Saúde e Bem-estar

Brasil amplia produção de imunoglobulina para fortalecer o SUS

Brasil amplia investimentos, parcerias e tecnologia para aumentar a produção nacional de imunoglobulina e outros medicamentos derivados do sangue.

A foto mostra o ministro da Saúde com sua equipe
Fonte: João Risi l Ministério da Saúde

O Brasil deu novos passos para ampliar a produção nacional de imunoglobulina, medicamento usado no tratamento de diferentes doenças. O acordo também prevê investimentos para modernizar a rede pública de sangue.

A iniciativa envolve a Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás) e a chinesa Tiantan Bio. As empresas assinaram, em 2 de outubro, uma parceria para ampliar o abastecimento do medicamento no país.

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A imunoglobulina humana deriva do plasma do sangue e atende pacientes com imunodeficiências, algumas infecções bacterianas e determinados tipos de câncer do sangue.

Com a parceria, o Brasil pretende ampliar a capacidade tecnológica e produtiva e reduzir a dependência de fornecedores externos.

Para que serve a imunoglobulina?

A imunoglobulina reúne proteínas presentes no plasma humano, entre elas os anticorpos. Essas substâncias participam da defesa do organismo contra infecções.

Por isso, médicos utilizam o medicamento em situações que envolvem deficiência do sistema imunológico e outras condições específicas.

O acordo prevê a cooperação para registrar no Brasil uma imunoglobulina humana de uso intravenoso. Também inclui o fornecimento do produto à Hemobrás e ações de licenciamento e transferência de tecnologia.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deverá acompanhar as etapas que envolvem o registro e as exigências sanitárias.

Como o Brasil pretende aumentar a produção?

O país também investe na estrutura necessária para aproveitar melhor o plasma coletado nos hemocentros.

O Ministério da Saúde destinou R$ 116 milhões para distribuir 604 equipamentos a 125 serviços de hemoterapia nas 27 unidades federativas.

A estrutura inclui 132 equipamentos para congelamento rápido do plasma e 472 freezers para armazenamento em baixas temperaturas. Alguns equipamentos conseguem operar a até -80 °C.

O governo também destinou recursos para monitorar a cadeia de frio em oito estados.

Essas medidas devem aumentar em cerca de 30% a capacidade de armazenamento de plasma para uso industrial. Com isso, a Hemobrás poderá receber mais matéria-prima para produzir medicamentos estratégicos.

Entre eles estão imunoglobulina humana, albumina e fatores de coagulação.

Por que o plasma é importante para fabricar medicamentos?

O plasma representa a parte líquida do sangue e contém proteínas importantes para o funcionamento do organismo. A indústria utiliza algumas dessas proteínas como matéria-prima para produzir medicamentos.

Por isso, a conservação adequada do plasma influencia diretamente a qualidade dessa matéria-prima.

A modernização dos hemocentros pode reduzir perdas e melhorar o aproveitamento das doações de sangue. Consequentemente, o país amplia a capacidade de transformar um recurso obtido na rede pública em medicamentos para o SUS.

A hemorrede brasileira reúne 2.097 serviços de hemoterapia. Desse total, 1.722 pertencem à rede pública.

Hemocentros terão novo incentivo financeiro

Além dos investimentos em equipamentos, o Ministério da Saúde criou um repasse mensal para apoiar a qualificação dos hemocentros de todo o país.

O programa contará com R$ 38 milhões e adotará critérios relacionados à qualidade da gestão, eficiência, cobertura dos serviços e capacidade de encaminhar plasma à Hemobrás.

O modelo também considera o aumento das doações voluntárias e a redução do desperdício de componentes do sangue.

Assim, o financiamento busca estimular melhorias contínuas na rede e reduzir diferenças entre os estados.

Acordos também avançam contra a hemofilia

A agenda da Hemobrás inclui ainda novas iniciativas para ampliar a oferta de medicamentos contra doenças do sangue.

A empresa e a Roche pretendem apresentar uma proposta de Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) para o emicizumabe, usado na prevenção de sangramentos em pessoas com hemofilia A.

A proposta prevê absorção de tecnologia e produção nacional do medicamento. A Hemobrás já produz fator VIII recombinante em Goiana, em Pernambuco, por meio de outra PDP.

Brasil investe em pesquisa e terapia genética

Outro projeto prevê a criação de um Laboratório de Pesquisa e Desenvolvimento da Hemobrás. O Novo PAC destinará R$ 50 milhões para a estrutura.

O laboratório deverá apoiar pesquisas, desenvolvimento de processos e avaliação de produtos farmacêuticos. A proposta inclui biofármacos, medicamentos derivados do sangue e produtos biotecnológicos estratégicos para o SUS.

A Hemobrás também firmou parceria com instituições de pesquisa para desenvolver uma terapia genética voltada às hemofilias A e B.

O projeto receberá R$ 5 milhões e terá duração prevista de 12 meses. A iniciativa utilizará nanopartículas para desenvolver sistemas de entrega do material genético.

Com essas ações, o país busca fortalecer a produção nacional de medicamentos, aproveitar melhor o plasma das doações e ampliar a segurança do abastecimento do SUS.

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