Seu condomínio talvez não consiga executar todas as manutenções que precisa

Depois de mais de 14 anos atuando com inspeções prediais, perícias e auditorias técnicas em condomínios, percebi uma realidade que poucas pessoas têm coragem de dizer

Foto: Ilustrativo/Freepik

Depois de mais de 14 anos atuando com inspeções prediais, perícias e auditorias técnicas em condomínios, percebi uma realidade que poucas pessoas têm coragem de dizer de forma clara em assembleias: muitos prédios simplesmente não conseguem executar todas as manutenções corretivas acumuladas ao longo dos anos.

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E isso não acontece apenas em edifícios populares. Também acontece em condomínios de médio e alto padrão.

Com o envelhecimento das edificações, os problemas começam a surgir ao mesmo tempo. Infiltrações, ferragens expostas, deterioração de fachadas, impermeabilizações vencidas, instalações antigas e falhas estruturais passam a aparecer em sequência. O problema é que, muitas vezes, o custo para resolver tudo de uma única vez é extremamente elevado.

É justamente nesse momento que surge uma discussão importante sobre o verdadeiro papel técnico do engenheiro.

Porque, na prática, não adianta apenas entregar um laudo técnico apontando dezenas de problemas sem ajudar o condomínio a compreender o que realmente oferece risco imediato, o que pode aguardar e quais intervenções devem ser priorizadas primeiro.

Infelizmente, muitos condomínios vivem apenas “apagando incêndios”. As decisões normalmente acontecem quando o problema já saiu do controle, seja após infiltrações graves, desprendimentos de revestimentos, danos estruturais ou conflitos internos entre moradores.

Por isso, tenho defendido uma engenharia mais estratégica e menos burocrática. Uma engenharia que não apenas identifique problemas, mas que ajude síndicos, conselhos e moradores a tomarem decisões técnicas responsáveis e financeiramente possíveis.

Isso inclui classificação de riscos, planejamento por etapas, cronogramas de correção, elaboração de planilhas orçamentárias estimativas e até apoio técnico em assembleias para auxiliar nas tomadas de decisão.

Muitas vezes, o condomínio nunca conseguiu visualizar quanto realmente custa recuperar a edificação ao longo do tempo. E sem essa visão clara, a gestão fica perdida entre urgências, pressão dos moradores e decisões emocionais.

Outro ponto importante é entender que manutenção predial não significa apenas estética. Antes disso, significa segurança, durabilidade e preservação da vida útil da edificação.

Em muitos casos, o primeiro objetivo não será deixar o prédio perfeito. O mais importante inicialmente será reduzir riscos, evitar acidentes e impedir que os problemas se tornem ainda mais caros no futuro.

Condomínios com planejamento técnico conseguem contratar melhor, negociar melhor e gastar com mais inteligência. Enquanto isso, condomínios sem direção técnica normalmente vivem apenas reagindo aos problemas.

Apontar problemas é importante. Mas ajudar o condomínio a entender por onde começar talvez seja ainda mais importante.

Filipe Machado
Engenharia Diagnóstica, Auditorias e Perícias Prediais
@filipemachado.eng

As informações/opiniões aqui escritas são de cunho pessoal e não necessariamente refletem os posicionamentos do AQUINOTICIAS.COM