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Testosterona sem indicação pode aumentar riscos ao coração

Estudo associa testosterona usada sem indicação a maior risco cardiovascular e reforça a importância do diagnóstico antes da reposição.

A Foto mostra rapaz fazendo uso de testosterona
Fonte: Magnific

A testosterona é um hormônio importante para várias funções do organismo. Porém, seu uso sem necessidade médica pode trazer riscos, especialmente quando envolve doses acima das fisiológicas.

Um estudo publicado em 2026 na revista eBioMedicine associou o início de terapia com testosterona em homens sem deficiência hormonal documentada a um aumento de 51% no risco de eventos cardiovasculares graves. O grupo analisado incluiu problemas como infarto, AVC, insuficiência cardíaca e parada cardíaca.

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O resultado reforça uma questão importante: testosterona não deve ser usada simplesmente para aumentar músculos, melhorar o desempenho físico ou modificar a aparência.

Quando a testosterona é realmente indicada?

A reposição hormonal pode ser indicada quando existe deficiência de testosterona confirmada e sintomas compatíveis. O diagnóstico não depende apenas de um exame isolado.

A Endocrine Society recomenda identificar sintomas relacionados à deficiência hormonal e confirmar níveis baixos de testosterona em exames realizados pela manhã. A avaliação também deve investigar a causa da alteração.

Por isso, cansaço, redução da libido ou alterações de desempenho sexual, sozinhos, não comprovam deficiência hormonal. Outras condições podem provocar sintomas semelhantes.

A reposição também exige acompanhamento para avaliar benefícios, efeitos adversos e necessidade de continuidade.

O que pode acontecer quando há excesso de testosterona?

Doses acima das necessidades do organismo podem interferir no funcionamento natural do sistema hormonal.

Nos homens, a presença excessiva de testosterona externa pode reduzir os estímulos responsáveis pela produção hormonal dos testículos. Isso pode diminuir a produção de espermatozoides e prejudicar a fertilidade.

O excesso também pode aumentar a concentração de glóbulos vermelhos no sangue. Essa alteração merece acompanhamento médico porque pode elevar riscos relacionados à circulação.

Outros possíveis efeitos incluem alterações na pressão arterial e no perfil de colesterol. O uso inadequado também pode afetar o coração e outros órgãos.

Por que o coração preocupa?

O sistema cardiovascular pode sofrer com alterações provocadas pelo uso inadequado de hormônios anabolizantes.

Pesquisas associam o uso de doses elevadas a mudanças na estrutura do coração, aumento da pressão arterial e alterações metabólicas. Porém, os riscos variam conforme substância, dose, duração e combinação com outros produtos.

Um estudo publicado no European Heart Journal analisou mais de 20 mil atletas de fisiculturismo e registrou 121 mortes. A pesquisa encontrou taxas elevadas de morte súbita cardíaca entre competidores, especialmente entre profissionais.

Os pesquisadores não atribuíram todas as mortes diretamente ao uso de testosterona. O fisiculturismo competitivo envolve diferentes fatores, incluindo outras substâncias e práticas de preparação.

Por isso, os resultados não significam que todo praticante de musculação apresente o mesmo risco.

Usar testosterona para ganhar músculos é seguro?

Não há indicação médica para utilizar testosterona com objetivo exclusivamente estético ou para melhorar o desempenho físico.

A testosterona é um medicamento quando utilizada para reposição hormonal. Portanto, seu uso exige avaliação profissional, diagnóstico adequado e acompanhamento.

Além disso, uma pesquisa apresentada pela Endocrine Society em 2026 encontrou baixa frequência de avaliações compatíveis com as diretrizes entre homens que receberam novas prescrições de testosterona. Apenas 12% apresentavam documentação considerada adequada no estudo.

Esse dado reforça a importância de investigar corretamente a deficiência hormonal antes de iniciar qualquer reposição.

O que fazer diante de sintomas de testosterona baixa?

O caminho mais seguro começa pela avaliação médica. Sintomas persistentes não devem levar automaticamente à reposição hormonal.

O profissional pode solicitar exames e investigar outras causas para as alterações. A testosterona varia ao longo do dia, por isso o horário da coleta também influencia a interpretação.

A Endocrine Society recomenda confirmar níveis baixos em pelo menos dois exames realizados pela manhã antes de estabelecer o diagnóstico de hipogonadismo.

A principal mensagem dos estudos é simples: testosterona não é um atalho para ganhar músculos ou melhorar o desempenho. Quando existe deficiência hormonal comprovada, a reposição pode fazer parte do tratamento. Sem indicação, porém, a exposição aos riscos pode superar qualquer benefício esperado.

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