Desafio de transformar fórmulas em compreensão nas aulas de matemática
Alexandre de Araújo Jimenez discute como aplicações da aviação podem aproximar os estudantes das ciências exatas

Comparar percursos, interpretar um gráfico e calcular o tempo de um deslocamento exigem mais do que memorizar fórmulas. No Brasil, apenas 27% dos estudantes de 15 anos avaliados pelo Pisa 2022 atingiram ao menos o nível básico de proficiência em matemática, diante de 69% na média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Esse patamar envolve reconhecer como uma situação simples pode ser representada matematicamente.
O resultado expõe uma dificuldade que atravessa o ensino das ciências exatas: utilizar o conhecimento em situações diferentes daquelas apresentadas durante a explicação. Conhecer uma equação não significa, necessariamente, saber selecionar os dados de um problema ou interpretar a resposta encontrada.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp!Professor de Física e Matemática com mais de 20 anos de experiência docente, Alexandre de Araújo Jimenez também trabalha com informações aeronáuticas na Força Aérea Brasileira, onde ingressou em 1997. Licenciado nas duas disciplinas, reúne experiência no ensino médio e na educação técnica, além de formação em supervisão de órgão de tráfego aéreo. Em 2024, participou de treinamento em Gestão da Informação Aeronáutica.
“A fórmula precisa responder a uma pergunta que o aluno compreendeu. Antes de substituir os valores, ele precisa identificar o que está sendo medido, quais informações estão disponíveis e o que pretende descobrir”, afirma Alexandre Jimenez.
A aviação oferece possibilidades para discutir essas relações em sala de aula. Distância, velocidade, tempo e conversão de unidades podem compor exercícios com situações simplificadas. Comparar dois percursos, por exemplo, permite examinar como uma alteração na distância interfere no tempo estimado de deslocamento.
Na carreira aeronáutica, Alexandre exerce funções de supervisão em Congonhas e atua na elaboração de NOTAM, avisos que comunicam informações relevantes às operações aéreas. Esses documentos integram o sistema oficial de informações aeronáuticas divulgado pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo.
“No ensino, conferir a unidade e examinar se o resultado faz sentido são etapas importantes. Uma conta pode estar correta e, ainda assim, partir de uma interpretação equivocada do problema”, diz Alexandre.
Sua experiência docente passa pelo Instituto Federal do Amazonas, em Tabatinga, onde lecionou para cursos técnicos de diferentes áreas. Também ensina Física no Colégio Agostiniano São José. Além de ser um militar condecorado pelos seus bons serviços prestados. O contato com a formação técnica acrescenta à discussão a necessidade de relacionar os conteúdos às atividades profissionais para as quais os estudantes se preparam.
O desafio pedagógico também ocorre em um cenário de recursos limitados. O relatório Education at a Glance 2025 informa gasto público de US$ 3.762 por estudante no Brasil, do ensino primário ao superior, excluída pesquisa e desenvolvimento — aproximadamente um terço da média da OCDE. Os valores são ajustados pela paridade do poder de compra, permitindo comparar países com diferentes níveis de preços.
Para Alexandre, a escolha dos materiais precisa acompanhar a definição do que será ensinado e de como verificar a compreensão.
“Um exercício com poucos dados pode revelar bastante sobre o raciocínio do estudante. Pedir que ele explique a escolha do procedimento ajuda o professor a localizar a dificuldade e a decidir o próximo passo”, afirma o professor.
Na trajetória militar, seu histórico registra a concessão das Medalhas Militares de Bronze, em 2011, e de Prata, em 2018. As condecorações reconhecem os bons serviços prestados às Forças Armadas e correspondem, respectivamente, a dez e vinte anos de serviço, observados os critérios da honraria.
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