Câncer antes dos 50 anos cresce, principalmente o de intestino
Estudos internacionais identificam aumento de alguns tipos de câncer antes dos 50 anos, especialmente o colorretal. Entenda os dados e os fatores de risco.

O câncer deixou de ser uma preocupação associada principalmente ao envelhecimento. Estudos internacionais identificaram aumento de diagnósticos de alguns tipos da doença entre pessoas com menos de 50 anos, especialmente o câncer colorretal, que afeta o intestino.
Na Inglaterra, a frequência desse diagnóstico dobrou entre 2001 e 2023 nessa faixa etária. Os dados analisados pelo Fundo Mundial de Pesquisa do Câncer (WCRF) mostram uma tendência que também aparece em diferentes países.
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Apesar desse crescimento, o câncer continua relativamente incomum entre adultos jovens. Além disso, os pesquisadores ainda investigam quanto desse avanço representa o aumento real da doença e quanto resulta da identificação mais precoce dos tumores.
Quais tipos de câncer estão aumentando entre pessoas com menos de 50 anos?
Um estudo publicado em 2025 comparou dados de 42 países entre 2003 e 2017. A análise identificou aumento de seis tipos de câncer entre adultos de 20 a 49 anos: tireoide, mama, colorretal, rim, útero e leucemia.
O câncer colorretal chamou atenção porque, em cerca de um terço dos países analisados, os casos cresceram mais rapidamente entre os adultos jovens do que entre os mais velhos.
Outro levantamento, que reuniu registros de 50 países e territórios até 2017, encontrou aumento desse tipo de câncer em 27 regiões. Na América Latina, Chile, Argentina, Equador, Costa Rica e Porto Rico também registraram crescimento.
No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima 781 mil novos casos de câncer por ano no período de 2026 a 2028. Entre os tipos que merecem atenção estão o colorretal e o do colo do útero, que apresentam oportunidades de prevenção e detecção precoce.
Por que o câncer de intestino preocupa os adultos jovens?
O câncer colorretal se desenvolve no cólon ou no reto, partes do intestino grosso. A doença pode começar com alterações na mucosa intestinal, incluindo pólipos que, em alguns casos, evoluem para tumores malignos.
O aumento de casos entre pessoas mais jovens preocupa porque essa população nem sempre considera a possibilidade de desenvolver a doença. Por isso, alguns sinais podem passar despercebidos ou ser confundidos com problemas intestinais comuns.
Alterações persistentes do hábito intestinal, sangue nas fezes, dor abdominal recorrente, anemia sem causa esclarecida e perda de peso involuntária exigem avaliação de saúde. Esses sintomas não significam necessariamente câncer, mas precisam de investigação.
A idade, o histórico familiar e determinadas condições de saúde também influenciam o risco. Pessoas com parentes próximos que tiveram câncer colorretal ou com doenças intestinais específicas devem conversar com um profissional de saúde sobre o acompanhamento indicado.
O aumento dos diagnósticos significa que há mais câncer?
Nem sempre. Parte do crescimento pode estar relacionada à maior conscientização, à realização de exames e à identificação de tumores em estágios iniciais.
Um estudo sobre câncer de pâncreas em pessoas de 15 a 39 anos nos Estados Unidos encontrou aumento principalmente de tumores diagnosticados precocemente, enquanto as taxas de mortalidade permaneceram estáveis.
No câncer colorretal, porém, algumas pesquisas também identificaram crescimento de casos avançados. Esse resultado sugere que o aumento não se explica apenas pela ampliação dos diagnósticos.
Os pesquisadores ainda precisam compreender melhor os fatores envolvidos, que podem variar conforme o tipo de tumor e a população analisada.
Quais hábitos ajudam a reduzir o risco de câncer?
A obesidade está associada a pelo menos 13 tipos de câncer, segundo a Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer, ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS). Outros fatores conhecidos incluem o consumo de álcool e de carnes processadas.
Embora ninguém consiga eliminar completamente o risco, algumas medidas ajudam a proteger a saúde:
- Pratique atividade física: caminhar e reduzir o tempo sedentário contribuem para a saúde metabólica.
- Consuma mais fibras: frutas, verduras, leguminosas e grãos integrais favorecem uma alimentação equilibrada.
- Reduza carnes processadas: limite alimentos como salsicha, presunto, bacon e salame.
- Evite bebidas alcoólicas: o álcool aumenta o risco de diferentes tipos de câncer.
- Cuide da saúde metabólica: prevenir e tratar a obesidade ajuda a reduzir fatores de risco.
- Investigue sintomas persistentes: não espere que alterações intestinais ou outros sinais preocupantes desapareçam sozinhos.
As evidências sobre microplásticos e alguns componentes dos alimentos ultraprocessados ainda não permitem estabelecer conclusões definitivas sobre seus efeitos no risco de câncer. Por isso, é importante diferenciar fatores já reconhecidos pela ciência de hipóteses que continuam em investigação.
O aumento de alguns tumores entre adultos jovens merece atenção, mas não significa que a maioria das pessoas desenvolverá a doença. Informação confiável, prevenção e investigação de sinais persistentes continuam sendo medidas importantes para reduzir riscos e favorecer o diagnóstico oportuno.
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