El Niño pode aumentar casos de dengue no Brasil; veja como prevenir
Projeções da Fiocruz apontam possibilidade de até 5,6 milhões de casos de dengue em 2027. Calor e chuvas reforçam a necessidade de prevenção.

O calor e as chuvas mais frequentes durante o verão criam condições favoráveis à reprodução do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. Com a previsão de influência do fenômeno El Niño, o Brasil enfrenta um alerta para o possível aumento da doença em 2027.
Projeções do InfoDengue, iniciativa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), apontam entre 1,7 milhão e 5,6 milhões de casos prováveis no país. Em um cenário de El Niño intenso, a Região Sudeste pode registrar aumento de aproximadamente 60% nas ocorrências. Já a Região Sul pode apresentar crescimento de 20%.
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Além disso, dados do Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa) indicam que 49,2% dos municípios avaliados apresentam situação de alerta ou risco.
Os números reforçam a importância de intensificar a prevenção, principalmente dentro das residências. Afinal, pequenos recipientes com água parada podem favorecer a proliferação do mosquito.
Por que o El Niño pode aumentar os casos de dengue?
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração interfere nos padrões de temperatura e chuva em diferentes regiões do planeta.
No Brasil, seus efeitos variam conforme a região e a intensidade do fenômeno. Em determinadas condições, o calor e as chuvas podem favorecer a reprodução do Aedes aegypti.
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Temperaturas elevadas aceleram o desenvolvimento do mosquito e podem reduzir o tempo necessário para que ele se torne capaz de transmitir o vírus.
Além disso, a água acumulada após as chuvas oferece condições para o desenvolvimento das larvas. Consequentemente, a combinação desses fatores pode ampliar o risco de transmissão.
Onde estão os principais criadouros do mosquito?
Muitas pessoas associam a reprodução do Aedes aegypti a terrenos abandonados e grandes recipientes. Entretanto, diversos focos aparecem em pequenos reservatórios dentro das próprias residências.
O mosquito utiliza qualquer recipiente com água parada que ofereça condições para o desenvolvimento das larvas.
Entre os locais que exigem atenção estão:
- Pratos de vasos de plantas;
- Bandejas de água atrás da geladeira;
- Coletores de água de aparelhos de ar-condicionado;
- Calhas com folhas e sujeira;
- Ralos pouco utilizados;
- Garrafas, baldes e recipientes descobertos;
- Caixas-d’água sem vedação adequada.
Como evitar a proliferação do Aedes aegypti?
A prevenção exige cuidados frequentes, especialmente durante os períodos de calor e chuva.
Confira algumas medidas importantes:
- Elimine recipientes que acumulam água parada.
- Limpe calhas e ralos regularmente.
- Mantenha caixas-d’água bem fechadas.
- Coloque areia nos pratos de vasos de plantas ou elimine os pratos.
- Guarde garrafas e baldes sempre protegidos da chuva.
- Utilize telas em portas e janelas.
- Aplique repelentes registrados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), respeitando as orientações do rótulo.
A inspeção dos ambientes deve ocorrer pelo menos uma vez por semana. Além disso, a prevenção precisa continuar durante todo o ano, mesmo fora do verão.
Quais sintomas da dengue exigem atenção?
A dengue pode provocar febre alta, dor de cabeça, dores musculares, manchas vermelhas na pele e cansaço. Algumas pessoas também apresentam náuseas e desconforto abdominal.
Entretanto, a redução da febre não significa necessariamente que a doença esteja melhorando. O período entre o terceiro e o sétimo dia merece atenção especial, pois podem surgir sinais de agravamento.
Segundo as orientações do Ministério da Saúde, alguns sintomas indicam a necessidade de atendimento imediato:
- Dor abdominal intensa e contínua;
- Vômitos persistentes;
- Sangramento no nariz ou na gengiva;
- Manchas roxas na pele;
- Tontura intensa ou sensação de desmaio;
- Sonolência excessiva;
- Dificuldade para respirar.
Diante desses sinais, procure imediatamente um serviço de saúde.
Durante a doença, a hidratação também merece atenção. A ingestão de líquidos ajuda a reduzir o risco de complicações.
Além disso, evite a automedicação. Medicamentos como ácido acetilsalicílico (AAS), ibuprofeno e diclofenaco podem aumentar o risco de sangramentos.
Quem pode tomar a vacina contra a dengue pelo SUS?
A vacinação complementa as medidas de prevenção contra o mosquito. No Sistema Único de Saúde (SUS), a vacina Qdenga está disponível gratuitamente para adolescentes de 10 a 14 anos, conforme a estratégia de vacinação do Ministério da Saúde.
O esquema prevê duas doses, com intervalo de três meses.
Na rede privada, a vacina possui indicação aprovada para pessoas de 4 a 60 anos, conforme as condições previstas na bula.
Um estudo publicado na revista científica The Lancet avaliou quase 92 mil adolescentes vacinados em São Paulo. Os resultados apontaram efetividade de 87,9% contra hospitalizações e 73,1% contra casos sintomáticos após duas doses.
A vacina apresenta contraindicações, incluindo gestantes, lactantes e pessoas com imunodeficiências graves. Por isso, a avaliação das condições individuais deve orientar a vacinação.
É importante lembrar que a imunização não elimina a necessidade de combater os criadouros. A proteção depende da combinação entre vacinação, controle do mosquito e identificação precoce dos sintomas.
Com a possibilidade de aumento da dengue, pequenas atitudes dentro de casa podem fazer diferença. A prevenção contínua continua sendo uma das principais formas de proteger a família e a comunidade.
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