Recorde de vendas do Minha Casa, Minha Vida exige atenção redobrada

O programa Minha Casa, Minha Vida respondeu por parcela significativa desse desempenho, consolidando-se como principal motor do setor.

Foto: Divulgação

Por Filipe Machado

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O mercado imobiliário brasileiro encerrou 2025 com números históricos. Dados divulgados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção apontam mais de 453 mil unidades lançadas e 426 mil vendidas ao longo do ano, mesmo em um cenário de juros elevados. O programa Minha Casa, Minha Vida respondeu por parcela significativa desse desempenho, consolidando-se como principal motor do setor.

Em valores, o mercado movimentou R$ 292,3 bilhões em lançamentos e R$ 264,2 bilhões em vendas. O volume expressivo revela a força da demanda habitacional e a importância social do programa, especialmente para famílias que desejam sair do aluguel e conquistar a casa própria.

O crescimento, no entanto, traz consigo um ponto que precisa ser discutido com maturidade: a qualidade técnica na entrega dos imóveis.

Quando o setor acelera, as obras se multiplicam, os cronogramas ficam mais pressionados e a rotatividade de equipes aumenta. Isso não significa, automaticamente, queda de qualidade, mas exige atenção redobrada do comprador no momento mais sensível do processo, o recebimento das chaves.

A entrega do imóvel não deve ser encarada apenas como uma formalidade administrativa. Trata-se de um ato técnico. É nesse momento que precisam ser avaliados itens como nivelamento de pisos, funcionamento de esquadrias, estanqueidade de áreas molhadas, instalações elétricas e hidráulicas e a conformidade com o projeto aprovado.

Pequenas falhas aparentes, se não registradas adequadamente, podem se transformar em problemas estruturais, infiltrações ou custos inesperados no futuro. Uma vez assinado o termo de recebimento sem ressalvas, o comprador pode ter mais dificuldade para exigir correções.

Nesse contexto, a presença de um engenheiro na vistoria de entrega deixa de ser um luxo e passa a ser uma medida preventiva. O profissional possui capacidade técnica para identificar vícios construtivos que muitas vezes passam despercebidos ao olhar leigo, registrar as inconformidades de forma adequada e orientar quanto aos prazos de garantia previstos na legislação.

O Minha Casa, Minha Vida tem papel fundamental na redução do déficit habitacional e no fortalecimento da economia. O recorde de 2025 demonstra a vitalidade do setor e indica perspectivas ainda mais positivas para 2026, caso se confirme o ciclo de redução da taxa básica de juros.

Mas é preciso lembrar que, para a maioria das famílias, o imóvel é o maior investimento da vida. Todo investimento relevante exige análise técnica.

Celebrar o crescimento do mercado é legítimo. Garantir que esse crescimento venha acompanhado de segurança, qualidade e responsabilidade é essencial. A conquista da casa própria deve representar estabilidade e tranquilidade, não o início de novos problemas.

*** Filipe Machado é reconhecido pela experiência em perícias, auditorias, projetos e consultorias de engenharia. Formado em Engenharia Civil e Ambiental, acumula mais de 14 anos de atuação no mercado, tendo trabalhado em obras, avaliações técnicas, diagnósticos prediais, gestão de manutenção e suporte a condomínios e empresas. É também autor de três livros sobre carreira, mercado de trabalho e desenvolvimento profissional para engenheiros e estudantes da área tecnológica. Atualmente ocupa o cargo de Diretor-Geral da Mútua-ES, braço assistencial do Sistema Confea/Crea.

As informações/opiniões aqui escritas são de cunho pessoal e não necessariamente refletem os posicionamentos do AQUINOTICIAS.COM