Turismo

Do litoral às montanhas: descubra os encantos do município da Serra

A Serra está a cerca de 20 quilômetros do aeroporto de Vitória e é cortada pela BR-101, principal corredor rodoviário do estado.

As Ruínas da Igreja de São José do Queimado
Foto: Edson Reis/Prefeitura da Serra

Na região Metropolitana da Grande Vitória, a Serra é um dos municípios mais diversificados do Espírito Santo. A cidade combina desenvolvimento econômico, patrimônio histórico, manifestações culturais, praias, montanhas e experiências de agroturismo.

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A localização estratégica facilita o acesso ao município. A Serra está a cerca de 20 quilômetros do aeroporto de Vitória e é cortada pela BR-101, principal corredor rodoviário do estado.

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Além de abrigar um dos maiores polos industriais capixabas, o município se destaca como um destino turístico capaz de agradar diferentes perfis de visitantes. Em poucos minutos, é possível sair do litoral e chegar a áreas rurais, trilhas ecológicas, propriedades agrícolas e regiões montanhosas.

Praias para diferentes perfis de visitantes

Foto: Divulgação/Setur

A Serra possui aproximadamente 23 quilômetros de litoral. Ao longo da costa, o visitante encontra praias urbanizadas, trechos tranquilos, áreas semidesertas e paisagens cercadas pela vegetação de restinga.

Entre os principais balneários estão Carapebus, Bicanga, Manguinhos, Jacaraípe e Nova Almeida. Cada localidade apresenta características próprias e oferece diferentes opções de lazer, gastronomia e contato com a natureza.

Jacaraípe ganhou reconhecimento como a “Vila do Surf”. As condições do mar atraem praticantes da modalidade durante grande parte do ano, além de favorecerem a realização de campeonatos de surf, vôlei de praia e beach soccer.

Manguinhos preserva a atmosfera de uma antiga vila de pescadores. As ruas tranquilas, o mar calmo e os restaurantes transformaram o balneário em uma das principais referências gastronômicas do município.

O tradicional Festival Manguinhos Gourmet também contribui para movimentar a região. O evento reúne estabelecimentos, chefs e visitantes interessados na culinária capixaba.

No norte do litoral serrano está Nova Almeida, uma das localidades históricas mais importantes do Espírito Santo. O distrito reúne praias, paisagens naturais e construções que ajudam a contar os primeiros capítulos da colonização do estado.

Reis Magos preserva parte da história capixaba

Igreja dos Reis Magos, Serra
Foto: Gabriel Lordello/Mosaico Imagem

Um dos principais patrimônios de Nova Almeida é a Igreja e Residência dos Reis Magos. A construção foi iniciada pelos jesuítas no século XVI e está entre os monumentos históricos mais importantes do Espírito Santo.

Tombado pelo patrimônio histórico nacional, o conjunto arquitetônico conserva características do período colonial e recebe visitantes de diferentes regiões. Do alto da área onde está localizado, também é possível contemplar parte do litoral serrano.

O monumento representa a presença das missões religiosas na formação da região e mantém viva uma parte importante da história indígena, religiosa e colonial do estado.

Mestre Álvaro é referência para o ecoturismo

Foto: Divulgação/Prefeitura da Serra

O Mestre Álvaro domina a paisagem da Serra e pode ser visto de diversos pontos da Grande Vitória. Com mais de 800 metros de altitude, o maciço está protegido por uma Área de Proteção Ambiental.

O local é um dos principais destinos de ecoturismo da região. Suas trilhas atraem visitantes interessados em atividades ao ar livre, observação da fauna e da flora e contato com áreas preservadas.

Durante os percursos, os aventureiros encontram diferentes formações naturais e pontos com vistas panorâmicas da Grande Vitória. A experiência exige preparação e respeito às orientações de preservação ambiental.

A proximidade entre o Mestre Álvaro, as praias e a área urbana reforça uma das principais características turísticas da Serra: a possibilidade de reunir diferentes experiências em um mesmo roteiro.

Agroturismo valoriza a produção rural

A zona rural do município preserva atividades ligadas à agricultura familiar e aos costumes do interior capixaba. As propriedades recebem visitantes interessados em conhecer a produção local e acompanhar parte da rotina das famílias rurais.

Os circuitos de agroturismo oferecem produtos artesanais, alimentos coloniais e experiências gastronômicas. Entre os itens encontrados estão cafés especiais, licores, doces caseiros e pratos preparados com ingredientes cultivados na própria região.

Além de ampliar as opções de lazer, o turismo rural ajuda a fortalecer a agricultura familiar, gerar renda e preservar conhecimentos transmitidos entre gerações.

A atividade também aproxima moradores e turistas das tradições rurais que participaram da formação econômica e cultural do município.

Congo mantém viva a identidade cultural

Foto: Divulgação/Setur

A Serra é um dos principais redutos do Congo no Espírito Santo. A manifestação reúne música, dança, religiosidade, fé e tradições populares.

As bandas utilizam tambores, caixas e a tradicional casaca, instrumento de madeira considerado um dos símbolos da cultura capixaba. Os cortejos também contam com mestres, rainhas, princesas e integrantes das comunidades.

Os cantos e ritmos preservam memórias indígenas, africanas e religiosas. Ao longo dos anos, as bandas de Congo se tornaram fundamentais para a valorização da identidade cultural do município.

Uma das principais celebrações ocorre durante a Festa de São Benedito, em Nova Almeida. A programação reúne manifestações religiosas e culturais e atrai moradores e visitantes.

Mais do que uma apresentação artística, o Congo representa a continuidade de conhecimentos, histórias e práticas mantidas pelas comunidades serranas.

Origens da Serra remontam ao século XVI

A história da Serra começou nos primeiros anos da colonização portuguesa. Antes da chegada dos europeus, a região era habitada por povos indígenas, especialmente os Temiminós.

Entre os principais personagens indígenas desse período estavam o cacique Maracajá-Guaçu e seu filho Arariboia. Eles participaram de alianças que tiveram papel decisivo nos conflitos e na ocupação da região.

O padre jesuíta Brás Lourenço também teve participação na formação do núcleo populacional. Ele chegou ao Brasil em 1553 na mesma missão religiosa que trouxe o padre José de Anchieta.

A atuação conjunta de missionários e indígenas deu origem à Aldeia de Nossa Senhora da Conceição da Serra. A organização do povoamento avançou no início do século XVII, acompanhando a construção de espaços religiosos e administrativos.

Em 1752, a localidade foi elevada à categoria de freguesia por determinação da Coroa Portuguesa. A instalação oficial ocorreu posteriormente, após a construção da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição.

Em 1822, a região passou à categoria de vila. O Município da Serra foi criado oficialmente em 2 de abril de 1833, após ser desmembrado de Vitória. A instalação ocorreu em 19 de agosto do mesmo ano.

A sede municipal recebeu o título de cidade em 6 de novembro de 1875, consolidando sua importância política e administrativa no Espírito Santo.

Insurreição de Queimado marcou luta pela liberdade

Entre os episódios mais importantes da história da Serra está a Insurreição de Queimado. O movimento ocorreu em 19 de março de 1849, na localidade de São José do Queimado.

A revolta reuniu pessoas escravizadas que reivindicavam a liberdade prometida durante a construção da Igreja de São José. O movimento foi reprimido pelas forças imperiais, mas se tornou um dos maiores símbolos da resistência negra no Espírito Santo.

Chico Prego e João da Viúva estão entre os principais nomes ligados à insurreição. Suas trajetórias permanecem na memória histórica como exemplos da luta contra a escravidão.

As ruínas da Igreja de São José do Queimado preservam parte dessa história. O local representa um importante espaço de memória e reflexão sobre a resistência da população negra no estado.

Comércio e agricultura impulsionaram o município

Na segunda metade do século XIX, a Serra passou por um período de crescimento econômico. A posição entre Vitória e o norte do Espírito Santo favoreceu a circulação de pessoas e mercadorias.

A agricultura, especialmente a produção de açúcar e café, teve papel relevante nesse processo. A pecuária e outras atividades rurais também contribuíram para a economia local.

O Rio Santa Maria da Vitória era utilizado para o transporte de produtos agrícolas e alimentos. Na região de São José do Queimado, o Porto do Una ajudava a conectar as comunidades rurais aos principais centros comerciais da província.

Grandes canoas transportavam mercadorias pelo rio, fortalecendo a integração da Serra com outras localidades capixabas.

Industrialização transformou a cidade

Até a década de 1970, a Serra possuía uma população menor, formada principalmente por comunidades ligadas à pesca, à agricultura e às atividades rurais.

A expansão industrial da Grande Vitória mudou esse cenário. O município passou por um rápido crescimento populacional e recebeu famílias de diversas regiões do Brasil.

Em poucas décadas, a Serra se transformou em um dos principais polos econômicos e urbanos do Espírito Santo. Novos bairros surgiram, a infraestrutura foi ampliada e as atividades industriais ganharam espaço.

Mesmo diante das transformações, diferentes comunidades continuam preservando costumes religiosos, culturais e rurais. Essa convivência entre desenvolvimento e tradição tornou-se uma das principais características do município.

Com informações da Secretaria de Estado de Turismo (Setur).

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