Cachoeiro celebra festa de Santo Antônio de Pádua neste sábado
Conhecido como santo casamenteiro e protetor de objetos perdidos, Santo Antônio de Pádua é celebrado neste sábado, 13 de junho.

Neste sábado, 13 de junho, a Igreja celebra a festa de Santo Antônio de Pádua, também conhecido como Santo Antônio de Lisboa, cidade onde nasceu. Um dos santos mais populares e venerados no mundo, ele é tradicionalmente invocado para encontrar objetos perdidos, devoção associada a um episódio vivido com um noviço. Também é conhecido como o “santo casamenteiro”, fama ligada à ajuda dada a uma jovem pobre que desejava se casar.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aquiEm Cachoeiro de Itapemirim, a devoção a Santo Antônio está diretamente ligada à história de um dos templos mais antigos e simbólicos do município: a Igreja de Santo Antônio. Sua trajetória acompanha a transformação de uma área rural em bairro urbano, a presença de ordens religiosas, a reorganização da Igreja Católica no sul do Espírito Santo e a formação das primeiras comunidades locais.
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A história do templo começou em 1915, quando Antônio Vivácqua e Etelvina Vivácqua doaram um terreno ao bispado do Espírito Santo. A área fazia parte de uma grande fazenda da família. A doação tinha dois sentidos: expressava a devoção pessoal de Antônio a Santo Antônio e também representava o desejo de urbanizar a região, formando ali um núcleo comunitário.
Dessa forma, a igreja não surgiu dentro de um bairro já formado. Ao contrário: o bairro nasceu ao redor da igreja.
Os primeiros responsáveis pela construção foram os padres da Congregação do Verbo Divino. Eles chegaram a iniciar a obra, mas os trabalhos foram interrompidos sem explicação e permaneceram inacabados por quase 20 anos. O período revela as dificuldades enfrentadas à época, como a falta de recursos, mudanças internas da congregação e os desafios para consolidar estruturas religiosas fora do centro urbano.
A retomada ocorreu em 1934, quando o prefeito Dr. Brício Mesquita desapropriou parte do terreno para dar simetria ao espaço e permitir a continuidade da construção. A partir desse momento, os Frades Agostinianos Recoletos assumiram a administração, a reconstrução e a organização pastoral da comunidade.
A obra foi reiniciada oficialmente em 22 de setembro de 1934, com bênção do pároco Frei Júlio Suite e de Fortunato José Ribeiro. A conclusão, no entanto, levaria cerca de 20 anos. Durante esse período, a igreja recebeu um harmônio, em 1936, além de bancos e via-sacra, passando a ser utilizada para celebrações mesmo antes de estar totalmente finalizada.
Esse uso precoce mostra que o templo já tinha grande importância como espaço comunitário, antes mesmo de sua conclusão arquitetônica.
A partir de 1953, a Igreja de Santo Antônio ganhou novo protagonismo. Em 8 de dezembro daquele ano, foi criada a Paróquia Nossa Senhora da Consolação, desmembrada da Paróquia São Pedro. No ano seguinte, em 1954, foi realizada no templo a primeira novena de Nossa Senhora da Consolação. Em 1955, a igreja tornou-se matriz provisória da nova paróquia.
A Igreja de Santo Antônio permaneceu como matriz até 28 de maio de 1960, quando foi inaugurada a Igreja de Nossa Senhora da Consolação. Com a nova matriz em funcionamento, as atividades pastorais foram transferidas e o antigo templo acabou fechado.
O uso esporádico e o abandono provocaram a deterioração do espaço. O altar-mor de madeira foi destruído por cupins, e a igreja perdeu sua função pastoral, passando a ser utilizada apenas ocasionalmente para reuniões e velórios.
Com o avanço das Comunidades Eclesiais de Base, inspiradas pelo Concílio Vaticano II, a Igreja de Santo Antônio voltou a ter vida. O templo passou por reformas realizadas pelos Frades da Ordem dos Agostinianos Recoletos, sob o comando do então pároco Frei Antônio Jacinto Gomes Junqueira, O.A.R., conhecido como Frei Toninho.
Nesse período, foram retomadas as celebrações, reorganizadas as atividades pastorais e fortalecidos os movimentos comunitários. O renascimento marcou a passagem do templo de espaço esquecido para símbolo vivo da fé popular.
Atualmente, a Igreja de Santo Antônio é considerada um marco histórico do bairro, ponto de devoção popular, espaço de memória afetiva e local ativo de celebrações. A programação em honra ao padroeiro inclui a Trezena de Santo Antônio, realizada de 31 de maio a 12 de junho, e a grande Festa de Santo Antônio, celebrada em 13 de junho.
Entre os fiéis, idosos e crianças estão entre os mais presentes, reforçando o papel da igreja como ponte entre gerações e como referência de fé, história e identidade comunitária em Cachoeiro de Itapemirim.
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