Saúde e Bem-estar

Câncer: tecnologia brasileira usa gota de sangue para detectar sinais da doença

Pesquisadores brasileiros desenvolvem biossensor que analisa uma gota de sangue para identificar sinais associados a tumores; a tecnologia ainda precisa de validação clínica.

A foto alude ao exame de sangue que ajuda detectar câncer
Fonte: Magnific

Detectar o câncer nas fases iniciais pode ampliar as possibilidades de tratamento e melhorar as perspectivas dos pacientes. Para facilitar essa identificação, pesquisadores brasileiros desenvolvem um biossensor capaz de analisar uma pequena gota de sangue e procurar sinais associados a tumores.

O projeto reúne os pesquisadores Daniela Fernandes e Cristiano Jayme, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e do Sebrae Startups. A equipe trabalha em uma tecnologia que pretende tornar a triagem mais acessível e ampliar o alcance dos exames, inclusive em regiões distantes dos grandes centros.

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A proposta chama a atenção pela simplicidade da coleta e pelo potencial de reduzir custos. No entanto, o dispositivo ainda precisa passar por etapas de validação antes de chegar à população.

Como o teste de sangue pode identificar sinais de câncer?

O dispositivo utiliza um biossensor eletroquímico, tecnologia que transforma uma reação química em um sinal elétrico mensurável. Esse sinal permite investigar a presença de biomarcadores associados a determinados tumores.

Biomarcadores são substâncias ou características biológicas que ajudam a identificar alterações no organismo. No caso do câncer, alguns deles podem indicar a presença de processos relacionados à doença.

Segundo as informações divulgadas sobre o projeto, o equipamento busca detectar sinais associados a tumores no pâncreas, cérebro e pulmão.

O funcionamento lembra o de um medidor de glicose. O equipamento recebe uma pequena amostra de sangue e analisa a resposta do sensor para identificar os sinais investigados.

Entretanto, o teste não substitui os exames convencionais nem confirma sozinho um diagnóstico de câncer. Um resultado que indique suspeita precisa de avaliação médica e, conforme o caso, de exames complementares.

Quanto pode custar a tecnologia e onde ela poderá ser usada?

Um dos objetivos do projeto é reduzir os custos e facilitar o acesso à triagem. A estimativa divulgada pelos responsáveis aponta um preço entre 40 e 50 dólares por teste.

Com essa proposta, os pesquisadores pretendem ampliar as possibilidades de aplicação em Unidades Básicas de Saúde (UBSs), inclusive em localidades com acesso limitado a equipamentos de alta complexidade.

Atualmente, a investigação de determinados tumores pode exigir exames especializados, como a tomografia por emissão de pósitrons, conhecida pela sigla PET-CT. Esse exame utiliza técnicas de imagem para avaliar processos metabólicos e auxiliar na investigação de doenças.

A possibilidade de realizar uma triagem com uma pequena amostra de sangue pode facilitar o encaminhamento de pacientes para exames específicos. Contudo, o custo estimado e a futura disponibilidade do biossensor ainda dependem das etapas de desenvolvimento e validação.

O que falta para o teste chegar à população?

O projeto conta com a cooperação científica do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), sob a coordenação do professor Roger Chammas, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP).

De acordo com as informações divulgadas, a tecnologia integra uma iniciativa-piloto relacionada à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e ainda precisa passar por testes clínicos.

Essas avaliações são importantes para verificar se o dispositivo apresenta precisão, segurança e desempenho adequados em diferentes situações. Os estudos também precisam demonstrar como o teste se comporta na identificação dos sinais investigados.

A expectativa apresentada pelos responsáveis pelo projeto é concluir as etapas de validação até meados de 2027. Esse prazo, porém, representa uma previsão, não uma garantia de disponibilidade comercial ou incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS).

O teste precoce dispensa os exames preventivos?

Não. Mesmo com o avanço dos biossensores, a população deve continuar seguindo as recomendações de prevenção e rastreamento indicadas para cada tipo de câncer.

Os exames variam conforme a doença investigada, a idade, o histórico familiar e outros fatores de risco. Além disso, nem todos os tumores apresentam biomarcadores detectáveis em uma amostra de sangue.

Por isso, pessoas com sintomas persistentes ou alterações suspeitas devem procurar um serviço de saúde, sem esperar pela chegada de novas tecnologias.

O biossensor brasileiro representa uma linha de pesquisa promissora para ampliar o acesso à investigação do câncer. Entretanto, os resultados dos testes clínicos determinarão sua utilidade na prática e as condições necessárias para sua aplicação na rede pública.

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