Obesidade é maior entre mulheres com insegurança alimentar
Estudo da UFRJ encontrou associação entre insegurança alimentar e maior prevalência de obesidade entre mulheres adultas.

A falta de acesso regular a alimentos de qualidade pode afetar a saúde de formas diferentes. Um estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) encontrou uma associação importante entre insegurança alimentar e obesidade em mulheres.
A pesquisa analisou 1.026 adultos de 20 a 59 anos, responsáveis pelas compras e pelo preparo das refeições em suas famílias. O levantamento excluiu gestantes.
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Os resultados mostraram uma diferença entre mulheres e homens. Entre as mulheres que viviam com algum grau de insegurança alimentar, a obesidade apresentou prevalência quase três vezes maior.
Por que a insegurança alimentar pode estar ligada à obesidade?
A insegurança alimentar ocorre quando uma pessoa ou família não consegue garantir acesso regular e suficiente a alimentos adequados.
Esse cenário pode alterar a qualidade e a quantidade da alimentação. Além disso, dificuldades financeiras podem limitar as escolhas alimentares e aumentar a exposição a produtos mais acessíveis e menos nutritivos.
O estudo também aponta que fatores sociais e responsabilidades familiares ajudam a explicar a maior vulnerabilidade das mulheres.
Porém, a pesquisa identificou uma associação. Isso significa que os resultados não permitem afirmar que a insegurança alimentar, sozinha, cause obesidade.
O que o estudo encontrou entre as mulheres?
O levantamento identificou prevalência de sobrepeso de 38,7% e de obesidade de 32,3% entre mulheres que viviam nas condições mais severas de insegurança alimentar.
Após ajustes estatísticos, a obesidade apareceu quase três vezes mais entre mulheres com algum nível de insegurança alimentar.
O sobrepeso também apresentou associação. Entre mulheres expostas às formas mais graves de insegurança alimentar, a prevalência ficou 76% maior.
Já entre os homens, os pesquisadores não encontraram associação estatisticamente significativa entre insegurança alimentar e obesidade.
Como a desigualdade de gênero influencia esse cenário?
A pesquisa destaca que mulheres podem enfrentar maior exposição a fatores sociais relacionados à insegurança alimentar.
Entre eles estão a sobrecarga com tarefas domésticas, cuidados com familiares e menor acesso a recursos econômicos e produtivos.
Além disso, muitas mulheres ocupam uma posição central na compra e no preparo dos alimentos da família.
Nesse contexto, a dificuldade para garantir uma alimentação adequada pode afetar a própria saúde e também as escolhas alimentares do domicílio.
Quantas pessoas enfrentam insegurança alimentar no Brasil?
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) citados no estudo mostram que 21,6 milhões de brasileiros enfrentavam algum grau de insegurança alimentar em 2023.
Desse total, 3,2 milhões viviam em situação de fome.
Embora o país tenha apresentado melhora em relação a períodos anteriores, o problema ainda atinge grupos de maneira desigual.
O estudo chama atenção especialmente para famílias chefiadas por mulheres e para as diferenças observadas dentro de grandes centros urbanos.
Por que obesidade e falta de comida podem aparecer juntas?
A associação pode parecer contraditória, mas a insegurança alimentar não significa necessariamente ausência completa de alimentos.
Em alguns domicílios, a família consegue comer todos os dias, porém enfrenta dificuldade para manter variedade, qualidade e equilíbrio nutricional.
As restrições financeiras também podem favorecer escolhas determinadas pelo preço e pela disponibilidade.
Por isso, combater a obesidade exige olhar para além das escolhas individuais. O acesso regular a alimentos adequados também faz parte da promoção da saúde.
O que os resultados mostram sobre saúde pública?
O estudo realizado pelo Grupo Interdisciplinar de Estudos em Segurança Alimentar e Nutricional, do Instituto de Nutrição Josué de Castro da UFRJ, reforça a importância de analisar obesidade e insegurança alimentar em conjunto.
Os pesquisadores defendem estratégias que considerem as diferenças sociais e de gênero.
Além disso, o recorte territorial ajuda a identificar desigualdades que podem ficar escondidas quando os dados analisam apenas médias nacionais.
Para quem enfrenta dificuldade para comprar alimentos, buscar os serviços públicos de assistência social e saúde pode ajudar a identificar programas e formas de apoio disponíveis no município.
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