo, distante da movimentação dos grandes centros urbanos.

Foto: Divulgação/Setur

O município de Governador Lindenberg, localizado no noroeste do Espírito Santo, preserva características marcantes da vida no interior. A cidade reúne paisagens rurais, agricultura familiar, tradições religiosas e um ritmo mais tranquilo, distante da movimentação dos grandes centros urbanos.

A paisagem é formada por colinas, propriedades rurais e áreas de cultivo que ajudam a contar a história econômica e cultural da cidade. A agricultura ocupa papel central na rotina local e também está ligada à identidade das famílias que ajudaram a formar o município.

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Embora não esteja entre os destinos turísticos mais tradicionais do Espírito Santo, Governador Lindenberg oferece experiências voltadas ao contato com o campo, à tranquilidade e à vivência do cotidiano rural.

Estradas do interior, propriedades agrícolas e paisagens abertas fazem parte do cenário. A culinária caseira também integra essa experiência, com pratos preparados a partir de ingredientes encontrados na própria região.

Festas religiosas, encontros comunitários e manifestações culturais ajudam a manter vivas as tradições locais. Para quem busca desacelerar e conhecer de perto o estilo de vida do interior capixaba, o município oferece uma experiência marcada pela simplicidade e pela proximidade com a natureza.

Turismo em Governador Lindemberg

A ocupação da região onde hoje está Governador Lindenberg começou por volta da década de 1920. Famílias, principalmente descendentes de italianos e alemães, chegaram ao local em busca de terras para trabalhar na agricultura.

O processo de colonização contou com a atuação da Companhia Territorial, que trabalhou na região entre 1920 e 1932. A empresa dividiu as terras em propriedades de aproximadamente 40 hectares, destinadas a famílias pioneiras como Dalfior, Fiorot, Grassi, Scarpat, Zoppi e Pianna.

Na época, grande parte do território ainda era coberta por mata. Os primeiros moradores abriram caminhos e roças com ferramentas manuais e construíram casas simples utilizando madeira, bambu, barro e palha.

Ao longo dos anos, a localidade recebeu diferentes nomes. Inicialmente, ficou conhecida como “51”, em referência à estaca de demarcação número 51 da Companhia Territorial, utilizada como ponto de orientação por quem passava pela região.

Depois, o lugar recebeu o nome de “15 de Novembro”. Em 1946, passou a se chamar Governador Lindenberg, em homenagem a Carlos Lindenberg, então governador do Espírito Santo, ligado a investimentos em estradas e iluminação na região.

Entre os primeiros moradores da sede estava Artur Ramos de Andrade, que chegou ao Córrego Baía por volta de 1928. No local, construiu uma casa e um moinho movido a água. Posteriormente, vendeu as terras à família Baldo.

Outras famílias também ocuparam diferentes comunidades. Em Novo Brasil, por exemplo, grupos como Verônico, Pereira, Freitas e Ribon se estabeleceram a partir do fim da década de 1920, dedicando-se principalmente à agricultura e à criação de animais.

Os pioneiros enfrentaram dificuldades como isolamento, doenças, falta de mantimentos e longos deslocamentos até Colatina para conseguir suprimentos.

Fé e formação das comunidades

Foto: Divulgação/Setur

A religiosidade teve papel importante na organização social de Governador Lindenberg. Inicialmente, as famílias se reuniam em residências para realizar orações. Com o crescimento das comunidades, começaram a surgir capelas e igrejas.

Na sede, a construção da primeira igreja começou por volta de 1938. Em Novo Brasil, a primeira capela foi erguida em 1935 e dedicada a São Sebastião.

Com o passar dos anos, novos templos surgiram em diferentes comunidades, tornando-se pontos de encontro e contribuindo para a preservação das tradições religiosas.

Novo Brasil e Governador Lindenberg pertenciam inicialmente a Colatina. Em determinado período, a região de Novo Brasil chegou a ser conhecida como “Nova Itália”, devido à forte presença de famílias de origem italiana. Durante a Segunda Guerra Mundial, o nome foi alterado por razões políticas.

Economia e tradições

A economia local sempre teve forte ligação com o campo. O café ocupa posição de destaque, ao lado da pecuária de subsistência, da fruticultura e da extração de granito.

O comércio é formado principalmente por pequenos e médios estabelecimentos e mantém relação direta com a renda gerada pela agricultura. O município também possui pequenas agroindústrias, como cerâmicas e alambiques.

A infraestrutura foi ampliada ao longo das décadas. A energia elétrica chegou em 1967, enquanto estradas e serviços de comunicação passaram por melhorias gradativas.

A cultura local permanece ligada às comunidades rurais e à religiosidade. Festas tradicionais, bandas de congo, Folia de Reis, artesanato e eventos comunitários fazem parte do calendário cultural.

O futebol de campo também está presente em várias localidades e é uma das principais formas de lazer dos moradores.

A trajetória de Governador Lindenberg, portanto, está ligada ao trabalho dos primeiros colonizadores, à agricultura, à fé e à organização comunitária. Esses elementos continuam presentes na identidade do município e ajudam a preservar as características do interior capixaba.

Com informações da Secretaria de Estado de Turismo (Setur).

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