Adriano Notari defende engenharia integrada para reduzir falhas e retrabalho na construção
Engenheiro propõe compatibilização preventiva entre instalações, energia, planejamento e segurança antes da execução em campo

A construção passa por uma transformação orientada por digitalização, energia distribuída e maior exigência de controle de riscos. A série ISO 19650 consolidou o BIM como processo de gestão da informação ao longo do ciclo de vida das edificações. Em paralelo, a capacidade solar fotovoltaica mundial alcançou 1 865 GW ao fim de 2024, segundo a Agência Internacional de Energia Renovável. O avanço amplia possibilidades para projetos, mas também torna a coordenação entre disciplinas mais complexa.
É nesse ponto que o engenheiro Adriano Cesar Notari concentra sua análise. Formado em Engenharia Elétrica e Engenharia Civil, com especializações em Instalações Elétricas e Engenharia de Segurança do Trabalho, ele reúne 26 anos de atuação entre ensino técnico, engenharia de aplicação de grupos geradores e direção de projetos de infraestrutura e construção.
Ao longo dessa trajetória, Notari consolidou uma abordagem de compatibilização preventiva organizada em quatro movimentos: diagnóstico das cargas e necessidades do empreendimento, compatibilização entre disciplinas, planejamento da execução e verificação técnica antes da entrega. A proposta não é apresentada como método científico exclusivo, mas como uma rotina de engenharia criada a partir da convergência de campos que frequentemente são tratados de forma separada.
“Um projeto não termina quando cada disciplina entrega sua parte. É preciso verificar como estrutura, instalações elétricas, energia, cronograma e segurança se comportam em conjunto. Quando essa conversa ocorre antes da obra, problemas que seriam descobertos no campo podem ser resolvidos ainda no planejamento”, afirma Notari.
O impacto positivo da abordagem está na antecipação. Uma interferência entre uma bandeja elétrica e outro sistema pode representar mais que uma colisão geométrica. Ela pode comprometer acesso para manutenção, distância de segurança, sequência de montagem ou prazo. Ao relacionar essas variáveis antes da execução, a engenharia cria condições para reduzir improvisos, retrabalho e exposição desnecessária, embora o efeito deva ser medido em cada projeto e não possa ser convertido em percentual universal.
A preocupação encontra respaldo na literatura. Estudos sobre BIM 4D mostram que modelos associados ao cronograma podem apoiar o planejamento de áreas de trabalho e proteções temporárias. A ISO publicou em 2025 a parte 6 da série 19650, dedicada às informações de saúde e segurança. O documento organiza a identificação, o uso e o compartilhamento de dados de risco durante a concepção, a construção, a operação e o encerramento do ciclo do ativo.
Para Adriano, a tecnologia só produz benefício quando acompanhada por responsabilidade. “O modelo ajuda a enxergar, registrar e comunicar. Ele não substitui cálculo, inspeção, teste nem o conhecimento de quem executa. O ganho aparece quando a informação digital melhora uma decisão concreta e essa decisão pode ser conferida”, diz.
A integração também alcança sistemas energéticos. A combinação de geração solar, armazenamento e grupos geradores pode elevar a continuidade de instalações, mas exige estudos de carga, proteção, aterramento, transferência e manutenção. “Adicionar equipamentos não torna uma instalação resiliente. Resiliência depende de saber quais cargas são prioritárias, como as fontes serão coordenadas e o que acontece quando um componente falha”, explica o engenheiro.
Registros públicos do CREA de Santa Catarina confirmam a vinculação profissional de Adriano Notari e a existência de certidões de acervo técnico em seu nome. A Construita, empresa em que atua como sócio administrador, mantém registro ativo e atividade principal ligada à construção de edifícios. Em 2018, uma reportagem da Revista Aldeia já havia destacado sua atuação em engenharia e no mercado de construção.
A trajetória inclui ainda experiência como engenheiro de aplicação em sistemas de grupos geradores e docência no curso técnico de Eletromecânica do SENAI. Essa combinação ajuda a explicar por que sua leitura do setor privilegia a relação entre projeto, funcionamento e execução, em vez de tratar ferramentas digitais ou tecnologias energéticas como soluções isoladas.
“A melhor correção é aquela que deixa de ser necessária porque o conflito foi percebido antes. Engenharia integrada significa transformar informação em prevenção, com critérios que possam ser revisados por toda a equipe”, conclui Adriano.
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