Relator pede suspensão de Gilvan da Federal por 6 meses na Câmara
Durante sessão plenária, Gilvan proferiu falas consideradas ofensivas, insinuando que a ministra "deve ser uma prostituta do caramba", além de confrontar Lindbergh após ser chamado de “desqualificado”.

O deputado Ricardo Maia (MDB-BA), relator do processo disciplinar contra Gilvan da Federal (PL-ES) no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, recomendou, nesta terça-feira (6), a suspensão do mandato do parlamentar por seis meses. A proposta baseia-se em episódios considerados incompatíveis com o decoro parlamentar, envolvendo ataques à ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), e ao deputado Lindbergh Farias (PT-RJ).
Durante sessão plenária, Gilvan proferiu falas consideradas ofensivas, insinuando que a ministra “deve ser uma prostituta do caramba”, além de confrontar Lindbergh após ser chamado de “desqualificado”. Segundo o relator, tais manifestações extrapolam os limites da liberdade de expressão no exercício do mandato e atentam contra a dignidade dos alvos, comprometendo o ambiente institucional da Casa.
A ofensiva contra Gleisi resultou também em uma representação formal, assinada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), no último dia 1.º. No documento, Motta aponta quebra de decoro parlamentar, com base em declarações de Gilvan que vinculavam a ministra ao termo “amante”, numa referência a menções feitas a ela em documentos da “lista da Odebrecht”, surgida durante a Operação Lava Jato, em 2016.
Não é o primeiro episódio polêmico envolvendo o parlamentar, que cumpre seu primeiro mandato desde 2023. Em ocasiões anteriores, Gilvan desejou a morte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi denunciado ao Supremo Tribunal Federal por calúnia e difamação ao chamar o presidente de “ladrão” e “corrupto”, e ainda fez ataques ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, quando este ainda chefiava o Ministério da Justiça.
Ao longo do mandato, Gilvan também protagonizou confrontos verbais e físicos. Em junho de 2024, desafiou o senador Marcos do Val (Podemos-ES) para um confronto em ringue, empurrou um cidadão em comissão da Câmara e, em dezembro de 2023, chamou o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) de “traidor”, sendo contido por seguranças.
Na véspera do julgamento no Conselho de Ética, Gilvan utilizou a tribuna para pedir desculpas. “Se algum deputado se sentiu ofendido, eu peço desculpas. Nunca ataquei família e jamais faria isso nesta Casa”, afirmou. A declaração foi recebida por Hugo Motta como um gesto positivo. “Vossa Excelência, ao se comprometer com uma mudança de conduta, engrandece o seu mandato”, declarou o presidente da Câmara.
O Conselho de Ética deve votar o parecer de Maia ainda nesta terça-feira. A decisão poderá influenciar os rumos políticos do deputado e sinalizar os limites de tolerância da Câmara quanto a comportamentos considerados agressivos ou ofensivos por parte de seus membros.
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