O Espírito Santo deixou de ser o patinho feio. E agora?

De fato, o Espírito Santo de hoje está muito distante daquele Estado que, durante décadas, precisou lutar para ser percebido entre vizinhos do tamanho e da força econômica de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo

Foto ampla mostrando o itabira e o Frade e a Freia, além de bairros de Cachoeiro de Itapemirim
Foto: Kimberlly Soares / aquinoticias.com

Há uma frase no discurso do deputado federal Da Vitória, durante a convenção que confirmou sua candidatura à reeleição, na quarta-feira (5) que merece sobreviver à própria convenção.

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Ao defender a continuidade do projeto político do qual faz parte, ele afirmou que o Espírito Santo deixou de ser o “patinho feio do Sudeste” e se tornou uma referência nacional. Independentemente da preferência partidária de cada eleitor, existe aí uma boa provocação.

De fato, o Espírito Santo de hoje está muito distante daquele Estado que, durante décadas, precisou lutar para ser percebido entre vizinhos do tamanho e da força econômica de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. O Estado ganhou organização fiscal, capacidade de investimento, projeção econômica e mais espaço político.

Talvez, portanto, a pergunta para a eleição de 2026 já não seja apenas como fazer o Espírito Santo avançar. O questionamento é mais difícil: como fazer esse avanço chegar a todo o Espírito Santo?

Porque médias estaduais são excelentes para medir desempenho, mas não necessariamente para revelar desigualdades territoriais. Um Estado pode crescer e, ao mesmo tempo, ter regiões avançando em velocidades diferentes. É aí que a discussão eleitoral começa a ficar realmente interessante.

Cachoeiro de Itapemirim e seu entorno possuem uma economia diferente daquela encontrada no Litoral Sul. O Caparaó tem demandas próprias. A Região Serrana, considerada, em parte, Sul do Estado, possui outra dinâmica. São territórios relativamente próximos no mapa, mas bastante diferentes em vocações, gargalos e possibilidades. Isso sem falar nas outras regiões capixabas.

E boa parte das grandes transformações que podem mudar a escala econômica dessas regiões não depende exclusivamente das prefeituras ou do governo estadual.

Infraestrutura de transportes, grandes corredores logísticos, investimentos estruturantes, políticas de desenvolvimento regional, crédito, conectividade e articulação com órgãos federais passam, em maior ou menor medida, por Brasília.

É justamente nesse ponto que uma bancada federal pode valer muito mais do que a soma individual de seus parlamentares. Em um Estado pequeno diante do tamanho da Federação, atuar em conjunto não é apenas uma demonstração de harmonia política. É estratégia. Espírito Santo unido em Brasília tem mais capacidade de defender prioridades do que dez parlamentares caminhando em dez direções diferentes.

Da Vitória colocou em seu discurso três palavras: segurança, estabilidade e previsibilidade. São atributos importantes para quem pretende atrair investimentos e planejar o desenvolvimento de longo prazo. Eu acrescentaria uma quarta: equilíbrio.

O Espírito Santo efetivamente venceu a etapa de deixar de ser o “patinho feio” do Sudeste e talvez tenha chegado a hora de enfrentar uma tarefa mais sofisticada: garantir que as oportunidades produzidas por esse novo momento sejam distribuídas pelo território.

E essa é uma boa régua para 2026. Da Vitória disputará o terceiro mandato. Outros candidatos tentarão chegar à Câmara pela primeira vez. Alguns defenderão continuidade; outros, mudança. Pouco importa, para esta discussão, a posição ocupada por cada um. A pergunta pode ser exatamente a mesma para todos: qual é o seu projeto para fazer o desenvolvimento atravessar o Espírito Santo inteiro?

Deixar de ser o patinho feio foi muito importante e ainda celebramos esse feito. Mas agora é hora de discutir e decidir qual é o Espírito Santo queremos ser depois disso.

As informações/opiniões aqui escritas são de cunho pessoal e não necessariamente refletem os posicionamentos do AQUINOTICIAS.COM