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A viagem escolar começa antes do embarque e continua na sala de aula

Henrique Bragagnolo Antunes discute como integrar visitas e roteiros educacionais ao trabalho dos professores

O Brasil registrou 46 milhões de matrículas na educação básica em 2025, distribuídas por 178,8 mil escolas, segundo o Inep. Para as instituições que incorporam visitas a museus, centros científicos e destinos históricos à programação, o desafio começa antes da contratação do transporte: estabelecer o que os estudantes vão observar e como a experiência será trabalhada na volta.

O destino oferece possibilidades distintas conforme a turma. Um museu pode ajudar a investigar fontes históricas; um percurso urbano permite discutir arquitetura, atividades econômicas e ocupação do território. A escolha exige considerar o conteúdo estudado, a idade dos participantes e o tempo disponível para explorar cada lugar.

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Especialista em turismo pedagógico, Henrique Bragagnolo Ferraro Antunes trabalha há mais de 15 anos diretamente com planejamento e operação de viagens estudantis. Sua experiência reúne o atendimento a coordenadores de mais de 30 escolas do interior paulista e a docência em cursos superiores de Turismo, nos quais também desenvolveu e executou visitas técnicas.

Essa atuação envolve traduzir a proposta dos educadores em um roteiro viável: selecionar os espaços, organizar a sequência das atividades e reservar tempo para que os estudantes possam observar, perguntar e registrar suas descobertas.

“A primeira conversa com a escola precisa esclarecer o objetivo da saída. O mesmo destino pode receber turmas de idades diferentes, mas as perguntas, o tempo de visita e a forma de apresentar o conteúdo precisam mudar”, afirma Henrique Antunes.

Pesquisas internacionais ajudam a examinar o potencial dessas atividades. Um estudo publicado no Journal of Human Resources, divulgado pela Brigham Young University, distribuiu aleatoriamente alunos do quarto e do quinto ano de 15 escolas da região de Atlanta, nos Estados Unidos, para participar de três visitas culturais durante o ano letivo. A programação incluía museu de arte, teatro e concerto sinfônico.

Os pesquisadores observaram melhores resultados acadêmicos, menos faltas e menos ocorrências disciplinares entre os participantes. As conclusões se referem àquele programa e à população estudada; o resultado de outras experiências depende de suas características e condições de realização.

Para Antunes, a preparação e a retomada do conteúdo são partes importantes da atividade. Antes da visita, os professores podem apresentar o contexto do lugar e propor questões. Depois, relatos, fotografias e anotações oferecem material para discutir o que foi encontrado.

“Quando o estudante chega com uma pergunta, ele tem algo a procurar. Na volta, o professor pode trabalhar com as diferenças entre o que a turma esperava encontrar e o que efetivamente observou”, diz o especialista.

O planejamento precisa preservar espaço para essa investigação. Uma agenda com muitas paradas pode deixar pouco tempo para conversar com os mediadores ou acompanhar uma demonstração. Deslocamentos, pausas e condições de acessibilidade também interferem na participação.

A escolha de destinos próximos pode ampliar as alternativas disponíveis às escolas. Segundo Antunes, a relevância pedagógica está na relação entre o lugar visitado e o trabalho desenvolvido pelos educadores.

“A distância percorrida não mede a qualidade da experiência. Uma visita próxima pode render um trabalho consistente quando há preparação, tempo de observação e continuidade em sala de aula”, afirma Henrique.

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Produtor de conteúdo & executivo, já passei por empresas como TV Globo e TV Record.