De vila de pescadores a locomotiva do litoral Sul do Espírito Santo

Um viajante no tempo que viesse de Marataízes nos anos 1950 até este mês de setembro de 2026 não reconheceria a cidade.

Foto: Divulgação/PMM

Um viajante no tempo que viesse de Marataízes nos anos 1950 até este mês de setembro de 2026 não reconheceria a cidade. De uma pequena vila de pescadores, frequentada nos verões apenas por famílias abastadas de Cachoeiro de Itapemirim, a Pérola Capixaba chegou ao primeiro quarto do Século XXI com um crescimento vertiginoso na população e, principalmente, na economia. Mas o que ou quem fez de Marataízes a cidade pujante que é hoje.

Tudo começa nos anos 1960, quando Carlos Imperial, produtor musical e de televisão cachoeirense famoso na época e muito influente no show business, começou a trazer artistas para conhecer Marataízes. A cidade, nessa época, de vila de pescadores passou a ser um balneário, ainda pacato, porém já conquistando fama nacional, rivalizando com Guarapari.

Nessa mesma época, começaram os loteamentos que iniciaram a expansão urbana de Marataízes. Assim nasceram os bairros Cidade Nova, Elza, Areias Negras, Xodó… Em segunda vieram os loteamentos de Nova Marataízes, Lagoa Funda e outros. Muitos foram frutos do trabalho do meu pai, Humberto Mignone Júnior, agrimensor e topógrafo, que desbravou praticamente todo o Sul do atual município de Marataízes, o litoral de Presidente Kennedy e até áreas do Norte Fluminense.

Voltando aos famosos que passaram temporadas em Marataízes, cito nomes como Leila Diniz, Jô Soares, Chico Anysio, Renato Aragão, Chacrinha, Milton Nascimento, Rubem Braga e muitos outros. Vários vieram se apresentar no saudoso Iate Clube e gostaram tanto de Marataízes que voltaram depois. O craque Tostão, da Copa de 1970, chegou até a ter uma casa na cidade, que ainda existe, ali pertinho do Supermercado Da Praça, antigo Multishow e do mais antigo ainda mercado do Seu Malvino Perin.

Nas décadas de 1970 e 1980 Marataízes chegou ao auge no turismo, se consolidando como destino de milhares de turistas no verão e férias de julho. As praias lotavam. Os shows e o Carnaval atraíam muita gente jovem. Cada baile de Carnaval do Iate chegava a juntar mais de 8 mil foliões no clube. Nesta época, Marataízes, mesmo ainda não sendo Município emancipado, teve três grandes políticos responsáveis pelo crescimento da cidade. Falo dos então prefeitos de Itapemirim João Bechara, Erivelton Meirelles e Benedito Enéas Muqui.

Todos contribuíram muito para o desenvolvimento da cidade, entretanto, tenho que destacar a gestão de Benedito, considerado por muitos historiadores locais o primeiro prefeito de Itapemirim a olhar com mais carinho para a Pérola Capixaba. Foi em sua gestão que Marataízes passou a ter limpeza diária motorizada das praias e foi instalada a lagoa natural de tratamento de esgoto do balneário, a primeira do tipo no Espírito Santo.

Em 1992 veio a emancipação. A instalação do Município em 1997 coincidiu com uma drástica mudança no turismo. Com pacotes aéreos mais baratos, os turistas de fora trocaram Marataízes pelas praias do Nordeste. Isso foi agravado pelo avanço do mar que destruiu boa parte da Avenida Atlântica no Centro e da Rua Vitória na Praia da Colônia e Areia Preta.

O cenário só começou a mudar com o engordamento da Praia Central, iniciado no último ano da primeira gestão do prefeito Toninho Bitencourt e concluído em dezembro de 2021. Na mesma época começou o projeto do Porto Central em Presidente Kennedy. Esses dois fatores causaram a migração de muitos novos moradores para Marataízes e também o aumento da quantidade de turistas na cidade.

Nos últimos anos, principalmente de 2025 em diante, a Pérola Capixaba acelerou o desenvolvimento, sendo um dos municípios que mais cresce no Espírito Santo. Somente no primeiro semestre de 2026 foram registradas 560 novas empresas no Município, que também conquistou o 7º lugar no Estado e o 1º lugar no Sul capixaba em qualidade de vida.

E Marataízes está se preparando para mais. Estão nos planos da Administração Municipal a readequação no abastecimento de água no Município em parceria com o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) e a cidade ganhará em breve a atualização do Plano Diretor Municipal (PDM), marco regulatório essencial para o crescimento de Marataízes.

De uma vila de pescadores há 70 anos, passando por balneário famoso e chegando a locomotiva do Litoral Sul capixaba, Marataízes deixou de ser apenas a terra do abacaxi doce que nem mel para ser um pólo econômico regional no Espírito Santo. Como dizem os maratimbas mais antigos, “é o fraco” esse Município!

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As informações/opiniões aqui escritas são de cunho pessoal e não necessariamente refletem os posicionamentos do AQUINOTICIAS.COM

Ricardo Mignone é jornalista formado na UFES, pós-graduado pala USP/FACAMP em Mercado Financeiro, Derivativos Mercado de Capitais (MBA).