Transtornos mentais afetam mercado de trabalho no Brasil - leia mais
Em 2024, o Brasil registrou um número recorde de afastamentos do trabalho devido a transtornos mentais; veja quais são e como eles afetam pessoas e economia.

Em 2024, o Brasil registrou um número recorde de afastamentos do trabalho devido a transtornos mentais. De acordo com o Ministério da Previdência Social, mais de 470 mil licenças médicas foram concedidas, marcando um aumento de 68% em relação ao ano anterior. Este dado revela uma crise de saúde mental que afeta tanto os trabalhadores quanto a economia nacional.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aquiMulheres: as mais impactadas pela crise de saúde mental
As mulheres representam 64% dos afastamentos, evidenciando a sobrecarga que enfrentam, especialmente após a pandemia. O psiquiatra Arthur Danila, da USP, aponta que a responsabilidade financeira pelo lar, aliada a salários mais baixos e jornadas de trabalho pesadas, principalmente, contribui para o aumento de transtornos mentais. De acordo com o último Censo, as mulheres sustentam 49,1% dos lares no Brasil, o que representa cerca de 35 milhões de famílias, sendo a maioria delas composta por mulheres a partir de 40 anos, faixa etária coincidente com a média dos afastamentos. A pesquisadora Thatiana Cappellano alerta que ambientes de trabalho tóxicos, expostos pela pandemia, agravaram a saúde mental das trabalhadoras.
Fatores que intensificaram a crise de saúde mental
Diversos fatores, dessa forma, contribuíram para o aumento dos transtornos mentais. O impacto da pandemia, que causou perdas humanas e sociais, a insegurança financeira e o aumento de 55% nos custos de alimentos entre 2020 e 2024 pioraram o quadro. Além disso, o aumento da informalidade no mercado de trabalho e jornadas de trabalho excessivas acentuaram ainda mais a pressão sobre os trabalhadores.

O impacto econômico global da crise de saúde mental
A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que a depressão e a ansiedade causam a perda de 12 bilhões de dias úteis globalmente, representando um impacto de US$ 1 trilhão por ano. Esse dado evidencia não apenas o custo para o Brasil, mas também o impacto global nos negócios e na economia.
Medidas governamentais e empresariais
O governo brasileiro implementou ações para combater a crise. A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) agora fiscaliza os riscos psicossociais no trabalho, com o objetivo de responsabilizar empresas por condições prejudiciais à saúde mental. Algumas empresas adotaram medidas para apoiar os funcionários, incluindo programas de apoio psicológico e benefícios de academia. Essas ações têm mostrado resultados positivos, com ambientes de trabalho mais saudáveis e redução nos afastamentos.
A necessidade de mudanças estruturais nas empresas
Apesar das medidas do governo e de algumas empresas, especialistas afirmam que a atualização da NR-1 não trará mudanças efetivas se as empresas não repensarem suas estratégias. Para melhorar a saúde mental dos trabalhadores, é necessário criar ambientes de trabalho mais saudáveis, com suporte psicológico contínuo e redução da pressão excessiva.
Desafio a ser enfrentado
O aumento dos afastamentos por transtornos mentais no Brasil é um reflexo da crise de saúde mental que o país enfrenta. O impacto na vida das mulheres, que lidam com sobrecarga de trabalho e desigualdade salarial, é alarmante. As medidas governamentais e empresariais devem ir além das regulamentações, criando ambientes de trabalho mais saudáveis e focados no bem-estar mental. Essas mudanças são essenciais para reverter o quadro atual e proteger a saúde mental de milhões de brasileiros.
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