Saúde e Bem-estar

Novembro também é roxo: em defesa dos bebês prematuros

Novembro Roxo destaca a importância do acompanhamento especializado de bebês prematuros após a alta hospitalar para monitorar crescimento e desenvolvimento.

A foto mostra bebê prematuro
Fonte: BLH IFF - FIOCRUZ l DIVULGAÇÃO

O nascimento prematuro exige cuidados que não terminam com a saída do bebê do hospital. Crianças que chegam ao mundo antes de completar 37 semanas de gestação podem precisar de acompanhamento especializado para monitorar o crescimento, a alimentação, a respiração e o desenvolvimento neurológico.

Por isso, o Novembro Roxo chama a atenção para a importância da assistência após a alta hospitalar. A campanha de conscientização sobre a prematuridade destaca que a continuidade dos cuidados ajuda a identificar necessidades específicas e orientar o desenvolvimento infantil.

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A iniciativa deste ano conta com a colaboração da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de organizações dedicadas à prematuridade. O tema reforça que cada criança apresenta necessidades próprias e precisa de acompanhamento individualizado.

Por que bebês prematuros precisam de acompanhamento após a alta?

A prematuridade ocorre quando o bebê nasce antes de completar 37 semanas de gestação. Como o organismo ainda está em desenvolvimento, algumas funções podem exigir atenção especial nos primeiros meses e anos de vida.

Mesmo quando a criança apresenta condições clínicas para deixar a UTI neonatal, a família precisa manter os cuidados fora do ambiente hospitalar.

O acompanhamento permite observar o ganho de peso, a alimentação, a respiração e a evolução das habilidades motoras e cognitivas.

Além disso, consultas regulares ajudam a identificar possíveis alterações precocemente. Quando necessário, a equipe de saúde pode encaminhar a criança para avaliações específicas e intervenções adequadas.

Quais são os principais desafios depois da alta hospitalar?

A saída da UTI neonatal representa uma etapa importante para a família. Entretanto, também traz dúvidas sobre alimentação, medicamentos, consultas e cuidados cotidianos.

Um levantamento baseado em dados da DRG Brasil, desenvolvida pelo Grupo IAG Saúde, identificou 75.301 internações relacionadas ao nascimento prematuro entre janeiro de 2022 e junho de 2026.

Desse total, 53,7% envolveram necessidade de cuidados intensivos. A permanência hospitalar média chegou a 15,2 dias, mas variou conforme a idade gestacional.

Entre os bebês nascidos antes de completar 28 semanas, a internação durou, em média, 49,4 dias.

O levantamento também identificou pelo menos 1.789 readmissões hospitalares nos primeiros 30 dias de vida.

Entre os motivos registrados estavam:

  • Icterícia, responsável por 69,4% das readmissões;
  • Problemas relacionados à alimentação, com 9,8%;
  • Doenças respiratórias.

Esses dados reforçam a necessidade de atenção contínua, principalmente durante as primeiras semanas após a alta.

Como acompanhar o desenvolvimento de um bebê prematuro?

O acompanhamento precisa considerar a idade gestacional, as condições clínicas e as necessidades individuais da criança.

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), publicado em 2024, acompanhou 34 crianças prematuras até os 12 meses de idade corrigida.

A pesquisa utilizou um programa híbrido de avaliação do desenvolvimento. Entre as crianças acompanhadas, 18 apresentaram pelo menos um resultado alterado nos testes.

Os pesquisadores encaminharam aquelas com determinados sinais de atraso para intervenções precoces.

O que é idade corrigida?

A idade corrigida considera o tempo que faltava para o bebê completar 40 semanas de gestação quando nasceu.

Esse cálculo ajuda a avaliar o desenvolvimento de crianças prematuras de maneira mais adequada.

Por exemplo, um bebê que nasceu oito semanas antes do previsto terá uma diferença de aproximadamente dois meses entre a idade cronológica e a corrigida.

A equipe de saúde utiliza essa referência para interpretar marcos do desenvolvimento, como controle da cabeça, movimentos, interação e aquisição de habilidades.

Quais cuidados a família deve manter em casa?

Depois da alta, a organização da rotina ajuda a garantir a continuidade da assistência. Algumas medidas merecem atenção especial:

  • Compareça às consultas de acompanhamento nos intervalos recomendados.
  • Observe o ganho de peso e as orientações sobre alimentação.
  • Siga corretamente as prescrições de medicamentos.
  • Acompanhe mudanças na respiração e no comportamento.
  • Mantenha a vacinação conforme a orientação da equipe de saúde.
  • Procure atendimento diante de sinais de alerta ou alterações importantes.

Além disso, a família precisa receber orientações claras sobre os cuidados específicos de cada criança. O acesso a especialistas e aos serviços de saúde também facilita essa continuidade.

Novembro Roxo destaca a importância do cuidado individualizado

A campanha deste ano utiliza o slogan: “Prematuro: pequeno no tamanho, grande no potencial. Investir no acompanhamento pós-alta é proteger o futuro”.

A proposta amplia a discussão sobre a prematuridade. Afinal, o cuidado não deve se concentrar apenas na sobrevivência durante a internação neonatal.

A história de Alícia Vitória, que nasceu com 27 semanas no interior do Maranhão, mostra a importância desse acompanhamento.

Atualmente com nove anos, ela precisou de cuidados adicionais após o teste do pezinho apontar suspeita de hiperplasia adrenal congênita. Essa condição interfere na produção de determinados hormônios pelas glândulas adrenais e pode exigir tratamento contínuo.

Durante os primeiros anos, Alícia realizou consultas mensais para avaliações e ajustes da medicação. Conforme cresceu, os intervalos entre os atendimentos aumentaram.

A trajetória reforça que cada criança apresenta necessidades próprias. Portanto, o acompanhamento precisa respeitar suas condições de saúde e seu ritmo de desenvolvimento.

O Novembro Roxo lembra que a assistência aos prematuros continua depois da alta. Com orientação, acesso aos serviços de saúde e acompanhamento adequado, as famílias conseguem identificar necessidades e oferecer melhores condições para o desenvolvimento infantil.

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