Ato do Podemos faz Dr. Bruno Resende recalcular rota

O ato de filiação do Podemos no Espírito Santo provocou um efeito imediato nos bastidores e obrigou o deputado estadual Dr. Bruno Resende (União) a recalcular sua rota política-partidária, inclusive com a possibilidade de deixar a base do vice-governador e pré-candidato ao comando do Palácio Anchieta, Ricardo Ferraço (MDB).

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Não porque ele queira, mas por sobrevivência e manutenção do desejo de representar o Espírito Santo como deputado federal em Brasília.

Nos bastidores, corre a informação de que o deputado estadual Dr. Bruno Resende estava em fase avançada de articulação para se filiar ao Podemos, amparado, segundo interlocutores, por um acordo com o deputado federal Gilson Daniel, presidente estadual da sigla.

O compromisso previa a formação de uma chapa proporcional mais controlada, sem a entrada de nomes com alto poder de voto na disputa para a Câmara Federal, uma vez que em eleições proporcionais, levando em consideração o quociente eleitoral, a presença de múltiplos “puxadores de voto” pode diluir as chances de eleição, tornando a disputa mais imprevisível.

No entanto, o cenário mudou com a filiação de Serginho Vidigal ao Podemos. A decisão foi interpretada por aliados de Dr. Bruno como um rompimento direto do entendimento inicial. E não por acaso.

Serginho não chega sozinho: ele carrega o peso político do pai, o ex-prefeito da Serra Sérgio Vidigal, uma liderança consolidada no maior colégio eleitoral do Espírito Santo.

Herdeiro político não só do pai, mas também da mãe, a ex-deputada federal Sueli Vidigal, Serginho chega com potencial eleitoral robusto, ancorado, sobretudo, no histórico de articulação do clã Vidigal, que já demonstrou força ao impulsionar a eleição de Weverson Meireles como prefeito do município da Serra.

Na prática, isso altera completamente o equilíbrio interno da chapa. Para Bruno Resende, isso significa uma redução concreta de competitividade, justamente o oposto do que buscava ao negociar sua filiação.

A insatisfação, portanto, não é apenas política, mas também matemática. Ela nasce da percepção de que o ambiente eleitoral dentro do partido deixou de ser favorável. E, nesse contexto, a permanência passa a ser questionada.

Diante desse novo cenário, a leitura de aliados de Dr. Bruno é pragmática: a presença de mais um “puxador de votos” na mesma chapa, que já conta com um deputado federal forte, que é o Gilson Daniel, reduz significativamente sua competitividade.

Nesse contexto, o grupo político do deputado estadual passa a considerar alternativas. Entre elas, a possibilidade de Dr. Bruno Resende migrar para outras siglas com uma configuração eleitoral mais favorável, como PSD, PSDB, PSB e, até mesmo, o Republicanos, partido que hoje polariza com a base de Ricardo Ferraço.

A eventual mudança representaria não apenas uma escolha estratégica, mas também um reposicionamento político.

Déjà vu

Vale ressaltar que essa não é a primeira vez que o deputado Dr. Bruno Resende precisa recalcular a rota para disputar uma eleição.

Em 2022, situação semelhante ocorreu nas eleições para deputado estadual, quando, mesmo diante de acordos prévios, o Progressistas filiou o experiente Theodorico Ferraço, alterando o equilíbrio interno da chapa, frustrando expectativas, e forçando-o a migrar para o União Brasil.

A janela partidária, aberta até o dia 4 de abril, mantém o jogo aberto e indica que novos movimentos ainda podem surgir.

As informações/opiniões aqui escritas são de cunho pessoal e não necessariamente refletem os posicionamentos do AQUINOTICIAS.COM

Graduado em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade 2 de Julho e MBA em Comunicação Corporativa pela Unifacs, já trabalhou como produtor de jornalismo all news na Band News FM Salvador. Exerceu a função de assessor de imprensa e comunicação na Prefeitura de Madre de Deus, Grupo Varjão e Câmara Municipal de Salvador.