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Entre vales e memórias, Mantenópolis revela um lado pouco conhecido do ES

Cercado por morros, vales e áreas de vegetação, o município oferece um cenário marcado pela tranquilidade e por paisagens rurais.

Foto: Divulgação/Setur

Mantenópolis, no noroeste do Espírito Santo, preserva uma forte ligação com o campo, com as tradições comunitárias e com a cultura do interior. Cercado por morros, vales e áreas de vegetação, o município oferece um cenário marcado pela tranquilidade e por paisagens rurais.

A história local começou a ganhar forma na década de 1920, quando os primeiros migrantes chegaram à região. Muitas dessas famílias vieram de Minas Gerais e de outras áreas do Espírito Santo em busca de terras para o cultivo e para a formação de pequenas propriedades.

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Naquele período, a região ainda tinha extensas áreas de floresta e pouca infraestrutura. Não havia estradas estruturadas nem comércio organizado. As primeiras moradias eram simples, construídas em pau a pique, e a alimentação dependia principalmente do que era produzido no próprio local.

Canjica de milho, verduras, carne de porco e frango faziam parte do cotidiano das famílias. Para conseguir itens básicos, como açúcar e sal, os moradores precisavam enfrentar longos trajetos até cidades mineiras, entre elas Resplendor e Conselheiro Pena.

As viagens eram feitas a pé ou a cavalo e podiam durar entre quatro e cinco dias. Em muitos casos, os próprios moradores se organizavam em mutirões para vencer as dificuldades impostas pelo isolamento.

Uma comunidade formada pela colaboração

Além da falta de infraestrutura, os primeiros habitantes enfrentaram doenças como sarampo, varicela, caxumba, febre amarela, cólera e febre tifoide. Nesse cenário, Custódio Reis Marques, natural de Mutum, em Minas Gerais, tornou-se uma referência de apoio e cuidado para a população local.

A colaboração entre os moradores também marcou a formação da comunidade. Os mutirões faziam parte da rotina e ajudavam na realização de diferentes atividades coletivas.

As festas, casamentos, aniversários e outras celebrações também fortaleciam os vínculos entre as famílias. Um destacamento policial instalado na propriedade de Joaquim Costa, área que atualmente corresponde à de Alonso Rosa Pinheiro, servia como um dos pontos de encontro da população. No mesmo local, surgiu o primeiro cemitério da região.

Disputas territoriais e mudança da cidade

A história de Mantenópolis também envolve disputas relacionadas aos limites territoriais entre estados. As divergências sobre a demarcação da região permaneceram por anos e só foram resolvidas definitivamente em 1938.

Outro momento decisivo ocorreu com o antigo povoado de Ametista. A localidade havia sido construída às margens do Rio São Mateus, em uma área de litígio territorial.

Uma grande enchente atingiu o povoado e destruiu boa parte de sua estrutura. Após o episódio, lideranças decidiram transferir a futura cidade para uma área considerada mais segura.

A mudança abriu caminho para a formação do núcleo urbano que deu origem ao atual município de Mantenópolis.

Origem do nome

O nome Mantenópolis está ligado ao córrego Manteninha, que corta a região. Nas proximidades, existia uma pequena povoação chamada Mantena, atualmente município de Minas Gerais.

A união do nome Mantena com o sufixo grego “pólis”, que significa “cidade”, deu origem a Mantenópolis, interpretado como “cidade de Mantena”.

Turismo em Mantenópolis

Foto: Divulgação/Setur

Ao longo dos anos, Mantenópolis manteve sua vocação agrícola. A produção rural, especialmente em pequenas propriedades, ajudou a formar a economia e também influenciou os costumes, a culinária e as tradições locais.

O café está entre as atividades ligadas à agricultura do município, ao lado de outras produções familiares e de subsistência.

Essa relação com o campo ainda pode ser percebida nas propriedades rurais, nas estradas vicinais e no ritmo de vida da cidade. O município reúne características que favorecem experiências voltadas ao turismo rural, à contemplação e ao contato com a cultura local.

Eventos comunitários, celebrações religiosas e manifestações tradicionais também ajudam a preservar a identidade de Mantenópolis.

Entre paisagens rurais, memórias de seus primeiros moradores e tradições transmitidas ao longo das gerações, o município mantém viva uma parte importante da história do noroeste capixaba.

Para quem busca conhecer um Espírito Santo mais ligado ao interior, Mantenópolis reúne história, cultura, natureza e experiências relacionadas à vida no campo.

Com informações da Secretaria de Estado de Turismo (Setur).

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