Último debate: saúde e educação colocam em xeque o "case Vitória"
Helder Salomão (PT), Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Ricardo Ferraço (MDB) partiram para o enfrentamento em diferentes momentos.

O último debate entre os candidatos ao governo do Espírito Santo, realizado pela TV Gazeta nesta quarta-feira (30), foi marcado por fortes confrontos, acusações e algumas apresentações de propostas.
Helder Salomão (PT), Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Ricardo Ferraço (MDB) partiram para o enfrentamento em diferentes momentos. Entretanto, dois temas especialmente sensíveis aos eleitores capixabas, saúde e educação, ganharam destaque durante o debate.
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Na área da educação, por exemplo, os candidatos Helder Salomão e Ricardo Ferraço questionaram Pazolini sobre o desempenho da rede municipal de Vitória e cobraram explicações sobre os resultados do município no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).
Embora Vitória lidere o Ideb entre as capitais da região Sudeste e esteja entre as cinco primeiras do país na rede municipal, nos anos iniciais e finais, com nota 5,1, a capital registrou desempenho inferior ao de municípios capixabas com menor orçamento, como Marilândia, que obteve nota 8,1, e Alto Rio Novo, com 7,7, nos anos iniciais.
Nesse contexto, o ex-prefeito Pazolini reconheceu que os indicadores educacionais de Vitória ficaram estagnados. Entretanto, ressaltou que houve avanços durante sua gestão à frente da Prefeitura de Vitória e atribuiu a estagnação do Ideb a outras administrações que passaram pela capital.
O candidato ainda explicou que a quantidade de escolas em tempo integral passou de quatro para 50 durante sua gestão. Ele também defendeu parcerias com os municípios para ampliar a oferta de vagas em creches.
Em um dos momentos mais acalorados, o candidato Helder criticou a justificativa apresentada pelo ex-prefeito e afirmou que Pazolini “joga a culpa nos outros quando não tem resposta para dar”.
Saúde
A saúde também levou os candidatos a confrontarem a gestão de Pazolini em Vitória. O governador Ricardo Ferraço questionou o fato de o município não ter concluído a construção de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) durante a administração do republicano, apesar da capacidade econômica da capital.
Vitória tem um Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente R$ 28,2 bilhões e ocupa a segunda posição entre as economias municipais do Estado, atrás apenas da Serra.
Ricardo ainda comparou a situação com a da Serra, que conta atualmente com três Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e uma UPA Pediátrica.
Segundo o candidato a reeleição, Vitória não construiu equipamentos semelhantes para atender à população porque o ex-prefeito Pazolini teria fechado as portas para o diálogo com o Palácio Anchieta, comandado, na época, pelo ex-governador Renato Casagrande.
Pazolini, por sua vez, respondeu que Vitória possui uma rede de saúde de referência e afirmou que a obra citada pelo adversário está em andamento. O candidato também citou medidas adotadas durante sua gestão e criticou o governo estadual pela existência de filas na rede pública.
Ricardo rebateu o argumento, afirmando que, apesar de 70% dos moradores de Vitória utilizarem planos de saúde, uma parte significativa do atendimento realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na capital é feita pela rede hospitalar estadual.
Case Vitória
O último debate, de certa forma, também colocou em xeque o chamado “case Vitória” apresentado por Pazolini como referência para uma eventual gestão em todo o Espírito Santo porque, ao sair do discurso sobre resultados e entrar em áreas concretas como saúde e educação, vieram à tona desafios ainda presentes na Capital.
As cobranças sobre o desempenho educacional e a estrutura de atendimento em saúde mostraram que, embora a experiência de Vitória possa ser apresentada como uma vitrine administrativa, ela também possui limitações e pontos a serem explicados. E há uma questão ainda maior: governar os 78 municípios capixabas exige enfrentar realidades muito diferentes das encontradas na Capital, o que torna a transposição desse modelo para todo o Estado um desafio consideravelmente mais complexo.
As informações/opiniões aqui escritas são de cunho pessoal e não necessariamente refletem os posicionamentos do AQUINOTICIAS.COM
