Mais Cargos, Mais Gastos: o Congresso ignora o país real
O impacto financeiro da medida é de quase R$ 65 milhões por ano, em tempos de contenção de gastos, rombo fiscal e filas no SUS.

Enquanto o Brasil ainda digere os números alarmantes do Censo 2022, que escancarou desigualdades e a precariedade em várias regiões, o Congresso Nacional parece caminhar em outra direção: a da autoconveniência. Nesta quarta-feira (25), o Senado deve votar, em regime remoto, o projeto que aumenta de 513 para 531 o número de deputados federais, a partir da próxima legislatura. A proposta, claro, já passou com tranquilidade pela Câmara dos Deputados.
O pretexto é uma decisão do STF, que determinou a redistribuição das vagas com base nos novos dados populacionais. O problema é que, em vez de promover um redesenho racional e equilibrado da representação, o Congresso decidiu não mexer no que incomoda: ninguém perde cadeira. Todos os estados mantêm o que têm, e nove ainda ganham entre uma e quatro vagas. Uma matemática política pensada sob medida para evitar descontentamentos locais, e, claro, preservar bases eleitorais.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aquiO prazo imposto pelo Supremo vence no dia 30 de junho. Caso o Senado não aprove o texto até lá, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) terá que fazer a redistribuição. Adivinhe o que os parlamentares querem evitar? Perder o controle da própria regra do jogo.
O impacto financeiro da medida é de quase R$ 65 milhões por ano, em tempos de contenção de gastos, rombo fiscal e filas no SUS. Mas quem se importa? Para os parlamentares, é mais importante manter o equilíbrio político interno e garantir o bônus eleitoral do que promover um real ajuste institucional.
A decisão do Senado será tomada em sessão remota, no meio das festas juninas, quando o Congresso estará praticamente esvaziado. Uma votação simbólica, feita à distância, para aumentar ainda mais a distância entre Brasília e o Brasil real.
É a velha política travestida de obediência institucional. Uma reforma para não mudar nada. E mais uma conta que sobra, como sempre, para o contribuinte.
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