Queda de andaime na Praia da Costa acende alerta para segurança em obras de fachada

O acidente registrado nesta quarta-feira (7) em um edifício na orla da Praia da Costa, em Vila Velha, voltou a chamar atenção

Foto: Ilustrativa/Magnific

O acidente registrado nesta quarta-feira (7) em um edifício na orla da Praia da Costa, em Vila Velha, voltou a chamar atenção para a complexidade das obras realizadas em fachadas de edifícios.

Um andaime suspenso utilizado em uma reforma despencou durante o processo de desmontagem, deixando dois trabalhadores feridos. As circunstâncias exatas do acidente ainda estão sendo apuradas pelos órgãos competentes.

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O episódio mostra que uma obra de fachada não deve ser tratada apenas como serviço de pintura ou recuperação estética. Trabalhos em altura envolvem equipamentos específicos, pontos de fixação, plataformas, sistemas de proteção coletiva, procedimentos executivos e responsabilidades técnicas que precisam funcionar de maneira integrada.

O perito em engenharia e engenheiro civil e ambiental Filipe Machado destaca que a segurança precisa ser considerada desde a contratação até a retirada dos equipamentos.

“Em uma obra desse tipo, não existe apenas o serviço que está sendo executado na fachada. Existe toda uma estrutura temporária necessária para permitir que os trabalhadores atuem com segurança. Montagem, utilização e desmontagem também são etapas da obra e precisam de planejamento.”

A Prefeitura de Vila Velha informou que o edifício possuía alvará para a intervenção. O Crea-ES também informou que já havia fiscalizado a obra e identificado responsáveis técnicos, mas iniciou nova apuração após o acidente.

É importante destacar que a existência de documentação não permite concluir, por si só, o que provocou uma ocorrência. A causa depende da investigação das condições existentes no momento do acidente, dos equipamentos utilizados e dos procedimentos executados.

Para os condomínios, o episódio reforça a importância de não analisar propostas de reforma apenas pelo preço. Escopo técnico, experiência da empresa, responsáveis pelos diferentes serviços, equipamentos empregados e acompanhamento da execução também devem fazer parte da contratação.

A engenharia aplicada a condomínios pode auxiliar justamente na definição do escopo, contratação e fiscalização dessas intervenções.

O mesmo princípio vale antes mesmo da obra começar. Uma inspeção predial bem conduzida ajuda o condomínio a conhecer as necessidades da edificação e evitar contratações baseadas apenas em problemas aparentes.

“Segurança em uma obra de fachada não depende de uma única medida. Ela é resultado de projeto, planejamento, equipamento, procedimentos, fiscalização e atuação dos profissionais envolvidos”, afirma Machado.

As causas do acidente na Praia da Costa deverão ser esclarecidas pelas investigações em andamento. Mas o episódio deixa um alerta importante para os milhares de condomínios que realizam manutenção e recuperação de fachadas na Grande Vitória: obra em altura exige planejamento técnico do início ao último dia de serviço.

*** Filipe Machado é perito em Engenharia, e engenheiro Civil e Ambiental.

As informações/opiniões aqui escritas são de cunho pessoal e não necessariamente refletem os posicionamentos do AQUINOTICIAS.COM