Saúde e Bem-estar

Brasileiros se sentem saudáveis, mas hábitos acendem alerta

Pesquisa nacional mostra que brasileiros avaliam positivamente a própria saúde apesar da presença de fatores de risco modificáveis.

A foto alude ao povo brasileiro
Fonte: Bruno Peres l Agência Brasil

Pesquisa mostra diferença entre percepção de bem-estar e fatores de risco presentes na rotina Sentir-se bem nem sempre significa estar livre de fatores que podem prejudicar a saúde. Uma pesquisa nacional mostra essa diferença na percepção dos brasileiros. Seis em cada dez entrevistados consideram a própria saúde ótima ou boa. Ao mesmo tempo, 63% estão acima do peso e 42% não praticam atividade física.

O levantamento também identificou consumo de álcool e dificuldades para manter uma alimentação equilibrada. Esses hábitos podem influenciar o risco de doenças, inclusive alguns tipos de câncer.

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Por que se sentir saudável não significa estar saudável?

A percepção individual representa apenas uma parte da avaliação da saúde. Afinal, alguns fatores de risco podem não provocar sintomas perceptíveis no dia a dia.

A pesquisa “A saúde do brasileiro, hábitos de vida e o uso de tecnologia em diagnósticos médicos” ouviu 2.015 pessoas.

Os entrevistados tinham 16 anos ou mais e moravam nas 27 unidades da Federação. A Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados realizou o levantamento para o A.C.Camargo Cancer Center. Entre os participantes, 26% apresentaram obesidade segundo os critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Sedentarismo aparece entre os principais fatores de risco

Quatro em cada dez brasileiros entrevistados não praticam atividade física. Entre aqueles que se exercitam, a frequência média chega a apenas 2,4 dias por semana.

A prática regular de exercícios ajuda no controle do peso e traz benefícios para a saúde. Além disso, pesquisas relacionam a atividade física à redução do risco de alguns tipos de câncer.

O excesso de peso também merece atenção. Conforme o levantamento, esse fator pode aumentar o risco de mais de dez tipos de câncer. Entre eles estão tumores de intestino, mama, pâncreas e esôfago.

Alimentação saudável ainda enfrenta obstáculos

A pesquisa mostra que 66% dos participantes consomem alimentos frescos em pelo menos seis dias da semana. Esse grupo inclui frutas, verduras, legumes, ovos e carnes. Por outro lado, bebidas açucaradas, ultraprocessados, doces e frituras aparecem, em média, dois dias por semana.

No entanto, manter uma alimentação adequada nem sempre depende apenas de uma escolha individual. Entre os entrevistados que relatam dificuldade para comer melhor, 29% apontam o preço de carnes, frutas e vegetais. Outros 21% citam a falta de tempo e o cansaço da rotina.

A renda também interfere nesse cenário. Entre quem recebe até um salário mínimo, 40% relatam dificuldades para manter uma alimentação saudável. Entre aqueles com renda superior a cinco salários mínimos, esse percentual cai para 10%. Nesse grupo, porém, a falta de tempo aparece para 39% dos entrevistados.

Álcool revela diferença entre percepção e risco

O consumo de bebidas alcoólicas apresenta outro ponto de atenção. De acordo com a pesquisa, 58% dos brasileiros afirmam não beber. Por outro lado, 30% relatam consumo em um ou dois dias por semana. Outros 5% dizem beber entre cinco e sete dias por semana.

A OMS classifica o álcool como cancerígeno. O consumo está associado a tumores de boca, garganta, esôfago, fígado, intestino e mama. Além disso, a combinação entre álcool e cigarro pode aumentar ainda mais os riscos.

A pesquisa encontrou uma diferença na percepção de saúde entre os grupos. Entre quem bebe cinco a sete dias por semana, 64% consideram a própria saúde ótima ou boa. Entre os que não bebem, esse percentual fica em 58%.

O que os dados mostram sobre prevenção?

Os resultados reforçam a importância de observar hábitos mesmo quando a pessoa não apresenta sintomas.

Peso corporal, alimentação, atividade física, cigarro e consumo de álcool fazem parte desse acompanhamento. Por isso, pequenas mudanças na rotina podem contribuir para a prevenção de doenças. A avaliação individual também ajuda a identificar fatores que merecem atenção antes do aparecimento de problemas.

A pesquisa aponta, portanto, uma diferença entre sentir-se saudável e manter hábitos associados à proteção da saúde.

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