Exame experimental identifica mais lesões de câncer renal
Nova técnica de PET/CT identificou mais lesões de câncer renal do que o método comparado, mas ainda precisa de estudos adicionais.

Uma nova técnica de imagem identificou 97,9% das lesões de um dos tipos mais comuns de câncer de rim. O resultado, obtido em um estudo com 68 pacientes, indica que a tecnologia pode ajudar a localizar tumores e identificar a disseminação da doença para outros órgãos.
A pesquisa avaliou um exame chamado PET/CT, que combina imagens da atividade biológica dos tecidos com imagens detalhadas do corpo. Os pesquisadores compararam duas modalidades do exame e encontraram uma diferença importante na identificação do carcinoma renal de células claras.
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O estudo foi apresentado no 39º Congresso Anual da Associação Europeia de Medicina Nuclear, realizado em Viena, na Áustria. Apesar dos resultados promissores, a técnica ainda precisa passar por novas avaliações antes de uma possível incorporação à rotina clínica.
Como funciona o novo exame para detectar câncer de rim?
O PET/CT utiliza um radiotraçador, substância que emite sinais detectáveis pelo equipamento e permite observar determinadas características dos tecidos. A combinação com a tomografia computadorizada ajuda a localizar essas alterações no organismo.
Uma das versões mais utilizadas em oncologia emprega o FDG, um composto semelhante à glicose marcado com material radioativo. Como muitas células cancerígenas consomem grandes quantidades de açúcar, o exame pode identificar áreas com atividade metabólica elevada.
Entretanto, essa estratégia apresenta limitações no câncer renal. Os rins eliminam o FDG pela urina, o que pode dificultar a visualização de tumores nessa região. Além disso, algumas lesões apresentam baixo consumo de glicose e aparecem com menos destaque nas imagens.
Para contornar essas dificuldades, os pesquisadores utilizaram um radiotraçador que se liga a uma proteína encontrada em grandes quantidades nas células do carcinoma renal de células claras. Essa característica permite diferenciar melhor as lesões dos tecidos ao redor.
Nos exames, o novo método apresentou captação do radiotraçador aproximadamente cinco vezes maior nas lesões. O contraste entre os tumores e os tecidos próximos também foi cerca de dez vezes superior ao observado com o FDG.
O que o estudo descobriu sobre o câncer renal?
A pesquisa avaliou 68 pacientes e analisou 492 lesões consideradas verdadeiras, incluindo tumores e focos da doença em outras partes do corpo.
Os resultados mostraram diferenças expressivas entre as duas modalidades de PET/CT.
- Carcinoma renal de células claras: o novo exame identificou 97,9% das lesões, contra 47,1% com o FDG.
- Todos os subtipos avaliados: a nova técnica identificou 90,9% das lesões, enquanto o método convencional detectou 56,7%.
- Acurácia por paciente: no carcinoma de células claras, o novo método alcançou 98,2%, contra 77,2% com o FDG.
O carcinoma renal de células claras representa aproximadamente 70% a 80% dos carcinomas de células renais em adultos.
Os pesquisadores também observaram diferenças na identificação de metástases, nome dado às lesões que surgem quando o câncer se espalha para outros órgãos.
O novo exame identificou todas as metástases cerebrais e pulmonares consideradas verdadeiras na amostra estudada. Nos linfonodos, estruturas que participam da defesa do organismo, detectou 95% das lesões, contra 68,9% com o FDG.
No fígado, porém, o exame convencional apresentou melhor desempenho quando os pesquisadores consideraram todos os subtipos avaliados. A diferença pode estar relacionada à menor quantidade da proteína-alvo em algumas lesões.
Como a descoberta pode influenciar o tratamento?
Identificar a localização e a extensão do câncer ajuda a definir as opções de tratamento. Quando o tumor permanece restrito ao rim, a equipe médica pode considerar uma cirurgia. Se a doença atingir outros órgãos, o planejamento pode incluir tratamentos sistêmicos, como imunoterapia e terapias-alvo.
O novo exame provocou mudanças no estadiamento ou na conduta clínica de 30,9% dos pacientes. Com o PET/CT que utiliza FDG, esse percentual ficou em 5,9%.
O estadiamento classifica a extensão do câncer e ajuda a orientar as decisões terapêuticas. Nesse estudo, a nova técnica identificou recorrências, tumores que permaneceram após o tratamento e metástases que os exames anteriores não haviam detectado.
Em três pacientes, o método também descartou alterações que o PET com FDG havia apontado como positivas, evitando intervenções desnecessárias, segundo os pesquisadores.
Contudo, identificar mais lesões não significa, necessariamente, aumentar a sobrevida ou garantir melhores resultados terapêuticos. Os pesquisadores ainda precisam investigar se essas informações adicionais melhoram a evolução clínica dos pacientes.
O novo PET/CT pode substituir a tomografia e a ressonância?
Ainda não. Embora tenha apresentado resultados superiores aos do FDG em vários aspectos, o estudo não demonstrou que a nova técnica supera todos os exames utilizados atualmente.
As diretrizes da Associação Europeia de Urologia recomendam principalmente a tomografia computadorizada com contraste para avaliar o câncer renal e sua extensão. Em situações específicas, a ressonância magnética também pode ajudar na investigação.
O PET com FDG, por sua vez, apresenta limitações conhecidas nesse tipo de tumor e não costuma integrar a avaliação inicial de rotina.
Portanto, a comparação entre duas modalidades de PET/CT não permite concluir que a nova tecnologia deva substituir os exames recomendados pelas diretrizes clínicas.
O que falta para a tecnologia chegar aos pacientes?
Os pesquisadores apontam três possibilidades de uso futuro: avaliar a extensão do câncer antes de uma cirurgia, investigar suspeitas de recorrência e identificar pacientes que poderiam se beneficiar de tratamentos direcionados à proteína detectada pelo exame.
Essa última possibilidade integra a chamada teranóstica, estratégia que combina diagnóstico e tratamento com base em um mesmo alvo molecular. Nesse cenário, o exame ajudaria a localizar tumores que apresentam a proteína e a selecionar pacientes para terapias direcionadas.
Entretanto, essa aplicação ainda exige investigação. Os cientistas precisam avaliar a segurança do método, confirmar os resultados em grupos maiores e comparar seu desempenho nos diferentes subtipos de câncer renal.
Por enquanto, o estudo representa um avanço na identificação de determinadas lesões. A adoção do exame na prática clínica dependerá de novas evidências que demonstrem quando a tecnologia oferece benefícios concretos para os pacientes.
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