Segurança

Quase R$ 1 bi em contratos: nove cidades do ES aparecem em investigação da PF

Empresas investigadas atuavam em construção, transporte, engenharia e serviços; contratos com prefeituras somam R$ 908,8 milhões.

Polícia Federal
Foto: Polícia Federal/Governo BR

Contratos milionários firmados por prefeituras do Espírito Santo estão no centro da Operação Colosso de Areia, deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (8). A investigação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo um grupo de empresas que atuava em áreas como construção, transporte, engenharia e prestação de serviços.

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Segundo a apuração, pelo menos nove cidades capixabas mantiveram contratos públicos com empresas investigadas entre 2017 e 2025. Juntas, as contratações chegaram a aproximadamente R$ 908,8 milhões, com parte dos valores ligada a recursos federais.

Entre os municípios citados estão Barra de São Francisco, Cachoeiro de Itapemirim, Cariacica, Iconha, Itapemirim, Presidente Kennedy, Serra, Vila Velha e Vitória. O número de cidades, no entanto, pode aumentar conforme o avanço das investigações.

De acordo com as informações levantadas, Presidente Kennedy concentrou mais de 40% das contratações. Em seguida aparecem Serra, com quase 15%, e Vila Velha, com cerca de 10%.

A maior parte dos valores foi empenhada entre 2024 e 2025. A Polícia Federal investiga se empresas de fachada foram usadas para ocultar e dissimular recursos oriundos desses contratos.

Ainda conforme a PF, as contratações feitas com municípios eram seguidas por subcontratações de outras empresas para a execução dos serviços. A investigação aponta movimentações financeiras incompatíveis com as atividades declaradas, transferências entre empresas e saques em espécie.

Ao todo, mais de R$ 30 milhões teriam sido sacados, o que, segundo a investigação, dificultaria o rastreamento dos valores. Durante a operação, os agentes apreenderam cerca de R$ 270 mil em dinheiro.

A Operação Colosso de Areia cumpriu 17 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça. As ordens foram realizadas em Vila Velha, Guarapari, Serra, Conceição do Castelo e Cachoeiro de Itapemirim. A ação contou com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU).

As apurações tiveram início após a prisão de dois homens que transportavam R$ 2 milhões em espécie, em setembro do ano passado. Segundo a investigação, o dinheiro estava distribuído em duas mochilas e uma sacola.

Um dos suspeitos foi apontado como possível laranja do esquema. Ele teria sido flagrado repassando a quantia ao outro homem. Os dois já foram denunciados à Justiça.

A partir dessa apreensão, a Polícia Federal passou a rastrear a origem dos valores. O trabalho levou os investigadores ao suposto esquema ligado aos contratos públicos e resultou na deflagração da Operação Colosso de Areia.

O nome da operação faz referência, segundo a corporação, à aparente solidez da estrutura financeira dos investigados, que seria sustentada por mecanismos fraudulentos de ocultação e dissimulação de recursos.

Os fatos apurados podem caracterizar lavagem de dinheiro e outros crimes relacionados à Administração Pública e ao sistema de licitações. Os investigados poderão responder conforme o avanço das apurações e a responsabilização individual.

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Jornalista com mais de uma década de experiência em produção de conteúdo jornalístico e cobertura de temas políticos, de segurança pública e institucionais. Atua com redação e edição de matérias para diferentes plataformas. Também possui experiência em comunicação política e eleitoral, assessoria de imprensa e redação publicitária.