Cidades

Transporte de Cachoeiro enfrenta queda de passageiros e alta de custos

Sistema enfrenta aumento de custos e redução de demanda em 2026

ônibus Flecha Branca
Foto: Divulgação

O transporte coletivo urbano de Cachoeiro de Itapemirim enfrenta, em 2026, um cenário de forte pressão operacional. A queda no número de passageiros pagantes, somada à elevação expressiva do preço do óleo diesel e à dificuldade de abastecimento verificada nos últimos meses, tem imposto desafios diários à manutenção da regularidade do serviço.

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O quadro local acompanha uma tendência observada em outras cidades brasileiras, onde o transporte público vem perdendo demanda ao mesmo tempo em que convive com o aumento dos custos operacionais.

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A realidade enfrentada em Cachoeiro dialoga com uma discussão que já vem sendo feita em diferentes centros urbanos do país.

Em Vitória, por exemplo, reportagem publicada pela Folha Vitória mostrou que o Sistema Transcol registrou queda de aproximadamente 5,75% no número de passageiros, movimento associado ao avanço de novas formas de deslocamento, como transporte por aplicativo, bicicletas elétricas e maior uso de veículos particulares.

A mesma tendência também foi destacada por A Gazeta, que apontou a concorrência de modais mais flexíveis e as mudanças no comportamento da mobilidade urbana capixaba.

Em Cachoeiro, o primeiro trimestre de 2026 também apresentou redução de mais de 5% no número de passageiros pagantes em comparação com o mesmo período de 2025. Para o setor, essa retração impacta diretamente a sustentabilidade do sistema, uma vez que a receita tarifária permanece como a principal fonte de custeio da operação, abrangendo despesas com combustível, mão de obra, pneus, manutenção, peças e demais insumos necessários à prestação do serviço.

Alta do diesel agrava quadro financeiro e operacional

Ao mesmo tempo em que a demanda recuou, o custo do principal insumo da operação aumentou de forma expressiva. Conforme histórico de compras de uma das empresas concessionárias, o litro do óleo diesel chegou a registrar aumento de cerca de 33% entre dezembro de 2025 e março de 2026.

Além do encarecimento, o período também foi marcado por dificuldades de abastecimento e episódios de escassez no mercado, o que trouxe impacto direto para a rotina operacional das empresas responsáveis pelo transporte coletivo.

O contexto internacional ajuda a explicar parte dessa pressão. Desde o agravamento do conflito no Oriente Médio, ao fim de fevereiro de 2026, o mercado de combustíveis passou a sofrer instabilidades relevantes, com reflexos sobre preço e oferta. Em abril, a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) alertou que o preço médio nacional do diesel para empresas de ônibus subiu 24,06% desde o início da guerra. A entidade também destacou que o combustível representa cerca de 30% dos custos totais do transporte público coletivo por ônibus, o que evidencia a forte vulnerabilidade do setor a choques geopolíticos e energéticos.

“Tem sido um desafio diário”, diz gestor operacional

Segundo o gestor operacional Jeberson Lima, a aquisição de combustível se tornou uma das principais preocupações da operação neste momento.

“Tem sido um desafio diário conseguir adquirir combustível para viabilizar a operação. Além do aumento expressivo de preço, enfrentamos dificuldade de oferta e instabilidade no fornecimento, justamente em um momento em que o sistema precisa manter a regularidade do atendimento à população”, afirma.

A declaração resume a complexidade vivida pelas concessionárias: a necessidade de assegurar a continuidade do serviço em meio à redução de receita e à elevação acelerada dos custos.

Crise estrutural do setor se repete em várias regiões do país

Na avaliação de especialistas e entidades representativas, a combinação entre queda de passageiros e crescimento dos custos não é um fenômeno isolado. A NTU e outras publicações do setor vêm apontando que o transporte coletivo no Brasil atravessa uma crise estrutural, marcada pela perda contínua de demanda e pela necessidade de rediscussão do modelo de financiamento do serviço.

Reportagens e análises recentes relacionam esse cenário ao avanço dos aplicativos de transporte, ao crescimento do trabalho remoto, ao uso mais intenso de bicicletas e às mudanças no padrão de deslocamento da população nas cidades brasileiras. Assim, com menos passageiros e custos cada vez mais elevados, os sistemas de transporte coletivo passam a enfrentar dificuldades crescentes para manter sua sustentabilidade econômica.

Reajuste de 2,26% ficou abaixo da pressão do combustível

No caso de Cachoeiro, os dados evidenciam a dificuldade de compatibilizar receita em queda com custos em forte alta. Isso porque, o reajuste tarifário aplicado em 2026, de 2,26%, ficou abaixo da inflação e do impacto suportado apenas com o aumento do diesel no período, sem considerar os demais componentes que integram a estrutura de custos do serviço, como mão de obra, manutenção, peças, pneus e encargos operacionais.

Assim, o cenário reforça um debate que vem ganhando espaço em diversas cidades brasileiras: como preservar a continuidade, a regularidade e a qualidade do transporte público em um ambiente de transformação da mobilidade urbana e de aumento acelerado dos custos de operação.

Debate sobre equilíbrio do sistema deve ganhar força em 2026

Em Cachoeiro, assim como em outras cidades do país, a discussão sobre tarifa, financiamento e equilíbrio econômico do transporte coletivo tende a ganhar ainda mais relevância ao longo de 2026. Em meio à retração da demanda e ao avanço dos custos, o desafio do setor passa a ser não apenas manter a operação em funcionamento, mas encontrar mecanismos que permitam garantir a sustentabilidade do serviço sem comprometer o atendimento prestado à população.

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Estudante de jornalismo pela Unidade Estácio, atua na parte de segurança do portal AQUINOTICIAS.COM. Apaixonada pela área, trabalhou pela primeira vez como estagiária de jornalista aos 18 anos e nunca mais cogitou outro caminho.