Dia da Árvore… é pra comemorar ou lamentar?
O 21 de setembro marca não só o fim do Inverno e o início da Primavera no Hemisfério Sul, mas nessa data acontece também o Dia da Árvore.

Por Ricardo Mignone
O 21 de setembro marca não só o fim do Inverno e o início da Primavera no Hemisfério Sul, mas nessa data acontece também o Dia da Árvore. Agora, será que podemos comemorar a data ou ela é um dia para lamentamos? Na minha opinião, o Dia da Árvore é uma oportunidade para a Humanidade refletir.
Refletir sobre o que estamos causando ao meio ambiente desde a Antiguidade, destruindo progressivamente a vegetação nativa em todas as partes do planeta. Esse processo acelerou após a Revolução Industrial e nas últimas décadas mais ainda.
Aqui no Brasil, não é diferente. Alguns biomas já foram muito degradados, como a Mata Atlântica e o Cerrado. E a Amazônia, pulmão do mundo, caminha a passos largos para o mesmo destino. Ocupação desordenada, madeireiras e garimpos ilegais, grilagem de terras públicas, queimadas criminosas… São inúmeros os ataques à Floresta.
E vou mais longe… Há outra “floresta” tão importante para a sobrevivência humana e do planeta quanto à composta por vegetação terrestre. É o fitoplâncton, responsável por 50% a 80% da produção de oxigênio no mundo. A flora marítima também sofre degradação extrema, causada principalmente pelo aquecimento das águas dos oceanos e pela poluição química dos plásticos.
Ainda existe solução para reverter essa realidade? Sim. As políticas de proteção ao meio ambiente adotadas desde 2003 e retomadas em 2023 ajudam aqui no Brasil, porém a luta é desigual. Em outros continentes como na África, os países onde ocorre o limite do deserto do Saara com a região de savanas estão plantando bilhões de árvores para formar uma barreira natural. O mesmo está sendo feito no deserto de Gobi, na China. Mas ainda é pouco, sobretudo quando vemos o governo de Donald Trump abandonar todos os fóruns mundiais de discussão e defesa do meio ambiente e promover uma política baseada no “Deus proveu para o homem, então vamos destruir e desfrutar”.
O mesmo risco existe aqui no Brasil, onde a extrema-direita tem como “programa” voltar a “abrir a porteira” da proteção ambiental e “deixar a boiada passar”.
Uma outra solução, muito mais radical e inviável para a nossa espécie, seria a humanidade deixar de existir para o planeta Terra se recuperar sozinho. Alguém deseja isso?
Por isso digo que as eleições não só no Brasil, mas também nos EUA e outros países, são disputas entre salvar o planeta e a nossa civilização e a política do destruir tudo em nome do lucro de poucos.
Então, como eu disse no início deste artigo, o Dia da Árvore pode ser comemorado sim, mas é necessária uma reflexão profunda sobre o que queremos para o nosso futuro e o do planeta.
*** Ricardo Mignone é jornalista formado na UFES em 1989, com MBA Mercado Financeiro pela USP/FACAMP em 2002.
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