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Palavras têm poder

“Vai aumentar o dólar, cair a bolsa? Paciência”. “É bom se acostumar com o dólar mais alto por um bom tempo”. “Eu nunca vi um mercado tão bravo quanto o nosso”. Atacar o mercado e varrer para debaixo do tapete os problemas fiscais é a estratégia predileta dos governantes populistas. Há algum tempo atrás, a […]

em 29 de nov de 2022, às 08h48

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“Vai aumentar o dólar, cair a bolsa? Paciência”. “É bom se acostumar com o dólar mais alto por um bom tempo”. “Eu nunca vi um mercado tão bravo quanto o nosso”. Atacar o mercado e varrer para debaixo do tapete os problemas fiscais é a estratégia predileta dos governantes populistas.

Há algum tempo atrás, a primeira-ministra britânica apresentou um plano de aumento dos gastos públicos e corte de impostos, sem nenhuma contrapartida fiscal. Diante da situação, o demonizado “mercado” encarregou-se de desvalorizar a Libra e desequilibrar os juros dos títulos públicos. Consequentemente, Liz Truss se tornou a premier mais curta da história.

Recentemente, após a finalização das eleições, o futuro governo propôs a PEC da Transição para bancar promessas eleitorais e alguns jabutis. O principal problema da proposta é que ela resolve o problema da pior forma possível: desequilibrando as contas públicas.

No atual momento, nenhuma medida foi concretizada, entretanto, meras palavras e afirmações lacradoras têm um efeito perverso sobre a economia. Se o ministro da economia afirma que os brasileiros precisam se acostumar com dólar alto, o mercado antecipará. Se o futuro presidente defende o aumento do dólar e a queda da bolsa, o mercado também antecipará.

Não há como fugir das obrigações do mundo real com frases de efeito, irresponsabilidade orçamentária traz consequências danosas para a economia. Se já não basta os inúmeros casos de fracasso observados na América Latina, até mesmo a Grécia trouxe o caos à Zona do Euro depois de décadas de populismo e sucessivos déficits.

Caso eu pudesse dar um conselho simples aos nossos políticos, resumiria na seguinte frase: calem a boca. Como diria Tio Ben, “Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”, logo, esperar-se-ia que os poderosos tivessem zelo por suas palavras. Tudo que o Brasil precisa agora é de estabilidade, tentar lacrar perante o mercado apenas piorará o cenário.

Rafael Altoé é mestrando em Administração pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), e apaixonado por Economia. 

As informações/opiniões aqui escritas são de cunho pessoal e não necessariamente refletem os posicionamentos do AQUINOTICIAS.COM

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