No Fla-Flu do Congresso Nacional, quem perdeu fomos todos nós

A rejeição de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) não pode ser lida apenas como um recado institucional. Ela carrega o peso de um sistema político que, cada vez mais, transforma decisões de Estado em disputas de poder.

No Fla-Flu político que tomou conta do Senado na votação da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), não houve vencedores. Governo e oposição entraram em campo como rivais históricos, mas o resultado final foi uma derrota amarga para o país.

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A rejeição do nome de Messias não foi apenas mais uma votação no Senado. Foi um episódio raro. Pela primeira vez em mais de 130 anos, os senadores barraram uma indicação presidencial para a Corte, com placar de 42 votos contrários e 34 favoráveis, quando eram necessários ao menos 41 votos para aprovação.

Entretanto, a rejeição, inédita em mais de um século, não pode ser lida apenas como um recado institucional. Ela carrega o peso de um sistema político que, cada vez mais, transforma decisões de Estado em disputas de poder.

Messias, considerado tecnicamente preparado e com trajetória jurídica consolidada, acabou derrotado não apenas por votos, mas por um ambiente contaminado por interesses cruzados, pressões e disputas entre os Poderes.

Nesse contexto, ganha força a leitura feita pelo senador Alessandro Vieira, que destacou a necessidade de critérios mais objetivos e menos contaminados por paixões políticas em decisões dessa magnitude. Sua fala ecoa como um alerta: quando o Senado deixa de atuar como casa revisora e passa a agir como extensão de embates ideológicos, a institucionalidade perde força.

O próprio ministro do STF André Mendonça reforçou essa percepção ao comentar o episódio. Segundo ele, o Brasil “perde a oportunidade de ter um grande ministro”, numa declaração que sintetiza o sentimento de frustração com o desfecho da votação.

Reconhecido por uma postura equilibrada na Corte, Mendonça sinaliza que o problema vai além de um nome rejeitado, trata-se de um sintoma claro de desgaste institucional e de ruptura no diálogo entre os Poderes.

O episódio ainda revela um cenário preocupante: quando critérios políticos se sobrepõem ao debate técnico, a credibilidade das instituições entra em xeque. Não se trata de ignorar o papel soberano do Senado, que tem a prerrogativa constitucional de aprovar ou rejeitar indicações. Mas quando essa decisão parece guiada por uma “guerra” entre Senado, Supremo e governo federal, o prejuízo ultrapassa qualquer projeto político.

A política brasileira, nesse caso, parece ter descambado para um terreno onde o mérito já não basta. A sensação que fica é a de que, independentemente da qualificação do indicado, o resultado já estava condicionado a interesses maiores ou menores, dependendo do ponto de vista.

No fim, o “Fla-Flu do Messias” escancara uma realidade incômoda: quando a política vira guerra, a sociedade perde. Perde em estabilidade, perde em confiança e perde na capacidade de avançar. Porque, enquanto os atores políticos disputam espaço como torcidas organizadas, o país segue sem resposta para os seus principais problemas, que deveriam estar acima de qualquer jogo.

As informações/opiniões aqui escritas são de cunho pessoal e não necessariamente refletem os posicionamentos do AQUINOTICIAS.COM

Graduado em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade 2 de Julho e MBA em Comunicação Corporativa pela Unifacs, já trabalhou como produtor de jornalismo all news na Band News FM Salvador. Exerceu a função de assessor de imprensa e comunicação na Prefeitura de Madre de Deus, Grupo Varjão e Câmara Municipal de Salvador.