Saúde e Bem-estar

Usa adoçante? Leia e tome cuidado

Pesquisas indicam que alguns adoçantes artificiais podem provocar alterações no metabolismo, na microbiota intestinal e na cognição.

A foto mostra adoçante
Fonte: Magnific

Os adoçantes artificiais ganharam espaço como alternativa ao açúcar, principalmente entre pessoas com diabetes, obesidade ou que desejam emagrecer. No entanto, novas pesquisas levantam dúvidas sobre a segurança do consumo frequente dessas substâncias, especialmente sobre a substância chamada sa.

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Uma revisão científica publicada na revista “Current Atherosclerosis Reports” reuniu os resultados de diversos estudos clínicos e concluiu que alguns adoçantes de baixa caloria podem provocar alterações no metabolismo e na microbiota intestinal. Além disso, outro estudo recente apontou uma possível relação entre o consumo elevado desses produtos e o declínio cognitivo.

Embora os resultados ainda não sejam definitivos, os pesquisadores recomendam cautela até que novas evidências esclareçam os efeitos do uso prolongado.

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O que o novo estudo descobriu?

Pesquisadores da “Universidade Tufts”, nos Estados Unidos, analisaram “21 ensaios clínicos randomizados” realizados com adultos.

Ao comparar pessoas que consumiram adoçantes com participantes que ingeriram apenas água ou placebo sem calorias, os cientistas observaram:

  • aumento dos níveis de insulina em jejum;
  • elevação da hemoglobina glicada (HbA1c), marcador do controle da glicose;
  • tendência de redução da sensibilidade à insulina.

Esses resultados sugerem que alguns adoçantes podem interferir no funcionamento normal do metabolismo, mesmo sem fornecer calorias.

Microbiota intestinal pode explicar os efeitos

Uma das hipóteses mais estudadas envolve a microbiota intestinal, conjunto de bilhões de microrganismos que vivem no intestino.

Segundo os pesquisadores, os adoçantes entram em contato direto com essas bactérias e podem alterar sua composição e funcionamento.

Essas mudanças podem influenciar diversos processos do organismo, como:

  • controle da glicemia;
  • metabolismo energético;
  • resposta inflamatória;
  • funcionamento do sistema imunológico.

Apesar dessa hipótese ganhar força, os especialistas ressaltam que ainda são necessários novos estudos para confirmar essa relação.

Adoçantes também podem afetar a saúde do cérebro

Outra pesquisa recente, publicada na revista “Neurology” e conduzida por pesquisadores brasileiros, identificou uma possível associação entre o consumo elevado de adoçantes e um declínio cognitivo mais acelerado.

Os participantes que consumiam maiores quantidades dessas substâncias apresentaram pior desempenho em testes de memória, raciocínio e fluência verbal.

Os pesquisadores observaram associação principalmente com os seguintes adoçantes:

  • aspartame;
  • sacarina;
  • acessulfame-K;
  • eritritol;
  • sorbitol;
  • xilitol.

Já a tagatose não apresentou associação significativa nesse estudo. Ainda assim, os cientistas afirmam que isso não significa que seu consumo seja totalmente isento de riscos.

Como os adoçantes poderiam afetar o cérebro?

Os pesquisadores trabalham com algumas hipóteses para explicar essa possível relação.

Entre elas estão:

  • alterações na microbiota intestinal;
  • aumento da neuroinflamação;
  • possível ação neurotóxica de produtos formados durante a degradação dos adoçantes;
  • comprometimento da barreira hematoencefálica, estrutura que protege o cérebro contra agentes nocivos.

Até o momento, essas hipóteses ainda estão em investigação.

É preciso abandonar os adoçantes?

Os próprios pesquisadores reforçam que os resultados não significam que todas as pessoas devam eliminar imediatamente os adoçantes da alimentação.

Em muitos casos, substituir grandes quantidades de açúcar por adoçantes continua sendo uma estratégia útil, especialmente para pessoas com diabetes ou obesidade. No entanto, isso não significa que esses produtos sejam totalmente inofensivos.

Por isso, especialistas recomendam consumir adoçantes com moderação, priorizar uma alimentação baseada em alimentos naturais e evitar o excesso de produtos ultraprocessados. Enquanto novas pesquisas avançam, a melhor estratégia continua sendo o equilíbrio e o acompanhamento de um profissional de saúde para definir a opção mais adequada a cada pessoa.

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