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Inflação – Problemas Internos (Parte 2)

Na última coluna comentei sobre os fatores que levaram ao aumento da inflação na maior parte dos países, por conseguinte, hei de avaliar os fatores internos da economia brasileira. As políticas que o governo adotou durante a pandemia, diminuição da taxa Selic para 2% (juros básicos da economia) e as incertezas quanto ao fiscal, culminaram […]

em 27 de jun de 2022, às 07h52

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Na última coluna comentei sobre os fatores que levaram ao aumento da inflação na maior parte dos países, por conseguinte, hei de avaliar os fatores internos da economia brasileira. As políticas que o governo adotou durante a pandemia, diminuição da taxa Selic para 2% (juros básicos da economia) e as incertezas quanto ao fiscal, culminaram na disparada do dólar.

Entre março de 2018 até julho de 2019 o Banco Central (BC) manteve a Selic em 6,5% a.a, durante esse mesmo período, o dólar saiu de R$3,77 (01/03/2018) para R$3,74 (19/07/2019), ou seja, mesma com a troca de presidente o câmbio manteve-se estável mediante à manutenção da taxa básica. Contudo, a partir dessa data os juros começam a ser reduzidos drasticamente, caindo para 2% a.a em agosto de 2021.

Embora a relação possa não ser clara, alterações nos juros afetam o preço do real frente às outras moedas, dessa forma, houve uma saída maciça de dólares a partir do ano de 2020. Com a desvalorização do real, o preço de diversos produtos subiu consideravelmente, portanto, além de termos que amargar a disparada das commodities, o dólar pressiona os preços ainda mais para cima.

Adicionalmente, com o começo da pandemia, o governo atual começou a relativizar o teto de gastos e a responsabilidade fiscal, por isso, flexibilizamos o orçamento e demos calote parcial no pagamento de precatórios. De forma geral, essas indefinições geram desconfiança quanto a capacidade de o ente público honrar suas contas, causando saída de capitais. Assim, temos a segunda característica que levou à desvalorização do câmbio e, consequentemente, no encarecimento dos bens e serviços.

De acordo com o relatório Focus, do próprio BC, o IPCA acumulado dos últimos 12 meses deve ficar abaixo dos dois dígitos apenas em setembro de 2022, além disso, estará na meta só em meados de 2023, logo, teremos mais tempos difíceis. É evidente que pagaríamos mais caro nos produtos depois da pandemia, a maioria dos países estão batendo recorde de inflação, contudo, infelizmente as políticas adotadas amplificaram um problema que já era grande demais.

Rafael Altoé é mestrando em Administração pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), e apaixonado por Economia.

As informações/opiniões aqui escritas são de cunho pessoal e não necessariamente refletem os posicionamentos do AQUINOTICIAS.COM

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