Saúde e Bem-estar

Cortisol alto: veja sinais que merecem atenção

Alguns sinais podem levantar suspeita de excesso persistente de cortisol, mas apenas exames específicos podem investigar alterações hormonais.

A foto alude ao hormônio cortisol elevado, foco da matéria
Fonte: Magnific

Cansaço, noites mal dormidas, mudanças no peso e alterações de humor podem fazer alguém suspeitar de cortisol alto.

O cortisol é um hormônio produzido pelas glândulas suprarrenais. Ele participa da resposta ao estresse e ajuda a regular pressão arterial, glicose e metabolismo.

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O organismo aumenta naturalmente a produção do hormônio diante de situações de estresse. Também existe uma variação normal ao longo do dia.

Por isso, sentir-se estressado não significa necessariamente ter excesso de cortisol. Da mesma forma, um sintoma isolado não confirma uma alteração hormonal.

Quais sinais podem indicar cortisol alto?

O excesso persistente de cortisol pode provocar diferentes alterações no organismo. Entre os sinais que podem levantar suspeita estão:

  • ganho de peso principalmente no tronco;
  • aumento de gordura no rosto;
  • fraqueza muscular;
  • pressão arterial elevada;
  • aumento da glicose no sangue;
  • pele mais fina;
  • aparecimento de estrias largas e arroxeadas;
  • alterações menstruais;
  • redução da massa óssea;
  • mudanças de humor.

A combinação e a progressão dos sintomas têm mais importância do que um sinal isolado.

Estrias largas e arroxeadas, fraqueza muscular e ganho de peso concentrado no tronco podem chamar mais atenção para o excesso de cortisol. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia também descreve essas características na síndrome de Cushing.

Quando o cortisol é considerado alto?

Não existe um único valor que determine excesso de cortisol para todas as pessoas. O hormônio segue um ritmo diário. Em condições normais, seus níveis costumam ser maiores pela manhã e menores à noite. Por isso, horário da coleta, método utilizado e valores de referência do laboratório influenciam a interpretação.

Um exame de cortisol no sangue realizado de forma aleatória também não confirma a síndrome de Cushing. As diretrizes da Endocrine Society recomendam testes específicos quando existe suspeita clínica.

Quais exames podem confirmar o problema?

A investigação pode utilizar diferentes exames. Entre os principais estão o cortisol salivar no fim da noite, o cortisol livre na urina de 24 horas e o teste de supressão com dexametasona.

O cortisol salivar noturno verifica se o hormônio permanece elevado em um período no qual normalmente deveria apresentar níveis baixos. Já a coleta de urina durante 24 horas permite avaliar a quantidade de cortisol livre eliminada ao longo do dia.

No teste de supressão, a pessoa recebe dexametasona e realiza uma nova avaliação do cortisol. Em condições normais, o medicamento reduz a produção do hormônio. Dependendo do resultado, o médico pode solicitar, dessa forma, novos testes antes de confirmar o diagnóstico.

Cortisol alto sempre significa síndrome de Cushing?

Não. A síndrome de Cushing é uma condição específica relacionada à exposição prolongada a níveis excessivos de cortisol.

Obesidade, pressão alta, alterações menstruais e mudanças de humor podem aparecer tanto em pessoas com a síndrome quanto na população geral. Por isso, os sintomas apresentam sobreposição e precisam de avaliação conjunta.

O excesso também pode acontecer pelo uso prolongado de medicamentos corticoides. Por isso, informar todos os medicamentos utilizados faz parte da investigação.

O que fazer quando há suspeita?

A primeira medida é evitar conclusões baseadas apenas nos sintomas ou em um exame isolado. Sono ruim, estresse e cansaço são comuns e podem ter muitas causas. Eles não permitem afirmar, sozinhos, que existe excesso de cortisol.

Quando surgem vários sinais persistentes, progressivos ou pouco comuns para a idade, uma avaliação médica pode indicar se existe necessidade de investigação hormonal.

Também não é recomendado usar suplementos ou produtos vendidos com a promessa de “baixar o cortisol” por conta própria.

Quando existe uma alteração hormonal verdadeira, o tratamento depende da causa. Por isso, identificar o problema corretamente é mais importante do que tentar reduzir o hormônio sem saber por que ele está elevado.

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